quinta-feira, 6 de março de 2014

O Cérebro e o Coração num Mundo com Golfinhos

Bom... antes de mais deixem-me começar pelo início...

Sou uma amante de golfinhos que o amigo Corvo conheceu há uns anos em outras ondas cibernéticas. Recentemente, numa troca de conversas, este amigo lembrou-se de um pedido muito especial... e se eu escrevesse no seu blog o que significavam para mim estes animais tão simpáticos que são os golfinhos? Bom... não tinha como recusar um pedido destes de uma pessoa como o Corvo... e foi assim que começou a minha pequena viagem no mundo da escrita... não ambiciono muito... às vezes já é bom que me faça entender (as palavras na minha cabeça, por vezes, encontram o caos e saem pela caneta de modo desastroso)... sou apenas alguém que, a pedido de um amigo, quer partilhar com ele, e consequentemente, com todos os seus amigos, o que me chama para além das ondas... há quem me conheça por wavegirl... acho que o amigo Corvo acabou por me baptizar por amiga Golfinho.

Posso começar por dizer que não... não foi o filme do Flipper que me fez despertar para o mundo dos golfinhos... vi esse filme com o mesmo entusiasmo que qualquer pessoa vê um filme cuja temática a atrai... mas assim que acabaram as duas horas daquela realidade de barbatanas, o meu entusiasmo voltou-se para qualquer outra coisa na altura... Mas confesso... sou culpada... existe um filme sim. O filme que me fez começar a minha “carreira” na área de mamíferos marinhos foi o, tão igualmente conhecido, Free Willy. A história de uma orca que é levada para cativeiro e depois é libertada. Uma história interessante mas, mais uma vez, não... não foi isso que me despertou... o que me chamou a atenção foi o animal em si... o peso bruto de 6 toneladas... o olhar... a maneira elegante com que se movia na piscina... sim... eu apaixonei-me pelo animal no momento em que o vi... acho que na altura nem sabia exactamente para o que estava a olhar... a partir daí fiquei “obcecada” por orcas ... ah... eu tinha 8 anos.

Portanto...  a minha escolha de carreira estava feita e o curso eleito: biologia. Os meus pais acharam a minha ideia determinada muito precoce e sempre pensaram que era mais uma que ficaria perdida algures durante o crescimento (quem não quis ser astronauta... ou patinadora no gelo...). Hoje sou bióloga e não... não trabalho com orcas... mas trabalho com golfinhos.

É claro que, sendo a orca da família dos golfinhos, facilmente partilho a fascinação. São animais incríveis... não porque estão sempre a rir (porque não estão!) ou por causa de um outro cliché qualquer... simplesmente porque o são mesmo! Cada animal tem o seu ponto fascinante. Quem tem gatos (eu incluída) irá dizer que também são incríveis. Sim, são! Ninguém aqui vai dizer que os golfinhos são mais ou menos especiais do que qualquer outro animal... A intenção é não usar clichés, lembram-se? Sendo assim, porquê dedicar a minha investigação a estes animais? Porque eles têm mecanismos incríveis que a maioria dos outros mamíferos não tem!

Só para me fazer entender, alguns exemplos:

Quantos de nós sabem que os golfinhos descansam com metade do cérebro de cada vez? Pois é... enquanto um hemisfério está em repouso, o outro continua em alerta de modo a processar todas as alterações que ocorrem no ambiente... é uma maneira de “manter um olho” nas crias e no restante grupo... e claro... nos predadores e no perigo em geral!

Quem mais sabe que estes animais respiram de forma voluntária? O ser humano pode adormecer a qualquer momento que continua a fazer a sua respiração de modo natural devido a mecanismos internos que fazem com que a respiração seja involuntária. No caso dos golfinhos, eles têm que estar conscientes para fazerem trabalhar o músculo que irá permitir a entrada de ar pelo espiráculo (o “nariz” do golfinho que se encontra no topo da cabeça).

Isto são apenas dois exemplos... Eu poderia continuar o resto dos tempos a falar dos aspectos fisiológicos destes animais que mais me fascinam... são assim tantos! Mas talvez fique para uma outra oportunidade... para uma outra promessa, quem sabe...

O mais importante é que estes animais, para mim, representam não só o meu trabalho, mas a minha vida... não me vejo a trabalhar com qualquer outra coisa que não investigação e não me vejo a investigar qualquer outro animal que não seja mamífero marinho...  são as únicas opções que me fazem sentido.

Tive, claro está, muita sorte! Comecei a minha carreira científica a trabalhar com golfinhos e já lá vão quase 7 anos... Ao longo do meu caminho sempre me deparei com as pessoas certas, no momento certo. Conquistei o que tenho hoje com muito trabalho, dedicação e esforço... o caminho para os nossos sonhos nem sempre é o que parece mais óbvio e não é, seguramente, o mais fácil.

