quinta-feira, 12 de setembro de 2013

DRAGÕES DE UM ALVORECER DE PRIMAVERA - LIVRO 3 DA TRILOGIA DRAGONLANCE



Krynn prepara-se para a batalha decisiva contra os servos de Takhisis, a rainha das Trevas. Os nossos companheiros têm em seu poder as misteriosas e mágicas orbes e lança de dragão, mas será isso o suficiente para resistirem às forças da escuridão?

Uma batalha ainda maior encontra-se por travar no coração de cada um dos heróis. Tanis está dividido entre a perigosa Kitiara e o amor incondicional de Laurana. Raistlin prossegue a sua demanda por mais conhecimento e poder entre os magos de Krynn, mas o preço a pagar é elevado e poderá não sobreviver. Saberá Caramon, o seu irmão, até onde vai a ambição de Raistlin? Tasslehoff aprende, pela primeira vez, a sentir medo pelos seus amigos.

Com o alvorecer, novos segredos e traições, mas também grande coragem e sacrifício, serão revelados. Os deuses são testemunhas de que nada voltará a ser o mesmo em Krynn.

Opinião:

Nos comentários aos livros anteriores já referi quais as qualidades que a saga apresenta, mesmo não sendo uma obra prima, não trazendo nada de novo ao universo da fantasia, ainda assim considero ser uma boa aposta e ideal para quem goste de fantasia. 

Para quem já leu estes livros há imenso tempo, é com um sorriso e uma certa nostalgia, que os vêem novamente publicados, é verdade que, atualmente e depois de já lerem muitas outras obras e escritores como George Martin, Robert Jordan, Tolkien, ou mesmo outros livros de FC, onde os universos são seguramente muito mais profundos complexos e adultos, não os voltariam a comprar e acredito que achem estes livros mais juvenis. 

Ainda assim, penso que é uma boa aposta pois se Eragon de Paolini ou mesmo Harry Potter conseguiu colocar tanta gente a ler, porque não Dragonlance ? Então a nível de MAGIA esta saga, e após este primeiro ciclo, acredito que ainda tenha muito a dar. Apenas me parece que o momento escolhido para publicarem a trilogia não foi o mais adequado, pois anda mesmo ai uma crise de venda de livros (falo sem saber números, mas é um palpite). Se tivesse sido publicado mais cedo e poder-se-ia ter tornado um caso sério de popularidade, algo que já teve em outros tempos. 

Quanto ao livro em si e que concluí esta primeira fase, foi o livro que mais gostei, mais negro, com crueldade e acima de tudo com um ritmo de leitura altamente viciante. Aliás penso que uma das mais-valias do livro é mesmo a escrita, consigo ler mais rápido esta saga que os livros de George Martin, não tem quebras, sempre de aventura em aventura, não querendo dizer com isto que não nos seja introduzida muita informação importante para percebermos determinados povos, momentos da história de Krynn, conhecermos melhor determinados personagens "chave" do enredo, o que está em jogo no enredo, as motivações, objetivos dos vilões e por ai fora. É uma trilogia muito equilibrada e coerente, mesmo tendo um ritmo de leitura alucinante. 

Quanto a personagens, foram introduzidas mais algumas ao enredo de uma forma bastante positiva, figuras misteriosas, sobre as quais acabamos por querer saber sempre mais e mais. Devo dizer que gostei dos vilões apresentados, ainda assim e mesmo tendo gostado de imensas é Raistlin a minha personagem preferida, alias até já tinha explicado o porquê, mas quanto mais o conhecemos mais o vamos admirando. Temos um final de trilogia que para quem a ler independentemente fica devidamente satisfeito, mas que nota claramente que a MAGIA ainda vai ser muito explorada e é sem dúvida aquilo que mais me agradou na trilogia toda. Aliás, assim “a quente” não me recordo de ver algum livro ou saga onde esta tenha sido tão bem explorada e acredito que ainda nem vimos nem metade do que tem para dar, Potter não de certeza, embora admire os seus livros, GED da saga Terramar da Úrsula le Guin, foi giro mas não tem a profundeza do que aqui nos apresenta, em O Mago de Feist, está lá perto, talvez a manha e o talento nos livros da Robin Hobb, mas ainda assim gosto mais do que aqui é apresentado. 

