sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Questões respondidas na página do FB pelo Editor Luís Corte Real - Saída de Emergência



A SDE tem vindo a responder com alguma regularidade a dez questões que são colocadas pelos seus seguidores da página do FB

Partilho algumas das respostas dadas, claro as que mais me interessam :)

Querem novidades para 2015, aqui vão algumas:

Jan-16 Eleanor e Park - Rainbow Rowell
Fev-13 Mistborn Vol. 2 - Brandon Sanderson
Mar-06 A Espada de Shannara - Terry Brooks
Mar-20 Redimida (último volume da Casa Noite) - PC Cast
Atenção que alguma data pode mudar, depois não me venham matar por causa disso!


O Steven Erikson está comprado, traduzido e até já tem capa. Mas só deverá ser lançado em 2016. Neste momento as nossas energias estão com o Brandon Sanderson. Lançar os dois ao mesmo tempo iria gerar uma canibalização dos resultados.

O "Império Final" do Sanderson já vendeu quase 1.000 exemplares. É um número fabuloso. Mas devido aos custos editorias e de marketing, continuará a dar prejuízo até aos 1.500 exemplares vendidos. Se tiver 500 amigos a quem possa recomendar o livro seria perfeito!


Dan Simmons é provavelmente o meu autor favorito. E Hyperion é uma obra-prima. Mas TODOS os livros do autor deram prejuizo à SDE, mesmo aqueles que dividimos.


A Carey nunca teve leitores suficientes para justificar mais livros e, depois de terminarmos a série, decidimos ficar por aí. Talvez relancemos o 1º volume em 2015 para ver se, entretanto, novos leitores se interessam. Se for esse o caso, pois seria um prazer continuar a publicá-la.

Continuar a Robin Hobb está nos nossos planos, especialmente a saga do Asassino. Mas provavelmente só em 2016. E, no próximo ano, ainda teremos de fazer um esforço por conquistar novos leitores para os dois quintetos anteriores.


A Patricia Briggs, devido aos prejuízos acumulados, teve de ser cancelada - com muita pena minha que sou fã há muitos anos. A Karen Marie Moning é para continuar e deveremos ter novidades para breve. O fabuloso Guy Gavriel Kay (um verdadeiro cavalheiro e amigo da SDE) só poderá ter mais novidades se o TIGANA vender melhor. O livro OS LEÕES DE AL-RASSAN também teve vendas muito fraquinhas, o que não ajuda.



Essa é a pergunta do milhão de dólares. Acreditamos que o George R. R. Martin irá lançar o próximo volume no final de 2015. Se assim for, vamos produzir a nossa edição à velocidade da luz para garantir que os leitores portugueses tenham a sua edição logo no início de 2016. Mas só o autor sabe (se calhar nem ele sabe!) quando irá terminar o próximo volume.

Pelo menos foi respondido com a informação de números de vendas e tudo, comentários ?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

O Último Conjurado - Isabel Ricardo


Sinopse

Há sessenta anos que Portugal era humilhado pelos Filipes de Espanha. 

É então que um grupo de heróis decide revoltar-se.

1640. O jugo espanhol dura há sessenta anos. Seis décadas de identidade roubada, pátria escondida e falsa lealdade. Mas algo está diferente: fala-se do enigmático Capitão Gualdim, que desafia o poder espanhol pelas ruas de Lisboa enquanto se conspira nas sombras e a guerra contra o domínio espanhol ameaça rebentar. Uma importante parte da nossa História ganha vida em O Último Conjurado de Isabel Ricardo, onde a realidade se cruza com a ficção. Duelos, emboscadas, amores e muito mistério envolvem as principais personagens, três jovens cavaleiros que vivem todo o tipo de aventuras. Um romance histórico que representa com rigor os factos ocorridos neste tão importante período da nossa História, enlaçado numa maravilhosa narrativa cheia de suspense.

Publicado pela primeira vez em 1998, esta reedição é a mais recente aposta da Saída de Emergência para a coleção A História de Portugal em Romances.


Opinião

Para os seguidores d'As Leituras do Fiacha não é segredo nenhum que eu sou fascinada por este livro desde que o conheci. É um facto que o meu entusiasmo passou para algum dos seguidores do blog (incluindo o próprio Corvo) e parece que estão também a ficar rendidos a este livro, tal como aconteceu comigo.