A parte engraçada de eu trabalhar com golfinhos é que nunca perdi aquele entusiasmo... cativeiro ou no meio natural, volto, brevemente ao passado… sempre que é avistado um golfinho o tempo pára... o coração acelera... e lembro-me do momento em que estes animais conquistaram o meu coração... por uns segundos a criança apaixonada por cetáceos regressa e o entusiasmo vence! Se estiver no meio natural darei, com toda a certeza, o grito de alerta misturado com emoção como se fosse a primeira vez que os vejo... “Golfinhos!”... se for em cativeiro, sinto aquele formigueiro que vem dos dedos dos pés, passa pelo estômago e vai até às pontas dos cabelos, o coração a palpitar e a sensação maravilhosa de estar junto daqueles animais novamente... após alguns instantes, tanto no meio natural como em cativeiro, a emoção volta de novo para dentro do coração e é a vez do cérebro entrar em acção... da profissional entrar em cena... e assim, pego no material, nos registos, nas câmaras e preparo tudo para mais um dia de recolha de dados!

wavegirl

Sugestão Barreiros - Coração de Cão - Michael Bulgakov



Sinopse:



Uma sátira mordaz ao «homem novo» soviético, Coração de Cão, escrito em 1925, apenas pôde ser publicado na União Soviética em 1987, com a perestroika.


Um eminente cientista, especializado em rejuvenescimento humano, enceta uma experiência a um cão vadio das ruas de Moscovo, Charik, depois de o levar para o seu apartamento e ganhar a sua confiança. O respeitável professor transplanta-lhe a hipófise e testículos de um indivíduo acabado de morrer, e o resultado é inesperado: o cão transforma-se em homem, mas um da pior espécie – arrogante, bêbado, desagradável, apoiante do proletariado, que se passou a chamar Poligraf Poligrafovitch Charikov. E assim o professor vê-se perseguido por todo o género de comités e comissões estatais e proletárias que não suportava, deslumbrados com o cão que se transformara em homem numa experiência de laboratório.

Como em toda a sua escrita, Bulgakov sublinha neste livro o irracional, o escárnio e a sátira, no melhor retrato daquilo que foi o «homem novo» soviético.

O livro até está em boa conta http://www.aletheia.pt/products/coracao-de-cao



Ora bem serve a presente sugestão, do João Barreiros, para informar que poderão começar a surgir mais mensagens com participações de mais seguidores do grupo, espero que gostem e será uma forma de diversificar um pouco ;)

Fiacha o negro :D




terça-feira, 4 de março de 2014

Manuel Alves – O escritor 2.0



Quem frequenta o meu blog, O Senhor Luvas, não ficará espantado ao ler que eu considero o Manuel Alves um dos novos valores da escrita em Português. Não só escreve nos meus géneros de eleição, Ficção Científica e Fantasia, mas também é versátil ao ponto de escrever livros infantis e Romances sempre com a qualidade a que estamos a habituados a ver em editoras a “serio”. Mas existe mais um outro pormenor que torna o Manuel “diferente”, ele faz parte de uma nova geração de escritores que começam cada vez mais a fazer parte da preferência dos leitores. O Manuel é o arquétipo desta nova geração, destes escritores do século vinte e um, dos escritores 2.0.

Entre os velhos escritores e estes novos escritores 2.0 as diferenças estão nos pormenores, porque o que os separa é isso mesmo, pormenores, mas que fazem toda a diferença.

O que os une é claro o gosto pela escrita. Em ambos os casos temos pessoas que querem ser reconhecidas e apreciadas e que, de um modo geral, gostariam de viver da escrita. Em ambos os casos o objectivo é escrever e publicar. No fundo ambos querem exactamente o mesmo. É no caminho escolhido que se diferenciam.

Os da “velha guarda” acreditam que é apenas através do livro impresso que esse reconhecimento virá, como se apenas depois de verem o seu nome gravado a tinta na celulose a sua imortalidade estivesse assegura. Estes “velhos do Papel” não acreditam e/ou ignoram todo um mundo que existe para lá da realidade física.

É aqui que aparecem este escritores 2.0, para eles a edição em papel não é uma prioridade, a questão de publicar em formato físico é acessória. O que lhes interessa realmente é dar-se a conhecer ao público. Estão nas redes sociais e sabem usa-las para divulgar o seu trabalho. Vivem do “passa a palavra” (que nestes tempos para o bem e para o mal pode ser tanto uma bênção como uma praga). Não estão dependentes de campanhas “milionárias” de marketing ou da falta delas para os seus livros vingarem. Dependem (quase) única e exclusivamente de os seus leitores gostarem do seu trabalho e iniciarem uma corrente de boas opiniões que leva a mais leitores. Os leitores, seja em que formato seja, acabam por se fidelizar. Neste aspecto o facto do Manuel e outros iguais serem bastante atenciosos com os seus leitores nas redes sociais, o meio por excelência de contacto, ainda os torna mais fieis.