Nota positiva para o trabalho de revisão, não encontrei nem uma falha e numa opinião muito pessoal, as capas não favorecem os livros, ok associar aos do Martin tudo bem, mas os bonecos ? Se colocassem uma figura, como a apresentada no Duna para Raistlin, por exemplo, ficariam muito mais apelativas.

Trilogia com uma leitura alucinante, com personagens cativantes, muita aventura, mistérios, momentos divertidos e demandas por percorrer e não sendo nada de inovador, nem com a profundidade de Martin, foi uma trilogia que me agradou bastante, logo só posso recomendar a todos que gostem de um bom livro de fantasia. 

Venha a saga seguinte o mais rápido possível.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O Povo das Crianças Divinas - Volume 4 da serie Acácia de David Anthony Durham


Um império com perigosos aliados e demasiados inimigos. Quatro príncipes determinados a cumprir um destino. Uma rede de intrigas que atravessa gerações. Manter o trono de Acácia poderá revelar-se uma tarefa fatal.


Corinn Akaran é a senhora suprema do Império Acaciano do Mundo Conhecido, e o poder parece suavizá-la, até mesmo fazê-la ceder aos jogos do amor. Mas, por todo o lado fervilha a traição e multiplicam-se as conspirações para a derrubar: dos seus alegados aliados numrek até às intrigas em torno da filha de Aliver, Shen, enquanto, do outro lado do mundo, um exército gigantesco se prepara para marchar sobre o Mundo Conhecido e a Liga dos Navios continua a jogar em dois perigosos tabuleiros, disposta a jurar servir qualquer senhor, desde que esse senhor sirva os seus próprios interesses.



Corinn nem pode contar com a sua própria família: a irmã Mena esconde-lhe segredos e Dariel, prisioneiro das Crianças Divinas, vai enfrentar uma aventura - novamente contra a Liga dos Navios - que o transformará no corpo e no espírito. Mas Corinn aprendeu a lutar, e não vai hesitar em chamar a si todos os aliados que conseguir, até mesmo aqueles que ninguém imaginava que um dia pudessem voltar.


Opinião:


Como já referi nos volumes anteriores não estamos na presença de uma saga completamente arrebatadora e que traga algo de novo ao género fantástico, mas ainda assim e dado a complexidade de intrigas e jogos de poder torna-se uma leitura bastante agradável e que recomendo a quem goste de Fantasia. 

Correspondendo este livro ao final do 2º volume na sua versão original, preparando o final da saga, acaba por ser um livro repleto de acontecimentos e que nos clarifica determinados aspetos que fazem antever um final de saga verdadeiramente bem conseguido. 

No entanto existem aspetos que não me agradaram muito, ou seja, que considero dispensáveis, nomeadamente a utilização de demasiados elementos fantásticos como é o caso em que, no final do volume, uma personagem faz renascer outra que já estava morta. Será que havia necessidade disso ? Claro que pode vir a tornar-se uma mais valia para o enredo, mas terá que ser muito bem gerido para que fique bem conseguido. 

O príncipe Dariel, que se encontra preso das Crianças Livres, acaba por ter um crescimento enorme neste livro e espero que o acaso lhe venha a dar uma nova oportunidade para se vingar de quem tanto odeia, os sempre misteriosos membros da Liga do Navio (adoro tudo o que envolve estas personagens, sem duvida uma das mais valias do enredo, quer se goste ou não deles). Vamos ver qual o papel que terá no final disto tudo. 

A Rainha Corinn acaba por manter a qualidade, enfrentando mais obstáculos na sua governação, estando cada vez mais dependente da magia para se poder manter no trono, embora sem perceber as consequências da sua utilização. Ainda assim tem potencial para ser uma das vencedoras do que ai vem, mas corre sérios riscos sem dúvida. 