Logo nas primeiras páginas percebe-se que toda a acção do livro se vai desenvolver em torno desse misterioso Capitão Gualdim que todos conhecem ou já ouviram falar, mas que ninguém consegue identificar concretamente. Quando era miúda havia uns desenhos animados do Zorro que eu devorava e ao ler este livro foi a primeira coisa que me veio à cabeça. Tal como o Zorro, também o Capitão Gualdim é um exímio espadachim que luta incessantemente contra a tirania espanhola e tenta a todo o custo contribuir para o afastamento dos FIlipes do trono português.

Contudo, não é só de um personagem que vive um livro. A par do Capitão misterioso, temos três brilhantes cavaleiros na flor da idade, Pedro de Castro, Afonso de Menezes e DIogo,Vasconcelos a maravilhosa Laura de Noronha e o não tão amistoso D. Manuel Vilar. Um conjunto de personagens que nos prende a estas páginas e, juntamente com a escrita simples mas ao mesmo tempo rica em pormenores históricos, faz com que tenhamos vontade de lutar ao lado deles por este Portugal independente tão desejado em 1640.

Quem é, afinal, o Capitão Gualdim? Esta é a pergunta que se impõe desde o início e para a qual haverá muitas possibilidades de respostas...

Como amante de romances históricos, não posso deixar de dar, mais uma vez, os parabéns à editora pela aposta na nossa História tão rica em pormenores que sem duvida tem de dar origem a livros assim. 

Recomendo vivamente!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Corvo adere à leitura digital - oferta



Esta mensagem é mais um agradecimento, pois uma pessoa amiga ofereceu-me um Kobo Glo igual a este!

Por esta não esperava! Até porque já traz imensos livros, desde Tolkien e Juliet Marillier até George Martin, incluindo alguns que gostava que publicassem por cá, como Bernard Cornwell, entre muitos outros. Claro que, num curto espaço de tempo, já arranjei imensos livros, em especial da Agatha Christie que agora tenho que passar para o Kobo... até livros do Follet tenho para passar para o Kobo! Mas a minha estreia será seguramente com o segundo livro do Scott Lynch, mal termine a minha leitura atual.

Sei que ainda vou receber mais umas ofertas (livros físicos) e só posso sentir-me como uma criança cheia de mimo, pois mais que o valor dos bens, é o gesto que mais me sensibiliza. Mas, sem dúvida, que esta é uma oferta muito especial! Muito obrigado! ;)

Agora tenho que aderir à leitura em formato digital que, como é óbvio, tem imensas vantagens: é muito mais barato na compra de livros (para não dizer a custo zero), é muito mais fácil de organizar, poupa espaço na nossa estante e penso ser mais ecológico mas aqui não tenho a certeza, pelo menos poupamos no abate de árvores :)

Claro que será quase impossível deixar de ler no livro físico mas está dado o primeiro passo para algo que, penso, será o futuro da leitura!

Já agora, partilhem a vossa experiência: são a favor da leitura neste formato? Que recomendam para quem se queira arriscar ler neste formato?

Não posso terminar sem agradecer ao amigo Marco Lopes, pela paciência, ajuda e incentivo para que leia neste formato, à Sofia Pinneli, por partilhar imensos livros neste formato e, não estando esquecido, à Milú Reis, pelos vários livros de FC que me ofereceu, em especial da coleção Argonauta e que tinha repetidos :)

"os livros são para ser lidos, para que queria eu livros repetidos? eles têm de cumprir a missão para a qual foram feitos."  Milú Reis 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O Dia dos Santos

Com certeza já todos por aqui deverão ter ouvido falar da minha terra natal pois, apesar de ser apenas uma vila alentejana, gradualmente tem-se tornado conhecida um pouco por todo o mundo. Por vezes até aparecemos na televisão, seja pela altura da Páscoa ou em alguma reportagem que fale sobre a passagem dos judeus por Portugal, entre tantas outras ocasiões. Falo-vos de Castelo de Vide, uma pequena vila situada algures entre Portalegre e Marvão, onde podem encontrar imensos vestígios da história Portuguesa e com um vasto património cultural, entre tantas outras qualidades.

Acho que se pegarmos num calendário e apontarmos todas as romarias, festas e outras tradições de Castelo de Vide, dificilmente encontraríamos uma semana em que não se passasse nada por cá. Já vos falei da Páscoa, que é talvez a festa que atrai mais turistas, mas há muitas mais que poderia referir. A Feira Medieval em Setembro, o festival de música alternativa Andanças em Agosto, o madeiro de que arde todos os anos na noite de Natal para aquecer os mais carenciados, entre tantas outras datas importantes e tão nossas.