O que escrevem não passa pelo crivo dos editores que, diga-se em abono da verdade, hoje em dia cada vez mais meros publicadores que depois de uma leitura apenas pesam o potencial de vendas e consequente lucro de um livro (na curto prazo, por tudo o que passe para lá das sete semanas sem vender já é um falhanço). As qualidades literárias, seja na escrita seja nas ideias que difundem e poderão trazer novas perspectivas (algo muito importante na Ficção Científica, por exemplo) fica relegado para segundo plano. (Os verdadeiro editores são um espécie em vias de extinção, mas isso fica para outra conversa.)

É interessante notar que alguns dos best-sellers dos nossos dias apareceram primeiro no mundo virtual, com escritores que começaram por se auto-publicar em sites como o Smashwords e afins e tiveram tanto sucesso que as editoras convencionais os foram contratar (a qualidade dos mesmo não é para aqui chamada). É também relevante que alguns deste escritores 2.0 com fama e proveito junto dos leitores já declinaram ofertas, algumas com valores bem elevados, das editoras convencioneis, preferindo publicar sem interferências e intermediários, o que não deixa de ser sintomático do actual estado do mercado editorial.

Estes novos escritores 2.0 são o sintoma de uma mercado editorial doente? Acredito que sim, pois tenho visto alguns autores de qualidade, já publicados em papel a migrarem para o digital. As razões são variadas, mas geralmente giram em torno do desapontamento, da desilusão ou simplesmente do desinteresse com o “mercado do papel”.

Pelo meio temos inevitavelmente os “híbridos”, autores que vivem em ambos as mundos.

Claro que nem sempre temos a sorte de termos escritores dotados como Manuel, mas não podiam ser só pontos positivos. No meio de algumas pérolas temos muito lixo, mas ai as coisas, mais uma vez, não diferem muito do actual mercado editorial convencional em papel.

Estamos então perante um novo tipo de escritor, nascido num novo mundo em que tudo é gratuito, mas onde não há refeições grátis. Competem com as editoras tradicionais obrigando-as a repensar o seu modelo de negócio. Algumas vezes acabam por ir engrossar as fileiras das editoras, outras vezes são o inimigo que lhes rouba clientes (aqui não à leitores, é tudo negocio).

Para já não acredito que se possa dizer que o leitor seja o vencedor. É certo que tem mais escolha, mas porque o lixo é muito os bons escritores podem não se ver no meio da porcaria, mas considero que isso a seu irá tempo irá mudar. Tal como outrora no mercado editorial convencional em papel houve algo mais que o interesse no lucro, gosto de crer que também aqui a qualidade irá prevalecer, mas também não sou assim tão ingénuo para acreditar piamente nisso.


O mundo irá ainda dar muitas voltas, mas penso não errar ao dizer que se abriu uma caixa de Pandora quando se tornou tão fácil editar um livro. O tempo o dirá.

Este texto também foi publicado no blog O Senhor Luvas

domingo, 2 de março de 2014

O Mistério de Charles Dicksens - volume 1 de Dan Simmons




Sinopse:


A 9 de junho de 1865, quando viajava para Londres de comboio com a sua amante secreta, Charles Dickens – no pico da fama como o mais genial romancista do mundo – é vítima de um acidente que muda a sua vida para sempre.
Obcecado com visões de um homem de nome Drood que avistara no local do acidente, inicia uma vida dupla onde se dedica à investigação de cadáveres, criptas, ópio e fantasmas e torna-se frequentador dos subterrâneos de Londres a que chama “a sua Babilónia”. Mas será tudo isto uma mera pesquisa parao seu próximo romance ou uma descida aos infernos da insanidade?
Baseado nos detalhes históricos da vida de Charles Dickens narrados por Wilkie Collins, outro grande escritor da época – bem como amigo, colaborador de Dickens e também seu grande rival –, Dan Simmons explora os mistérios em torno dos últimos anos da vida de Charles Dickens e poderá providenciara chave para o seu último romance inacabado: O Mistério de Edwin Drood.

Opinião:

Quanto mais vou conhecendo a obra do escritor, mais perto Dan Simmons se aproxima de ser o meu escritor favorito, mais um livro muito bom. 

Embora se possa considerar um livro algo descritivo, necessário para que se faça o devido enquadramento da época em que está a ser descrito, sendo que, nesse capitulo, poucos são os escritores que fazem um trabalho de pesquisa tão bem feito, logo estamos na presença de um romance histórico fantástico.

Mas é igualmente um livro excelente pela forma como vem sendo construído, envolto em mistério, suspense, muito ópio, bem como pela forma como nos vai prendendo. As personagens são fantásticas a começar pelo narrador da história, Wilkie Collins, escritor e amigo pessoal de Dickens que nos descreve a vida final do seu amigo que sofre um acidente ferroviário. Um personagem inteligente, mas mesquinho, medroso, invejoso, algo receoso, mas que acaba por ser um personagem complexo e bem real.

E como se pode ver pela sinopse o enredo fica marcado com o acidente sofrido pelo amigo Dickens que fica obcecado com um personagem de nome Drood acabando por ter desenvolvimentos muito interessantes.