A princesa Mena, tornou-se mais responsável e calma muito graças à sua companheira Elya, embora coragem é algo que não lhe falte e poderá ter um papel determinante. 

É óbvio que existem muitas mais personagens interessantes, como é o caso de Shen, mas não quero estar aqui a desenvolver muito mais até para não cair na tentação de revelar pormenores importantes. 

Sendo a escrita uma das mais valias desta saga, com um ritmo que nos deixa completamente presos, repleto de ação, mistérios e dúvidas que nos fazem querer avançar mais e mais na leitura, penso que acaba por ser o melhor livro até ao momento, muito pela empatia que acabamos por criar com as personagens. A tudo isto acresce que algo de verdadeiramente perigoso se aproxima de Acácia como nunca antes visto, o que nos deixa com imensa vontade de ler os livros seguintes da serie. 

Um aspeto negativo que tenho apontar (e não querendo tornar-me repetitivo) deve-se à divisão dos livros. Acho esta divisão desnecessária tendo em conta o volume dos mesmos, até porque, este livro acaba na página 300 já com agradecimentos e mapa incluído e termina com a inserção de mais dois capítulos de outro livro, o que acaba por não ajudar muito para que se venda bem, até porque, acresce custos da publicação, ainda que, a ideia seja deixar o leitor curioso pela leitura seguinte. Outro aspeto negativo, é de que, continuam a aparecer alguns erros e gralhas, pelo que, é uma situação a considerar pela Editora devendo obrigar uma melhor revisão do conteúdo dos livros. Ainda que, não seja determinante para uma boa leitura, pode influenciar a sua compreensão ou até mesmo interromper o seu ritmo ou agrado. 

Para finalizar, sem dúvida que estamos na presença de um escritor talentoso.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

O Enigma de Malacia de Brian Aldiss



Vale a pena espreitar a obra Brian Aldiss

Sinopse:

Considerado um dos seus romances mais famosos, talvez mesmo o número um em importância. Malacia é uma cidade estado, velha como o tempo, que subsiste ao sabor dos caprichos dos seus mágicos, os quais proibem quaisquer mudanças. Nos seus arruamentos encontra-se de tudo: Duques e mercadores, actrizes e sacerdotes, soldados e comediantes. Por aqui anda também Perian de Chirolo, ator e aventureiro, que consegue penetrar nos mais negros segredos de Malacia..


Opinião:

Mais dois livros da coleção argonauta que tive o prazer de ler e que tanto tenho elogiado, tendo já feito uma mensagem só para a coleção, que como quase todos sabem, são livros de FC a um preço muito em conta, cada livro fica por cerca de um euro e a qualidade em relação a muito que se publica atualmente é gritante. Podem dizer que são livros pequenos, com capas foleiras, mal traduzidos (não noto muito, algumas gralhas de revisão sim, mas nada de especial), mas que valem bem a pena isso sem a menor duvida :)

Não sendo um leitor muito regular de FC, tenho tido várias surpresas agradáveis, desde Ursula Le Guin, Roger Zelazny, Jack Vance, Philip Farmer, Dick, Herbert, entre vários outros nomes, mas tenho plena consciência que ainda tenho muito a explorar e a conhecer desta coleção e felizmente não tenho nem falta de livros por ler da coleção nem falta de quem me os recomende, logo só tenho mesmo que seguir as recomendações que muita vezes acabam por ser mesmo na feira do livro de Lisboa, como foi o caso deste escritor. Logo que poder e se nada se alterar, devo seguir para Bob Shaw, sendo vários os que tenho para ler do escritor e que penso serem uma saga ( não quero estar a referir todos os livros, mas tudo começa com os números 408 e 409 Os Balonautas I e II). 