Este fim-de-semana, como bem sabem, comemorou-se o Dia dos Santos. Sim, eu sei que se comemora em todo o lado, mas em Castelo de Vide existe uma tradição que está cada vez mais a cair no esquecimento. Também há que lembrar que o dia 1 de Novembro já não é um feriado nacional e, como tal, é cada vez mais difícil fazer cumprir a tradição. Em parte porque as crianças não são dispensadas das aulas mas também porque os pais não podem deixar de ir trabalhar para acompanhar os filhos. E isto deixa-me triste pois recordo-me de passar o ano todo à espera que chegasse o Dia dos Santos, que me sabia ainda melhor que o Carnaval.

 Desta vez, o dia 1 de Novembro calhou em sábado o que permitiu que mais uma vez tradição fosse cumprida. Pela manhã, bem cedo, as crianças reunem-se em pequenos grupos e vão pelas ruas, batendo de porta em porta, a pedir os santos. Segundo os mais sábios, neste dia a festa celebra-se em honra de todos os santos e mártires. Cada criança leva uma bolsa, que por cá são as tradicionais bolsas de retalhos onde se guarda o pão, e recebem muitas vezes guloseimas, mas também nozes, romãs, castanhas, maçãs, e até alguns trocos.

As bolsas do pão - imagem retirada daqui


No meu tempo (sim porque já faço parte daquela faixa etária em que se pode usar expressões como esta), juntava-me sempre com uma prima. Temos a mesma idade e fomos sempre da mesma turma. Andávamos sempre juntas, fosse no Dia dos Santos, fosse no Carnaval ou fosse um dia qualquer e nos apetecesse companhia para brincar. E lá íamos nós, ela com a bolsa do pão e eu com a minha bolsa, que não era feita de retalhos, mas sempre tive muito carinho por ela porque foi uma prenda da minha avó paterna. Era toda feita em renda azul clarinha, com um forro a combinar, e é uma das poucas recordações que tenho dela. Todos os anos as bolsas vinham cheias de rebuçados, pastilhas, chupa-chupas, e frutos da época. A minha prima detestava que lhe dessem fruta, principalmente nozes. E se as moedas fossem de 1 escudo, quase fazia caretas às pessoas (felizmente continha-se!). Qual é a criança que gosta de receber moedas de 1 escudo?? Ok, nenhuma. Mas não me fazia confusão. Normalmente eram as pessoas mais idosas que davam moedas pequenas. Se em todas as casas por onde passávamos nos dessem uma moeda de 1 escudo, ao fim da manhã estávamos ricas. Ok, não literalmente. Mas para uma miúda de 5 ou 6 anos, juntar cerca de 100 escudos já era uma pequena fortuna.

 Ao final da manhã voltávamos a casa para o almoço em família. Quando ainda era uma criança de colo, era o meu pai que me levava a pedir os santinhos à casa das tias e das vizinhas, enquanto a minha mãe ia para casa da avó ajudar com o almoço. E o que se come no Dia dos Santos, perguntam vocês? Só coisas boas! Não me perguntem porquê, mas por aqui é tradição comer um prato de papas de milho ao almoço, neste dia. As papas são acompanhadas de açúcar louro, mel ou apenas leite. Como nunca gostei de papas, não percebo quem é que se lembra de comer isto ao almoço (só um parêntesis para dizer que a minha mãe adora….). Passando à frente: migas! Ah que maravilha, não é? Umas belas migas de pão ou de batata, que por cá come-se das duas maneiras, já marchavam! Depois para sobremesa come-se o arroz doce, não por ser tradicional deste dia, mas porque qualquer ocasião especial por cá pede uma travessa de arroz doce à mesa.

Para além disto, também se costuma comer bolo finto, que não é bem uma sobremesa. Funciona mais como um snack ou uma gulodice para qualquer altura do dia. Não há ano que passe sem que chegue a esta altura e me recorde dos tempos da escola primária, em que a mãe de uma amiga (cujo pai era padeiro) entrava pela sala de aula com um saco cheio de bolos fintos mais pequenos, ainda quentinhos. Para além dos bolos serem deliciosos, só o gesto de carinho já nos deixava felizes. Era como o ponto alto do nosso outono: o dia em que nos ofereceriam bolos fintos. Eu sei, como éramos ingénuos…

E porque estou para aqui a contar-vos uma tradição de há minhentos anos e, ainda por cima, a falar-vos em comida? (Já vos falei das migas, certo?)