Não quero estar já a comentar o livro pela totalidade, até porque há uma segunda parte ainda por ler e que por experiência própria acredito que ainda venha a ser melhor que o até aqui apresentado, pelo menos a nível de ritmo de ação e claro verificar a forma como é encerrada toda esta trama.

Simplesmente fantástico, do melhor que tenho lido e não descanso, enquanto não conseguir ler todos os livros do escritor por cá publicados.

Já agora aproveito para informar que no presente mês março os livros estarão à venda na Editora em Pack, logo comprado ambos os livros pelo preço de um, a não perder

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Ilha

Hoje temos festa, tragam a alegria e os sorrisos para este pergaminho festivo que a Guardiã me entregou ....

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Ilha

Celebrar a vida é abraçar o sopro que nos acolhe, que nos alimenta, é agradecer o que surgiu em nós, o que nos fez crescer e aprender. Celebrar a vida é receber a bênção para novos e admiráveis caminhos, que insondavelmente nos oferecem conhecimento e discernimento para encontrar a verdadeira felicidade. Celebrar a vida é dar graças ao ato que é viver. As nossas vivências são os mais puros e completos ensinamentos, nos quais, não viajamos sozinhos. Percorremos um caminho comum, caminhando de mãos dadas com aqueles que amamos. São eles que acarinham os nossos medos para que se libertem e se transformem em deliciosas surpresas maravilhas da vida. Destes momentos sobra a lembrança que é a chama que preenche a riqueza desta jornada que é viver.

Depois de ter encontrado uma mensagem do Corvo negro sobre a manhã com um pedido especial, o qual, me roubou um sorriso espontâneo, dirigi-me à grande biblioteca onde os pergaminhos estão guardados nas aclamadas etiquetas.

Coloquei uma chave especial feita de ferro forjado, adornado com a cabeça em forma de rosa gentil
e rodei três vezes. O movimento fez mover os ferrolhos da porta de formato floral, abrindo-a.

Um
ligeiro vento entrou antes de mim e retirou da prateleira altiva o pergaminho pedido. Aguardei junto à ombreira enquanto o vento o fez deslizar, depositando-o nas minhas mãos, que logo se agitou ansioso por contar a sua história. A leitura, deste pergaminho, faço-a no colorido jardim do castelo onde me sento, tranquilamente, num lindo banco de pedra envelhecida e fresca. O pergaminho voou ligeiramente até à minha frente e falou.

O corvo negro aproveitou o afectuoso sabor do vento que o levou rápido até uma fértil e verdejante ilha. O cheiro da maresia era aconchegante debaixo do sol que aquecia o mundo. A vista era admirável com o arvoredo a namorar a rocha negra, enquanto as flores silvestres decoravam a estação em vida.

Aquela ilha era conhecida por nela habitarem três espíritos mágicos da natureza, as belas e divertidas ninfas. É sabido que as ninfas são apaixonantes, melodiosas e aventureiras. Aquelas que o corvo negro corria a encontrar, eram ninfas especiais e bondosas. E este dia, é bem especial, pois no salão haverá festa. O anfitrião terá, por isso, de encontrar as três ninfas que governam a ilha com harmonia, equilíbrio e abundância.

A primeira ninfa vivia numa gruta rochosa debaixo de água onde uma fabulosa e gigantesca concha luminosa se afigura como sua casa. O corvo negro sobrevoou o pequeno pico da grande e profunda gruta, que sobressaia fora da água do mar selvagem, e aguardou que este abrandasse para mergulhar. O mar pareceu conceder-lhe a vontade e sossegou por momentos. É sabido que o corvo negro é um corvo mágico, e assim se mostrou mago. Sussurrou palavras encantadas e à sua volta criou-se uma bolha que permitiria estar debaixo de água durante longos momentos. Sentindo a rocha fresca por baixo de si, apressou-se a mergulhar até ao reino da ninfa do mar. Enquanto nadava até à concha que preenchia todo o seu horizonte debaixo de água, pode assistir à beleza que adornava aquele lugar fantástico, onde um colorido e vasto coral decorava todo o espaço com cor e magia.

Pousou num aglomerado de pedras com conchas coloridas e grasnou em chamamento. Passados momentos um rosto amigo e simpático apareceu à sua frente.

- Bem hajas caro amigo. Não te esperava tão cedo – respondeu a ninfa do mar contente pela visita inesperada. A sua voz ecoava pelo espaço como uma melodia doce e o corvo sentiu-se enfeitiçado.

- É certo, cara amiga. Mas um evento a celebrar exigiu a minha pressa, julgo que irás gostar o que reservo para uma amiga em comum – contou-lhe entre o olhar encantado e ansioso da ninfa do mar que acenou logo em concordância.

- Ela vai adorar, que excelente ideia. Terás de esperar só mais uns momentos para que eu beba uma infusão de algas e caminhe pelas minhas pernas. As escamas não me permitirão chegar ao teu salão.