Quanto a estes livros e como o resumo indica, o enredo é nos apresentado segundo a preservativa de Chirolo, um homem que vive num universo onde a palavra progresso e mudança são proibidas, mas que ao conhecer um personagem muito misterioso (Otto Bengtsohn) acaba por lhe oferecer um emprego arriscado e digamos revolucionário para os tempos que se vive em Malacia. Sendo Chirolo um personagem que se encontra desempregado e sendo um namoradeiro incurável, alem de um aventureiro, acaba por aceitar o emprego proposto. muito por culpa  de conhecer Arminda, uma jovem fidalga e por quem se apaixonará.

Se há algo que os livros de FC oferecem é que não são livros sem conteúdo, tem sempre um caracter de critica em relação a sociedades, luta pelo mundo melhor, reflexões filosóficas, antecipações sobre o que se poderá tornar o nosso mundo como por exemplo problemas ambientais e de poluição (Duna é um excelente exemplo disso e não só claro) de o homem evoluir para uma mentalidade mais progressista, de mudança sendo que este livro não foge à regra. 

Com um enredo complexo, mas que se acaba por perceber bem, uma escrita fluída e personagens bem construídas, aqui temos mais um bom exemplo de que não é necessário escrever uma saga para se escrever um livro com principio meio e fim.

Como já perceberam sou ainda muito verde nesta coleção, embora já tenha lido vários livros, tenha ainda muita coisa para ler da mesma, mas mais uma vez fiquei surpreendido quer com a qualidade dos livros não podia querer melhor e quanro ao preço dos livros, 2€ foi o que gastei com estes livros, só posso recomendar :)  



terça-feira, 23 de julho de 2013

Saga o Mago a Filha do Imperador de Raymond E. Feist e Janny Wurts



Mara era apenas o membro mais novo de uma família nobre. Nunca esperou que a súbita e chocante morte do irmão e do pai pudessem trazer-lhe tamanha responsabilidade. Apesar do seu sofrimento, cabe-lhe a tarefa de vestir os mantos da liderança e enfrentar as dificuldades. Mas embora inexperiente na arte política, Mara terá de recorrer a toda a sua força e coragem, inteligência e astúcia, para sobreviver no Jogo do Conselho, recuperar a honra da Casa dos Acoma e assegurar o futuro da sua família.

Opinião:


Tentando ser algo resumido, tenho a dizer que este livro foi sem duvida uma agradável surpresa, pois o escritor mesmo estando dentro do universo dos livros anteriores, não recorreu aos seus personagens chave e ainda assim conseguiu um dos melhores livros que li até ao momento, ficando na duvida se será o inicio de uma nova saga, mas que funciona bem como livro único.

É recorrente ver criticarem os livros de Fantasia, vazios de "intervenção", algo que se verifica mais em livros de FC, onde existe uma luta, por exemplo, do que é antigo versus uma mentalidade mais progressista, de evolução, onde as pessoas pensem por si, que lutem contra o sistema implementado, novas mentalidades. Este é um livro que prova que também na Fantasia existem livros de "intervenção" e com forte componente politica, ou pelo menos até onde chegam os políticos e o governantes para atingir os seus objetivos.

rico em personagens interessantes e bem construídas, em especial Mara a protagonista do livro, um enredo que nos deixa sempre em suspense, onde conhecemos uma sociedade mais oriental e todos os meandros politicas características deste região e claro com uma escrita já habitual.

Um livro que só posso recomendar e que tenho a certeza que não irá desagradar aos leitores do escritor, pelo contrario acabamos por ficar ainda mais seu admirador e a suspirar por ler mais livros seus. 

Muito bom.

sábado, 13 de julho de 2013

A Oeste do Éden de Harry Harrison


Sinopse:


«Quando os dinossauros governavam a Terra...». Pois A Oeste do Éden ainda governam. 