Porque a tradição está a morrer. E a cada ano que passa há menos crianças na rua a pedir os santinhos e há também menos pessoas a abrir a porta às poucas crianças que ainda o fazem. Ainda ontem encontrei um texto do Nuno Markl em que ele contava como foi a sua noite de Halloween, acompanhando o filho e mais algumas crianças no “trick-or-treating”.

Não tardou para que, de adulto fixe e irresistível, gerindo com bonomia um grupo de divertidas crianças, eu passasse a sentir-me o cabeça experiente de uma organização terrorista, usando os meus pequenos esbirros para espalhar o susto e a angústia entre a terceira idade. 

Uma senhora em roupão lamenta: "Mas eu estava deitada...". 

Outra senhora revela-se tão idosa que não consegue abrir a sua própria porta da rua. Ou então foi incrivelmente inteligente.

Outra senhora, outro roupão: "Eu não estava preparada para isto...". 

"Então vamos ter de fazer travessuras!", respondem os gaiatos, implacáveis. E eu penso: "Mais? Não chega obrigar senhoras de idade a levantarem-se?".


 No meio disto tudo, não percebo porque tentamos todos os anos adoptar uma tradição que não é nossa e que para nós não tem qualquer significado, excepto ser um bom pretexto para tirar os fatos de Carnaval do baú, e em paralelo atirarmos para trás das costas aquilo que é, de facto, nosso. Será que os meus filhos, que um dia terei, irão pedir os santinhos ou pregar partidas pela noite fora?

domingo, 2 de novembro de 2014

Cinema

Venho até vós para vos falar de cinema, algo que me apaixona.

  O Grande Gatsby (2013)

A chamada sétima arte é uma das que mais me fascina. Seja pelos desempenhos de atores e atrizes que muito aprecio, seja pelas histórias, pelas bandas sonoras ou pelos efeitos e ambientes, o cinema é uma das minhas artes favoritas. 

Desde criança que gosto de ver filmes. Comecei por encontrar grande ligação com eles a partir da visualização dos filmes da Disney, que me mostraram magia e fantasia pela primeira vez. Lembro-me de ficar “colada ao ecrã” com os filmes da Pequena Sereia, que era a minha “princesa favorita” (e penso que continua a ser). Sinto que essas histórias ajudaram a criar em mim um gosto muito forte pela Fantasia, pelas histórias, ajudando-me a seguir por um trilho de imaginação que sem eles poderia não ter descoberto. 

O primeiro filme que vi no cinema, lembro-me tão bem!, foi O Rei Leão. Gostei imenso da experiência. Todo o ambiente do espaço, o som, o ecrã tão grande, fez-me sentir bem, apesar de não ter gostado muito do filme.

Depois, ao crescer, comecei a ver outros filmes. Um dos filmes da minha infância, é o maravilhoso Braveheart (1995). Provavelmente é daí que vem a minha paixão pela Escócia e pelas histórias de cavalaria e pela época medieval. Lembro-me da brilhante banda sonora e de como me emocionei da primeira vez que o vi. Foram várias as vezes que vi o filme e é sempre como se fosse a primeira vez…sinto sempre as mesmas emoções. 

Mais tarde, comecei a gostar bastante de histórias de terror, principalmente se não forem daquelas tipo Saw. Lembro-me que o primeiro filme do género que vi foi A Mansão e fiquei bastante agradada, tendo depois começado a ver outros. 
Mas nada se compara à primeira vez que vi Harry Potter e a Pedra Filosofal. A magia que senti ao ver o filme foi única, especial. Fui vê-lo mais uma vez e depois, com o dvd, mais vezes o vi, mas nenhuma se comparou àquela primeira.

Harry Potter e a Pedra Filosofal (2001)

Não vi os filmes do Senhor dos Anéis no cinema, mas vi-os várias vezes. Apesar de não ter sentido a mesma magia que senti ao ver o Harry Potter, devo dizer que hoje, depois de ter lido os livros de Tolkien, sei reconhecer toda a magia presente no seu mundo e os filmes são, sem dúvida, uns dos meus favoritos, em conjunto com as belíssimas bandas sonoras que têm.
O Senhor dos Anéis - A Irmandade do Anel (2001)

Para mim, existem alguns aspectos necessários para um filme me encantar. O aspecto visual, a banda sonora, a história em si. 