O corvo negro acenou aguardando. A ninfa do mar, também conhecida como Sandra, arranjara os seus cabelos numa longa trança, presa por duas belíssimas estrelas do mar e finalizou a metamorfose. O anfitrião sorriu maravilhado pela mudança e agitou as suas asas. Com um sorriso, Sandra despediu-se do corvo negro e encontrou-se rapidamente no salão. Deu por si de frente a dois lobitos muito curiosos.

O corvo negro seguiu depois, caminho até à ilha onde pisou terra fresca e limpa. Lá sentiu a vida em rubro. Contemplou a magnificência de uma natureza respeitada e genuína. Agradeceu aquela viagem até tão lindas e compensadoras paragens e deu graças por existirem tais locais cheios de encantos.

O anfitrião ansiava agora por encontrar a ninfa do campo. Através dela, os pastos são férteis e a estação é generosa. A decoração dos campos era apetitosa e radiante. Corvo negro caminhou pelos campos demorados de papoilas e malmequeres inspirando a sensação de paz daquele lugar. Foi surpreendido pela ninfa do campo, que se confirmou tão bonita e alegre, com uma coroa de flores sobre o cabelo namorado pelo vento.

- Saudações amigo corvo. O que te traz tão cedo a estas paragens? – perguntou enquanto rodava numa dança com dúzias de borboletas seduzidas.

- Vamos fazer uma surpresa à ninfa da floresta. Vamos celebrar o seu aniversário e, se quiseres aceitar o meu convite para o reencontro no meu salão, faremos já a viagem. És muito bem-vinda e haverá muitas surpresas – tentou o corvo negro piscando o olho e sorrindo graciosamente.

- Ah! Então vamos a isso – respondeu sempre sorrindo como se apenas conseguisse falar cantando – eu sei onde ela está, vamos caminhando para lá?

Os dois amigos seguiram por caminhos limpos e acarinhados por imensas mãos e vozes que só um coração puro consegue sentir e ouvir. A natureza é um espirito vivo e com ele vive a nossa alma diariamente. Um namoro pegado, muito desejado, muito verdadeiro.

Lá estava a ninfa da floresta, num curto e largo vestido verde feito de heras e fetos, com uma coroa de flores do rebento da primavera. Descalça e feliz, consertava uns ramos descaídos de uma árvore antiga para que um ninho não fosse destruído pela queda de um abraço da natureza.

- Amiga ninfa dos campos, ou melhor, amiga Jojo, é melhor ires andando para o salão. A ninfa da floresta de nada pode desconfiar – o corvo negro viu no rosto de Jojo um largo e sincero sorriso que lhe alimentou a alma e com o agitar de asas, mais um membro chegou ao salão. Sentindo a sua chegada, foi docemente recebida pela raposa que a esperava junto com Sandra e dois lobitos irrequietos.

O corvo negro avançou num voo rápido e aterrou ao lado do ninho que com o seu bico ajustou os galhos para um cantinho resguardado do ramo.

- Amigo corvo negro! – acenou a ninfa da floresta contente pela visita – o que fazes aqui? – perguntou tímida unindo as mãos e balançando. Definitivamente, desconfiava que o corvo teria ido até à ilha felicitá-la pelo seu aniversário, mas teria de ser firme e aguentar a felicidade que mais tarde seria completa.

- Viva, amiga ninfa da floresta, este lugar é sempre muito harmonioso, tens feito um belíssimo trabalho – piscou-lhe o olho muito seguro do seu discurso pouco revelador – tive de abreviar a data para a tua viagem ao meu salão. Ainda tenho um longo caminho a percorrer para encontrar todos os membros do Fiacha. Aceitas vir comigo? – perguntou o corvo negro aterrando no seu ombro.

- Abreviar? – respondeu com um olhar sorridente e curioso – Vou sim, a estação está a terminar e logo começarão as chuvas. Será um repouso para que a mãe natureza abrace esta ilha até à sua gema. Mas antes de irmos, que tal um passeio pela minha floresta?

- Aceito com muito agrado – respondeu o anfitrião caminhando ao lado da ninfa da floresta.

Entretanto no salão do anfitrião, os membros chegados, apressavam os preparativos para o baile de aniversário. As chamas vivas dos candeeiros vestiram-se a preceito para a ocasião. O anão de barbas longas, lá estava todo direitinho com a sua barba amparada e arranjada em trança larga com um bordão da sua casa, como mandam as suas origens. Não largava o seu escudo tendo Ubik ali por perto, receava-o apesar do dragão negro ter-lhe já assegurado que não havia qualquer perigo. Mas o anão é um excelente guarda e muito desconfiado.

As ninfas, do mar e do campo, tinham terminado o bonito bolo de aniversário. Os cavalheiros Ubik e dragão negro logo se aprontaram a carregar o saboroso bolo até ao salão. Mas durante o percurso, o bolo explodiu e apenas sobraram pepitas de chocolate e chantily sobre eles próprios. Ubik olhou boquiaberto para o dragão negro.

- Um espirro de um dragão pode ter um efeito desastroso – respondeu o dragão negro mostrando umas faces rosadas.