A catástrofe cósmica que os exterminou há 65 milhões de anos nunca chegou a acontecer. O grande cometa nunca caiu, nunca chegou a provocar aquilo a que, no nosso universo, Carl Sagan chamaria Inverno Nuclear. A permanência de condições climatéricas indefinidamente estáveis permitiu que os grandes répteis continuassem a evoluir, com o cérebro sempre a aumentar, o polegar a tornar-se oponível, até culminarem nas Yilanè, a raça sauróide mais inteligente da Terra. A sua complexa civilização, baseada em sofisticadas técnicas de engenharia genética, transformou se num milagre de estabilidade social e integração ecológica. Fez surgir cidades «orgânicas» por toda a África, Europa e Ásia. Modificou todos os ecossistemas à sua imagem e semelhança. 

Subitamente, pressões climatéricas, o advento de uma microidade glaciar, fazem diminuir radicalmente os recursos energéticos e alimentares. Sob a ameaça do extermínio total da sua civilização, as Yilanè são forçadas a explorar o que designamos por oceano Atlântico e a colonizar o Novo Mundo. 

E ali, nas costas da Florida, dominando o topo de um ecossistema incompreensível, encontram uma espécie desconhecida de mamíferos inteligentes, agressivos, selvagens. Mamíferos que se deslocam erectos, assentes nos dois membros posteriores, que possuem o dom da palavra e se servem de utensílios rudimentares de pedra. Mamíferos que odeiam instintivamente toda e qualquer yilanè. Um ódio que é recíproco...

Opinião:

Depois de me recomendarem a compra deste livro (alguém entendido em FC) e dos comentários efetuados pelos amigos Marco Lopes e Caminhante, nos seus blog (que estivemos para ler em leitura conjunta num grupo do FB) este era um livro que tinha imensa curiosidade em ler, até porque, a FC embora seja um género literário que não seja do que mais leio, desde que li Duna do Frank Herbert, já me proporcionou a leitura de bons livros e a descoberta de novos autores que se revelaram verdadeiras pérolas no género e graças a isso tenho imensos livros para ler e escritores novos por descobrir graças muito à coleção argonauta que não me canso de elogiar.

Este livro faz-me em certa medida lembrar-me a saga os Filhos da Terra de Jean Auel, embora seja, muito mais desenvolvido, melhor fundamentado e muito mais complexo.

Tal como em Duna do Frank Herbert, muitos são os temas de interesse desenvolvidos, desde aspetos ecológicos, da ciência para o desenvolvimento da sociedade, entre outros.

Tal como é referido na sinopse, acabamos por seguir o confronto entre duas sociedades, uma mais desenvolvida, os yalanè (seres inteligentes e que com a necessidade de procurar locais mais propícios para habitarem, acabam por ir para um local onde habitam os Tanu, seres mais habituados ao frio, mais selvagens, mais simples na sua forma de viver, nómadas e que não tem tantos conhecimentos como os yalanè).

E é com o desenrolar dos acontecimentos que acabamos por verificar a construção de uma cidade das yalanè (lagartos, mas muito inteligentes), no território dos Tanu (humanos) que acabamos por ver a destruição de um clâ onde apenas uma pessoa sobrevive tornando-se prisioneiro, com apenas 8 anos, que acaba por aprender a viver com as yalané a sua linguagem e modo de vida, vivendo com estas vários anos até que a presença de outros Tanu acaba por dar um volte face no enredo.

Muito podia destacar deste livro, desde a riqueza de personagens, à escrita, que embora no inicio nos obrigue a consultar os termos no final do livro (pois é utilizada uma linguagem própria de cada raça), acabamos com o decorrer da leitura do livro de o deixar de fazer, à riqueza e criatividade do universo criado, que tal como já referido aborda imensos temas interessantes, já se falava em ADN e mutação de animais para servir os interesses das yalanè, isto numa fase em que o fogo ainda quase era desconhecido, para muitos povos, logo só por aqui podem ver a complexidade do enredo.

Não querendo desenvolver muito mais sobre o enredo, até para não efetuar spoilers, devo dizer que foi dos melhores livros que li de FC, que funciona bem como livro único embora seja o primeiro de uma trilogia que não viu a continuação publicada por cá e que devem pesquisar pois o livro é barato e acaba por ser uma leitura altamente viciante.