O aspecto visual, a fotografia, as cores, o enquadramento, são para mim factores que me ajudam a encontrar interesse num filme. A beleza das cores e os detalhes das pequenas coisas que deixam compreender a minúcia com que tudo foi elaborado deixam-me ficar encantada com o que estou a ver. Aconteceu-me isso em vários filmes, como: Sherlock (2009 e Jogo de Sombras), A Invenção de Hugo e Cloud Atlas. 
 Cloud Atlas (2012)

A Invenção de Hugo (2011)

Quanto à banda sonora, para mim é importante que esta seja potente, forte, contextualizada com o filme e com cada cena deste. Uma música bem elaborada, pertinente e que faça as emoções crescerem é muito relevante para dar alma ao filme, no meu ponto de vista. 

No que se refere à história, é muito simples. A história tem de me despertar curiosidade. Se não o fizer, é difícil que eu fique encantada com o filme em si. 

Estes pontos que referi, principalmente os dois primeiros, são também importantes em termos do imaginário, a meu ver, pois deixam a imaginação divagar e correr e atravessar novos caminhos e novos mundos. 

Todos nós temos algo que nos faz gostar de determinadas coisas, daí os nossos gostos pessoais. É sempre algo pessoal, mas há que ser receptivo, para poder conhecer mais, saber mais e ir, assim, modificando ou aperfeiçoando os nossos gostos ou somando novos interesses àqueles que já tínhamos. É, por isso, que gosto tanto de debater sobre este tema, pois, debatendo, posso conhecer mais filmes para ver, alargando os meus horizontes.
E vocês? Gostam de cinema? Quais os vossos filmes favoritos? Quais as vossas recomendações?

Obrigada ao Fiacha e a todos vós =)

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Dia de Halloween - A história de Jack O'Lantern


Hoje, na noite de Halloween partilho convosco uma história sobre uma personagem que todos conhecem, mas que poucos conhecem (penso eu) a sua origem.

Jack O'Lantern é uma história tradicional irlandesa e que foi levada pelos emigrantes deste país para os Estados Unidos, constituindo uma figura central nas comemorações deste dia.




 “A LENDA DE JACK DA LANTERNA”


Há muito tempo atrás, vivia na Irlanda, um homem de nome Jack que era muito grosseiro para todas as pessoas. Jack não respeitava ninguém: maltratava a esposa, os filhos, os amigos... Aliás, ele não tinha mais amigos, justamente por causa dessa forma grosseira com que os tratava. Jack fazia tantas coisas erradas, era tão sem escrúpulos que foi apelidado de "Jack Miserável". 

Um dia o Diabo estava a ver a Terra através do fogo mágico do inferno e viu Jack. Ele viu um Jack maldoso, do qual gostou muito. Daí em diante, todos os dias, o Diabo tirava um tempo para se divertir com as maldades que Jack fazia. Decidiu que, quando Jack morresse, iria morar com ele no inferno, mas Jack estava ainda longe da sua hora da morte e como o diabo tinha muita pressa em ter a sua companhia, decidiu ir até à Terra e trazê-lo para o inferno de uma vez por todas. 

Quando o Diabo chegou, Jack estava numa taberna sentado à mesa com o seu modo grosseiro de sempre exigindo da taberneira uma garrafa de vinho. 

O Diabo sentou-se à sua mesa e antes que Jack reclamasse alguma coisa, disse numa voz tenebrosa: 

̶ Jack... Chegou a sua hora... Vim para levar a sua alma... Ela pertence-me. Como a morte ainda está longe, eu vim reivindicá-la pessoalmente, pois não quero extravios... Você, Jack é um de meus súditos mais perfeito no que diz respeito à maldade. Não vou permitir que se torne uma alma boa... Você diverte-me muito... Quero-o na minha casa, e já... 

Jack assustou-se, mas como sempre foi um bom burlador, não se intimidou. Disse ao diabo: 

̶  Mas o senhor chegou muito cedo. Eu ainda não bebi nem um gole do vinho que acabei de pedir... Não, eu não estou pronto ainda. Se quiser levar-me, vai ter de esperar que eu beba o melhor vinho da minha vida! E para não ficar aí sem fazer nada, eu o convido a saboreá-lo comigo. Afinal, com o calor que faz na sua casa, duvido que já tenha alguma vez tenha bebido algo tão bom. 

O diabo animou-se e aceitou o convite. O vinho era tão bom que uma única garrafa não foi suficiente para os dois. Tomaram várias garrafas até que o diabo reclamou que estava na hora de irem andando. 

̶  Vamos embora, meu seguidor! A sua hora chegou... Pague a conta e vamos... 