Pasmados, olharam a raposa e as ninfas que sérias, desataram a rir juntamente com Maria_queenfire que entretanto chegara com os lobitos que se aproveitaram da situação.

Maria_queenfire colocou mãos à obra. Soprou ao vento generoso e nele desenhou uma belíssima tela onde apareceram os rostos mais especiais para a ninfa da floresta. Uma tela que foi sobreposta sobre o seu lugar à mesa. Assim que o pergaminho voasse para as mãos do valente anão, a tela viva seria mostrada com os sorrisos e gestos que cada amigo e familiar tinham para lhe entregar. A ninfa do campo, a Jojo, espalhou jarras de flores decorando o salão de cor e cheiros agradáveis.

Ubik contribui de forma especial, retirou cinco homens da sua capa e colocou-os a ler num aposento seguro de cada candeeiro, e das suas histórias, apareceram cenários fantásticos, personagens encantadas que surgiram sobre o tecto do salão. As chamas vivas regozijavam-se com o divertimento e encantamento ali criado.

Finalmente a ninfa da floresta, nascida Catarina e conhecida no Fiacha como páginasencadernadas, chegou ao salão junto com o corvo negro. Já estavam todos reunidos em frente a um novo bolo magnífico, cheio de cor e de vários andares que aguardava elegante com as velas acesas em celebração de mais um aniversário e logo uma melodia foi entoada por mil vozes.

A ninfa Cata estava deslumbrante com a surpresa preparada pelos seus amigos e quando a tela se revelou, esboçou um sorriso no rosto com um olhar onde brilhava uma lágrima. As velas foram sopradas com a bênção de um ano cheio de felicidade.

Quando a melodia do aniversário terminou apenas se ouviu o anão de barbas longas cantarolar:

Parabéns ao membro aniversariante,

que chegou ao salão,

corta uma fatia de bolo

e dá cá ao anão!



És tão bonita e generosa

com o brio de uma rosa

dá cá um beijinho

que eu sou muito bonitinho!


Todos sorriram alegres e comemorativos. O baile começou e se prolongou pelo presente dia.

Muitos parabéns Cata!


Guardiã do Tempo


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho do Viajante do Norte

Os pergaminhos vão surgindo, e a chamada dos membros vai sendo feita pelo Corvo Negro, de terra em terra, será que todos chegam a tempo?
A Guardiã deixou-me mais um pergaminho, mais um testemunho vindo desse continente fantástico Fiacha.
Divirtam-se :)

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho do Viajante do Norte

Suavizei a guarda do pergaminho lido. O sol ainda se erguia forte no horizonte do continente Fiacha, o qual, saboreei por momentos, o conforto da sua cor e energia.

Ao virar costas para a prateleira dos livros senti uma brisa fresca e uns sussurros longínquos fizeram-se ouvir. Eu conhecia bem aquele sussurro e com ele, lembrei-me que em cada história lida, o grado que ela vai ter, depende do sabor que cada leitor lhe dá. A exigência pelo seu conteúdo vai aumentando à medida que a experiência se acumula. Afinal de contas um livro é uma viagem. Uma viagem de experiência e conhecimento. Uma viagem que pode ser brilhante, honrosa, saborosa, desoladora, imperfeita, inquietante, horrível. Uma viagem de terror, de drama, de romance, de fantasia, de ficção, nunca deixa de ser uma viagem.

Há quem viaje por gosto, há quem viaje por ofício e há aqueles que viajam à procura de mais conhecimento. Estes últimos são os que se tornam mestres das palavras. Estes viajantes de inúmeras e diversificadas viagens usam uma alcunha, muitas vezes, baseada em leituras que mais gostaram, marcaram ou simplesmente identificaram-se com elas.

Poucos são os mestres das palavras que usam a sua experiência digna e respeitosamente sem inferiorizar viajantes tímidos e pouco experientes neste longo e diversificado mundo da literatura.

Perante este meu pensamento, procurei o pergaminho que desejava falar. Nas minhas mãos o pergaminho ganhou vitalidade, o selo foi rompido e as palavras agitaram-se urgentes. O pergaminho falou.

O membro que o corvo negro procurava e tão bem conhecia, era um destes mestres pelo qual uma antiga e valiosa amizade obrigava-o a procurar tão cedo.

O corvo negro voou em direção ao norte onde o vento assobiava bem forte e a neve caía fina naquele lugar longe de tudo e de todos. Sabia-o no pico de uma alta montanha onde a estação é severa, repleta de nuvens velozes e dançantes. Ali, era o local ideal onde o repouso e o silêncio permitiam àquele membro viajar sem ser interrompido ou incomodado. O frio teimava em enfraquecer o voo do corvo negro que não se deixava abater pelas dificuldades. Além de insistente, é um corvo corajoso e forte, por isso é um corvo sem igual.

O pico da montanha lá se revelou e o corvo negro deixou-se aterrar. Só havia uma forma de entrar e não perdeu tempo para o fazer. Decidiu surpreender o seu amigo membro entrando de surpresa no seu interior.