Mais um pequeno diamante de FC, um género que espero explorar mais e melhor, pois tem-me proporcionado grandes momentos de leitura, recomendo vivamente ;)

10/10

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A voz dos deuses de João Aguiar





Sinopse:


Em 147 a.C., alguns milhares de guerreiros lusitanos encontram-se cercados pelas tropas do pretor Caio Vetílio. Em princípio, trata-se apenas de mais um episódio da guerra que a República Romana trava há longos anos para se apoderar da Península Ibérica. Mas os Lusitanos, acossados pelo inimigo, elegem um dos seus e entregam-lhe o comando supremo. Esse homem, que durante sete anos vai ser o pesadelo de Roma, chama-se Viriato. Entre 147 e 139, ano em que foi assassinado, Viriato derrotou sucessivos exércitos romanos, levou à revolta grande parte dos povos ibéricos e foi o responsável pelo início da célebre Guerra de Numância. Viriato foi um verdadeiro génio militar, político e diplomático.

Mas, sobretudo, foi o defensor de um mundo que morria asfixiado pelo poderio romano: o mundo em que mergulham as raízes mais profundas de Portugal e de Espanha. É esse mundo, já então em declínio, que este livro tenta evocar.

Opinião:

Este foi dos melhores livros que li até hoje de romance histórico, o melhor sem duvida escrito por um escritor português e sobre um período curto, é verdade, mas importante do passado do nosso pais.

Surpreendido com a rapidez com que o li, julgo ter lido em apenas dois dias e só tenho a agradecer à amiga Caminhante a recomendação da leitura deste escritor que sem duvida tem imensa qualidade. Só de pensar que comprei este livro por 1 ou 2 euros, leva-me a pensar que vale a pena procurar bem nas feiras do livro e ser paciente.

Penso que o resumo do livro retrata bem tudo o que o livro tem para oferecer, logo não vou estar a comentar muito mais sobre o mesmo, até para não fazer grandes spoilers. Na parte inicial conhecemos Tongio, um jovem que será um dos personagens principais, vindo a tornar-se amigo de Viriato e posteriormente um dos seus braços direitos.

Interessante pelo rigor histórico apresentado algo que nos é explicado no final do livro, com um ritmo forte onde existem vários combates e nunca são descritos de uma forma muito descritiva, excelente nesse nível, muitos pormenores de qualidade com acontecimentos que nos surpreendem e claro as personagens são muito bem desenvolvidas e que mal as conhecemos melhor acabamos por nos tornar suas amigas. Penso que as descrições estão muito boas, parece que estava a "viver" os acontecimentos no momento em que decorrem e claro acabamos por conhecer mais sobre a nossa história, muito bom mesmo.

para quem como eu já leu muitos livros sobre o Império Romano, sabe que a sua grande força era mesmo o seu rigor de combate e claro que custa acreditar que tenha existido alguém que tenha conseguido massacrar tantas legiões, tipo 5.000 experientes militares romanos apenas num combate, mas de facto só nos faz admirar mais o grande homem que nos é apresentado pelo escritor.<

Adorei ver aqui vários nomes de personagens importantes do Império Romano, pena Sulla só ter sido referenciado  mas foi bom rever vários nomes que tantos bons momentos já me proporcionaram e vê los agora em ação contra Viriato foi bom :)

Grande livro, um escritor que quero obviamente ler mais livros e que recomendo a todos, não percam este grande romance histórico onde a base é a luta de um lusitano contra a invasão dos romanos à Península Ibérica ;)

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Os Trilhos de Boma de Pedro M. Rodrigues (Chiado Editora)