Jack, que era muito finório, enfiou a mão no bolso para tirar o dinheiro. O Diabo não lê o pensamento dos homens e por isso não podia ler o que Jack estava a tramar. Assim, Jack fez de conta que apanhou um susto: 

̶  Eh! onde está o meu dinheiro? Parece que algum ladrão roubou-o sem que eu percebesse... E agora? Como vou pagar essa conta? 

̶ Nem mais... Irás pagar como sempre fizestes, passando a perna na taberneira. – Disse calmamente o diabo que de maldade entendia muito bem, mas Jack retrucou dando um pulo: 

̶  Isso é que não! Se tem uma coisa que nunca deixei de fazer foi de pagar a conta do vinho que bebo. Está a pensar que vou deixar essa gentalha pensar que vou embora? Não, de jeito nenhum! Não saio daqui sem pagar minha conta! E começou a berrar. 

O Diabo, temendo chamar atenção sobre si, começou a ficar nervoso. Perguntou a Jack: 

̶  O que é que você propõe que se faça para resolver o problema? 

Esta frase era tudo o que Jack queria escutar. Rapidamente apresentou a proposta: 

̶  Você disse que é o Diabo, certo? 

̶  Sim, eu sou o Diabo. 

̶  Pois então... Você não é o todo poderoso que se pode transformar em qualquer coisa? 

̶ Mas é claro que sim, – disse o Diabo todo orgulhoso. – E o que isto tem a ver com sua história de pagar a conta? 

̶ Você transforma-se em dinheiro. Eu pago a conta e depois transforma-se novamente e encontra-se comigo lá fora. 

O diabo pensou que Jack estava a querer fugir da taberna. Deu um sorrisinho maroto e disse para si mesmo: 

“Esse esperto está a pensar que pode fugir de mim. Vou fazer o que ele quer e quando ele menos esperar, eu me materializo ao lado dele, eh eh.” 

E ZUUUPPT XÁ! Bem rápido, num milésimo de segundo o diabo transformou-se numa moeda de ouro sobre a mesa. 

Mais que rápido que nunca, Jack apanhou a moeda. Contudo, ao invés de pagar a conta, ele guardou-a numa sacola para moedas que tinha um crucifixo gravado no couro. O Diabo ficou preso. Não podia sair do porta-moedas de Jack. Apanhado numa ratoeira, começou a implorar que o tirasse dali. Jack, esperto, propôs: 

̶   Eu tiro-o daí sim, mas só se você me prometer uma coisa... 

̶  Diga logo o que quer. – Retorquiu o diabo. 

̶  Pois muito bem, eu quero que você me deixe em paz por um ano. Depois de um ano pode vir buscar-me. Eu ainda quero ficar por aqui um pouco mais. 

Nesse momento Jack pensou que, se dentro de um ano ele se tornasse um homem bom, o diabo não iria querer levá-lo. O Diabo, porém, tinha uma norma que não deixava de seguir: quem fizesse um pacto com ele tinha que cumprir. Muito esperto, o diabo perguntou a Jack: 

̶ Quer dizer que se eu o deixar em paz por um ano, quando eu voltar para o levar, você promete que vai comigo sem reclamar? 

̶  Prometo. – Disse Jack. 

O Diabo tornou a perguntar: 

̶  Quer dizer que você está a fazer um pacto comigo de que se eu o deixar em paz por um ano você vai comigo quando eu o vier buscar? 

̶   Sim. é isso mesmo que eu estou a dizer. 

O Diabo deu um risinho de canto de boca e respondeu a Jack: 

̶   Pois então, pacto feito! 

Jack respirou aliviado. Tirou a moeda da carteira e colocou-a de volta ao tampo da mesa. O diabo voltou à sua forma e falou: 

̶  Pacto feito, Jack! Daqui a um ano, no dia 31 de outubro, eu volto para o levar. 

E assim falando, desapareceu numa nuvem de fumo deixando um enorme cheiro de enxofre no ar. 

Jack respirou aliviado. Ele não sabia que um pacto feito com o diabo não podia ser desfeito. Mesmo assim, tomou a decisão de ser uma pessoa melhor. Pagou a conta e saiu da taberna em direção a sua casa. 

A partir daquele dia Jack resolveu mudar seu modo de agir e começar a tratar bem a esposa e os filhos, passou a ir à igreja e até mesmo a fazer caridade. 