Todo aquele lugar parecia ter avançado num tempo que o Corvo Negro apenas conhecia de algumas viagens por livros de ficção. O interior da gruta era composto de altivas paredes de rocha cinzenta espelhada. O corvo negro conseguia-se ver através delas, ou então, parecia estar a ser seguido por reflexos que não conseguia identificar. As paredes ecoavam sussurros misteriosos, ruídos hórridos, chamamentos desafinados e gargalhadas que se misturavam num eco distante no corredor daquela gruta.

O corvo negro sentiu um arrepio nas penas que se eriçaram. Era um lugar estranho com uma brisa muito leve que denunciava perigo. Mas o perigo tem uma particularidade: é docemente sedutor, pois avança sem rodeios trespassando a alma deixando uma sensação de uma adrenalina que é doce. Forte é esta sedução do desconhecido e procurar nele o resultado do desafio e a coragem é justificação suficiente para ocultar essa sensação e avançar sem medo a um lugar em que nada se espera, mas que nos aguarda tudo o que não se conhece.


Ali, o ar era como uma vaporização de algo que o corvo negro de imediato sentiu na sua mente como uma inspiração de reconhecimento e consciência. As paredes escorriam, em espaçados locais, um líquido cristalino com ligeiros raios no seu interior. Naquele corredor, uma luz ténue de cor esverdeada foi ganhando maior tonalidade à medida que também aquele líquido jorrava com maior intensidade dando-lhe essa cor. Chegado a um átrio, vários corredores surgiram. Havia que escolher um caminho. Conhecendo aquele membro, o corvo negro sabia-o divertido e extremamente inteligente. Escolheu um caminho onde aquele líquido verde mais iluminava e menos o cegava de todo um cenário brilhante. Percorreu um corredor que pareceu infindável.

À sua frente surgiram intervalados, pequenos homens, todos eles, vestidos com uma longa capa branca, encapuzados e muito direitos. Susteve-se algum tempo num relevo da rocha onde lhe foi admitido pousar. Notou que, cada um daqueles pequenos seres entrava na rocha e lá depositavam-se como num aposento marcado e habitual. Ao longo do corredor, muitos eram os homens brancos que lá permaneciam. Curioso como sempre, o corvo negro quis examinar um dos pequenos seres que confirmou ser do tamanho das suas asas. Pensou, que poderia transportá-lo nas suas costas de tão pequeno e leve que parecia ser.

Contemplou quando o examinou, que por baixo do seu pequeno encosto, tinha uma legenda imperceptível e as pequenas mãos estavam unidas amparando um muito pequeno livro como se guardasse parte de si mesmo. Com a sua asa tocou na legenda, como se, ao lhe tocar compreendesse o seu conteúdo. O pequeno homem encapuzado levantou a sua cabeça e olhando o seu mandante, esboçou um sorriso fechado e atrevido. Uma voz se ergueu firme e célebre. O corvo negro tentou desligar aquele homem que desatara a falar, mas nada o fazia parar.

Note-se que o perigo não é só um desafio, pressupõe uma consequência, que muitas das vezes, resulta numa ameaça real. O corvo negro sentiu isso à medida que aquela voz ia contando uma qualquer alegoria e o seu teor foi sendo personificado por uma atmosfera estranha que se ia criando em seu redor. Pequenas sombras foram chegando sussurrando, rindo, todas as que, sentiu separarem-se algures das paredes. O corvo negro recuou até sentir o líquido da rocha propagar-se sobre si e sentiu-se tão preso como uma mosca numa teia de aranha. As sombras acorreram a atacar o intruso.

Antes do corvo conseguir grasnar, surgiu um imenso silêncio. E o corvo negro viu-se de frente a uma taça de água parada a luzir do mesmo tom esverdeado.

- Caro amigo corvo negro, não devias entrar assim em locais que não conheces de forma tão confiante – falava o membro dirigindo-se a um canto daquela pequena divisão.

- Saudações caro amigo – respondia o corvo negro meio atrapalhado - nunca pensei que a tua casa fosse tão difícil de entrar, está bem armadilhada com líquidos verdes, sombras e reflexos – gesticulava turbulento.

As gargalhadas do seu amigo soaram divertidas e profundas, como se as retivesse há séculos.

- Quem são aqueles homenzinhos pequenos? – perguntou, curioso, o corvo negro ainda relembrando o seu atrevimento.

- Ah, aqueles meus semelhantes? – abriu os braços mostrando-se em todo igual. De facto, confirmou o corvo negro reparando que aqueles homens eram exatamente iguais ao seu amigo, mas em ponto pequeno – aqueles pequenos homens sou eu mesmo. São momentos de mim.

- Que queres dizer? – perguntou o corvo negro.

- Cada homenzinho daqueles – disse rindo – ou melhor aqueles Eu’s, são a vivência de cada leitura que fiz. Se tocares no título do livro a que se refere, ele contar-te-á a sua história. São momentos meus, memórias das minhas leituras. As que forem seguidas de sombras, são as leituras que considero de má qualidade. Além disso, já me conheces, sabes que sou um pouco ubíquo – dizia satisfeito virando-se para o seu caro amigo – toma bebe desta água, far-te-á sentir bem melhor – disse enquanto acabava de encher um copo com um líquido licoroso.