Sinopse - Os Trilhos de Boma - A Viagem Interminável 


Pode alguém fugir a um destino que lhe pertence e fugir dele como se de uma sentença mortal se tratasse? Pode alguém desafiar os grilhões do destino e enfrentá-lo através da sua força de vontade? Pode alguém sucumbir perante as forças inseparáveis dos nós que unem o tempo, formando a correia de acontecimentos imparáveis que o levará ao destino que o espera? Uma princesa que foge do seu irmão sangrento e do seu marido arrogante, iniciando uma guerra fraticida. Uma princesa que carrega dentro de si a génesis da discórdia, e o início de um destino que irá marcar gerações atrás de gerações. Uma viagem interminável, por entre os trilhos silenciosos e sombrios de Boma, que encerra dentro de si o destino de um único rapaz, de um único ser que irá reunir os reinos desavindos. Um rapaz que luta contra o seu destino, uma rainha que luta contra o sofrimento do segredo que carrega dentro de si, um príncipe herdeiro sedento pela glória eterna do destino que o persegue, uma pequena princesa que vive no seu próprio mundo, esperando pelo dia em que se irá revelar. Três anciões que percorrem as eternas terras dos três reinos, prolongando a inevitabilidade do tempo e formando a redoma protectora do acontecimento que mudará, para sempre, a vida de todos os homens. Três reinos, três histórias que se unem através das mesmas palavras, do mesmo poema, da mesma lenda que espera pela noite que se transforma em dia, para revelar o sonho profundo de um povo perdido nas agruras do tempo. Um destino único, um destino fatal, criado pela teimosia inglória de um coração ingenuamente apaixonado pela utopia da história perfeita de uma vida.

Opinião:


Este primeiro livro, da trilogia, foi dividido em duas partes que correspondem a dois livros, chegando a um total de mais de 900 páginas no seu conjunto. 

Gostei do universo criado, o escritor escreve bem, demonstra imenso potencial, sendo o enredo bem desenvolvido, as personagens são interessantes e a escrita viciante.

A sinopse resume bem o enredo principal. Acompanhamos o desenvolvimento da história em dois momentos: a demanda da princesa que origina uma guerra entre reinos e que acaba por se ver forçada a partir para as montanhas de Boma, local que acaba por ser totalmente desconhecido e misterioso, e por outro lado seguimos, no momento atual, um príncipe sobre o qual recai uma profecia que, segundo esta, um dia ele irá unificar os três reinos existentes, algo que o mesmo desconhece, mas que vai tendo conhecimento pelas várias pistas que lhe vão surgindo sobre a profecia.

Como já referi gostei dos livros, li de uma forma muito rápida. As personagens bem misteriosas deixam-nos desejosos de conhecer os seus segredos, os seus objetivos, como irão ser desenvolvidos e claro existem sempre vários mistérios por desvendar os quais nos deixam sempre presos ao enredo.

No entanto existem pormenores que, a existirem, tornariam este primeiro livro bem melhor. Por exemplo, dado que o enredo se passa em vários reinos, seria bastante útil um mapa, mesmo que muito simplificado, para podermos perceber melhor os locais dos acontecimentos. Na minha opinião, um livro seria suficiente, uma vez que muitos dos momentos descritivos, são, em alguns casos, necessários é verdade, mas noutros casos nem por isso. A personagem principal do enredo não é cativante, é verdade que é um miúdo, mas caramba custa assim tanto perceber que não lhe pode ser revelado um segredo, ou que ainda não é o momento? Tanta birra com a sua mãe e o seu mestre (duas excelentes personagens por sinal). Por outro lado, algo que estranhei nos livros e, ai não estou a dizer que seja alguma falha, mas sendo a espada e o arco as principais armas que vemos, então já existia a bomba nessa altura? É que por duas vezes foram utilizadas, sinceramente estranhei um pouco, não pelo momento proporcionado, muito bem desenvolvido, mas pela arma em si, penso que pelas descrições, da época, não devia ainda existir.

De um modo geral é um bom inicio de trilogia, alguns aspetos, acredito, irão ser melhorados mas quanto ao resto penso já ter referido, um escritor com muito potencial, que criou um universo que nos deixa ansiosos por ler mais, sem duvida.