No entanto, ao fim de algum tempo, não estava satisfeito com sua nova vida. Afinal, ele gostava mesmo era de ser malvado, por isso a mudança não durou muito tempo! Um belo dia esqueceu-se do pacto que tinha feito com o diabo e voltou a ser uma pessoa ruim. 

Chegou novamente o dia 31 de outubro. 

Jack estava de regresso a casa, depois de uma noite de farra, quando o Diabo apareceu. Apanhou um susto, mas esperto, fez de conta que não se assustou. 

̶ Bem vindo, Diabo, como demorou! 

O Diabo espantou-se com a atitude de Jack: 

̶  Não me diga que estava ansioso que eu chegasse... – Disse desconfiado. 

Jack apressou-se a explicar: 

̶  Pois é, estava sim... É que a semana passada, quando vi essa macieira carregada, fiquei a pensar em como deve ser bom assar maçãs lá no braseiro da sua casa... 

O Diabo sorriu... Olhou a macieira e pensou que seria uma novidade no inferno... Chegou até a sentir o cheiro das maçãs assadas... Quando Jack viu o olhar sonhador dele, e a sua língua a passar sobre os lábios, lambendo-os, viu que o ele iria cair na sua conversa. Colocou o seu plano em ação: 

̶ É, seria bom... Pena que não vai poder ser... – Jack falou como quem estava pensativo, meio lamentando... e suspirou dizendo rápido: 

̶ Bem, estou pronto, Diabo. Pode-me levar. 

O diabo espantou-se com a pressa e perguntou: 

̶  E as maçãs assadas? 

Jack viu que o seu plano estava a dar certo. Respondeu, olhando a copa da macieira carregada, como quem estava desanimado e resignado: 

̶  Deixa para lá... Não vai dar certo mesmo... 

̶  Por que não vai dar? – Perguntou o Diabo mais curioso ainda. 

̶ Ora, eu não vou poder colher maçãs, pois não sei subir à macieira e você, com certeza, sendo o rei dos infernos, não vai querer subir a essa árvore para colher maçãs como um empregado qualquer. Portanto, vamos embora e que as maçãs fiquem aí. 

Desta forma, Jack convenceu o Diabo a pegar umas maçãs da árvore para levar para assar no inferno. Quando o diabo subiu no primeiro galho, Jack tirou um canivete do seu bolso e desenhou uma cruz no tronco. Assim o Diabo ficou preso na árvore e não pode mais descer. Desesperado começou a implorar a Jack que o tirasse dali. Mas este retorquiu dizendo que ainda era muito cedo para morrer. O Diabo, então, promete partir por mais dez anos. 

Jack não aceitou a proposta. O Diabo então perguntou-lhe: 

- O que, então, você quer para me tirar daqui? 

Jack sorriu, maravilhado. Ele podia pedir tudo ao Diabo naquele momento... 

̶  Eu tiro você daí se você prometer fazer de mim um homem muito rico e que nunca mais virá para me aborrecer. 


- Está bem, - disse o Diabo já a pensar em ir embora sem atender ao pedido de Jack, mas este lembrou-se das palavras dos pactos. O Diabo não disse "Pacto feito" disse "Está bem" e ele sabia que bem, Diabo não faz. 


̶ Está bem, não. Quero saber se o Pacto está feito. Como é Diabo... Pacto Feito? 

O Diabo perdeu a esperança de enganar Jack. Poderia até tentar outros truques, mas a cruz que tinha na árvore já o estava transformar em árvore para sempre. Se demorasse mais um pouco nunca mais ele seria o Diabo outra vez. Não lhe restou outra alternativa senão aceitar o pacto.

̶  Pacto feito! Pacto feito! Tire-me daqui! 

Jack libertou-o. Assim que se viu livre, o Diabo, deu a Jack o prometido e foi-se embora danado da vida por ter-se deixado enganar mais uma vez. Jurou, no entanto, que um dia Jack pagaria por ter gozado com ele. 

O tempo foi passando e Jack ficou velho. Certo dia ele apanhou uma gripe muito forte e como continuava a ser uma pessoa muito malvada, não achou quem quisesse cuidar dele. Resultado: Jack foi piorando... Piorando... Até que um dia ele morreu. 

A sua alma saiu do corpo e voou até a porta do Céu. Quando chegou lá, Deus disse-lhe que não podia ficar no céu, pois lá só podia entrar quem tivesse sido uma boa pessoa na Terra. Jack tentou até enganar Deus, mas acontece que Deus sabe tudo o que se passa no coração do homem e também na sua mente e assim, Jack não conseguiu entrar no Céu. 