- Agora entendo porque fui seguido – bicou a taça com alguma prontidão e logo se sentiu bem mais confortável.

- Foste logo escolher o corredor das minhas piores experiências de leitura. Bem estranhei ver-te pintado de cor verde – disse gracejando.

– Sei porque vieste cá - sentou-se num banco de pedra que se escondia ilusoriamente na parede rochosa, como se lá não existisse, colocando uma perna sobre a outra.

- Isso quer dizer que aceitas?

O membro convidado sorriu maliciosamente tentador, revelando uma satisfação divertida. Levantou-se direito aguardando. O corvo agitou as asas e antes que este partisse:

- Como saio daqui? – gritou assustado e arrependido da pergunta tardia.

O seu amigo e membro já estava a chegar ao salão quando o corvo negro caiu na mesma taça de água, viu-se de novo sobre as sombras e rapidamente foi levado, de novo, até à entrada daquela gruta. Há muito que não se lembrava de voar tão rápido.

Chegara ao salão quente e acolhedor recebido por um dragão que já pressentira a sua chegada. A raposa dirigiu-se ao membro que já conhecera e cumprimentou-o divertida. O som do pergaminho a ser dizimado soou definitivo, ao que, o membro olhou para a chama viva. Nela, embargava um anão de barbas longas das profundas montanhas de um outro continente que Dragão Negro conhecera nas suas viagens. Vendo o patrono do pergaminho dizimado a olhá-lo tão sério, o anão virou-lhe as costas protegendo-se com o seu escudo receando alguma represália, ao que, os três presentes riram alegres de receio tão injustificado.

Este, subitamente, retirou algo de dentro da sua capa branca. Um homem pequeno igual a si.

- Trago uma recomendação que considero ser muito útil e de excelente qualidade para ser lido neste vasto continente Fiacha – contava enquanto o sobrepunha na longa mesa do salão e logo se juntou ao grupo junto da lareira, retirando o capuz revelou o seu rosto alegre e bondoso.
- Qual é a leitura? – indagou o dragão negro examinando o homenzinho branco.

- Ubik! – respondeu rindo.




Guardiã do Tempo


sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Algo maligno vem ai de Ray Bradbury



Sinopse:


Poucos romances americanos causaram tanto impacto como este clássico de Ray Bradbury. Para os que acreditam na força da imaginação e ainda não experienciaram o poder hipnótico da prosa de Bradbury, estas páginas vão tornar-se numa revelação. 

O espetáculo está prestes a começar. O circo chega pouco depois da meia-noite, nas vésperas do Halloween. O que fariam se os vossos desejos secretos fossem concedidos pelo misterioso líder do circo, o Sr. Dark? O circo a todos chama com promessas sedutoras de juventude eterna e sonhos por cumprir… Dois amigos adolescentes, Jim Nightshade e Will Halloway, são incapazes de resistir às atrações. A sua curiosidade de rapazes fá-los descobrir o segredo oculto nos labirintos, fumos e espelhos do tenebroso circo. Inconscientes do perigo em que se veem envolvidos, uma terrível perseguição é posta em marcha e Jim e Will tudo terão que fazer para salvar as suas vidas. Mas, acima de tudo, as próprias almas...

Opinião:

Mais um livro digno da Coleção BANG e que tal como o Terror de Dan Simmons me surpreendeu dada a qualidade apresentada, serio candidato a livro do ano, sinceramente.

Já tinha lido uma distopia do escritor e embora lhe tenha reconhecido qualidade não me tinha enchido as medidas, mas sendo este escritor tão elogiado por tanta gente, decidi experimentar outro livro seu e de facto ainda bem que o fiz.

 Uma obra que nos apresenta um enredo muito bem desenvolvido, com diálogos muito interessantes e que nos fazem refletir imenso, onde o escritor mostra uma cultura geral muito acima de média e claro com um universo de personagens muito bem construído, complexas, misteriosas e que nos fazem admirá-lo pela qualidade e criatividade na construção das mesmas.

 Não sei em que género se pode enquadrar este livro, talvez horror, tal como os livros do Dan Simmons. Se for isso, tenho mesmo que reflectir e começar a dar mais atenção a este género pois tem me surpreendido muito pela positiva.

Um livro negro, cruel, de uma criatividade que nos deixa encantados e com uma ponta final simplesmente extraordinária, do melhor que já li da colecção, sem dúvida. Aqui está mais uma prova que não são necessárias sagas / trilogias para se escrever uma boa história num livro único.

Mais do que recomendado de leitura obrigatória.

PS: Este livro termina com um excerto do livro 
O Mistério de Charles Dickens, vol. 1 de Dan Simmons, livro que acabo de receber, logo será a minha próxima leitura sem duvida *largo sorriso*