Sem outra alternativa, ele foi para o inferno. Mas o Diabo quando o viu, disse-lhe: 

̶ Ah, não! Aqui você não entra. Você enganou-me duas vezes; não vai enganar-me pela terceira vez. Pode ir embora daqui. 

Jack olhou em volta e não viu nada. Tudo era apenas uma enorme escuridão. Ficou apavorado. O inferno era quente, mas ele pelo menos já conhecia o Diabo... Se nem o Diabo o queria, o que iria fazer? Começou a chorar. Para sua surpresa, o Diabo deu-lhe uma brasa dizendo: 

̶ Não sou tão ruim como você, Jack. Tome essa brasa em consideração aos divertimentos que você me proporcionou quando o acompanhei na Terra através do meu fogo mágico. Que ela possa iluminar os seus caminhos quando caminhar pelo limbo, rá, rá, rá, rá... Tome cuidado, pois se ela se apagar você ficará no escuro para sempre. – E assim dizendo, deu mais uma gargalhada infernal e fechou a porta do inferno. 

Jack olhou a brasa e viu que ela começava a apagar-se. Desesperado, olhou em volta e viu um nabo oco no chão. Apanhou o nabo e colocou a brasa dentro dele para que durasse mais e saiu perambulando pela escuridão. 

Andou, andou e muito tempo se passou até que um dia ele encontrou uma bruxa que estava morrendo de frio. 

A bruxa carregava uma abóbora. A sua intensão era plantar as sementes pois sabia que as abóboras simbolizavam fertilidade e sabedoria, mas quando passou pelo limbo, não suportou o frio. Para sorte dela, nesse dia encontrou que se sentia muito só … 

Ele sentou-se perto da bruxa, colocou as mãos dela em volta do nabo onde estava a brasa e ajudou-a a se aquecer-se com o calor que emanava dele. 

A bruxa recuperou as suas forças e para agradecer a Jack pegou na sua abóbora, retirou os caroços, desenhou olhos, nariz e uma boca sorridente. Em seguida fez um corte nesses desenhos de forma a abrir buracos como se a abóbora fosse uma cara. Colocou a brasa dentro dela, recolocou a tampa por onde tinha retirado as sementes, amarrou uma corda de um lado e outro da abóbora, de forma a fazer uma alça, e entregou-a a Jack dizendo-lhe: 

̶  Não o posso tirar daqui, pois você contrariou até o próprio Diabo e não chatear alguém tão poderoso quanto ele. Verifiquei que foi o próprio diabo quem lhe deu essa brasa... Por isso coloquei-a dentro desta abóbora onde esculpi esta cara. Aqui dentro a brasa não vai apagar-se nunca mais e quando chegar o dia 31 de outubro, único dia em que os mortos poderão visitar a Terra, você coloca a abóbora na cabeça e usa essas correntes com essa lanterna. A abóbora vai esconde-lo e o fogo não o vai queimar pois nesse dia, assim que você colocar a abóbora na cabeça, ele vai para dentro da lanterna que as correntes têm na ponta. Assim disfarçado, o diabo não vai saber que você saiu do Limbo. Agora não se esqueça, você só poderá fazer essa transformação e ir à Terra no dia 31 de outubro e tem de voltar antes do nascer do sol. 

Depois desta conversa a bruxa montou na sua vassoura e foi embora. Jack ficou lá, caminhando na escuridão que agora estava bem mais iluminada, graças à abóbora da bruxa. 

Nesse dia ele decidiu que todo dia 31 de outubro iria à Terra e quando visitasse as pessoas ele lhes perguntaria: 

̶  Durante o ano você fez doces, ou fez travessuras?






Espero que tenham gostado e vocês durante o ano : doçuras ou travessuras ?

Podem encontrar esta história no meu blogue http://folhasdomundo.blogspot.pt/

A Caminhante

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Romances Históricos a 40% - Divulgação SDE






Aproveitem que há aqui livros fantásticos, não posso deixar de recomendar as aventuras de Flashman e claro os livros da serie Azteca, melhor romance histórico que li até hoje publicado pela Editora.

Os livros das Cronicas dos Senhores da Guerra do Bernard Cornwell, A Companhia do Diabo do Davis Liss e fico por aqui, mas é de aproveitar :)

Podem comprovar que a Editora é uma das melhores dentro deste género literário, tenho vindo a alertar ao longo do tempo, arrisquem a comprar qualquer um dos livros que recomendei e serão recompensados :)

Podem ver a promoção aqui