Opinião:
Grande final de saga, bem construído, sem pressas, as pontas todas elas devidamente atadas e ainda a deixar caminho aberto para que queiramos ler mais e mais, não podia querer melhor, a confirmar o porquê desta autora ser uma das minhas escritoras favoritas, a par da Juliet Marillier e da Robin Hobb.
Já tinha feito um comentário à saga e tudo o que escrevi mantenho, podem verificar
Jacqueline Carey e só não digo que é melhor livro que li até ao momento pois a conclusão da saga O Regresso do Assassino da Robin Hobb, encheu-me igualmente as medidas, só espero que a Robin Hobb não venha a levar o mesmo caminho que a Carey vai levar .
Acima de tudo o que mais me cativa, além das grandes personagens, que nos ficam para sempre guardadas, a grande imaginação que a escritora tem e a forma como prepara bem o enredo, bolas que demandas vivemos, desde montanhas, ao deserto, aos mares, um sem número de aventuras, é a sua escrita muito própria, como acontece com a Anne Bishop ou mesmo Robin Hobb, mas aqui há charme, elegância, penso que quem leu as escritoras que refiro compreende o que pretendo dizer, uma verdadeira contadora de histórias.
É pena ver que o mercado onde impera os vampiros (nada tenho contra até até adorei ler o Sonho Febril de George Martin ou mesmo o Historiador da Elizabeth Kostova), anjos, erotismo obrigue a que a Editora deixe de publicar este tipo de escritores, tal como referi no link, Guy Gavriel Kay, Scott Lynch, Frank Herbert ou a Robin Hobb, quanto a mim escritores que não me canso de divulgar, mas tenho que aceitar, são os leitores que assim o ditam e só me resta aceitar e esperar que volta e meia apareça uma pequena pérola. Lamento mesmo.
Como admirador da escritora não posso deixar de lamentar algumas coisas que correram menos bem, digamos assim, com a publicação deste livro e da saga, algumas delas já referi no link acima.
Bem sei que muitas vezes é necessário muito suor, “lágrimas e sangue” para que os livros sejam publicados atempadamente e que muitos imprevistos surgem dificultando a sua publicação, mas, nem tudo foi feito devidamente, isto claro é a minha opinião e posso estar errado, mas são coisas que senti.
Em primeiro lugar estranho o porquê de uma saga que publicava de 3 em 3 meses deixar de o fazer e o último volume só só foi publicado passado este tempo todo. Percebo que a saga não foi ao encontro das expectativas da Editora, mas seja como for, passados 5 volumes a terem e a querem publicar o último, não percebo o porquê da demora e nunca nada terem comentado. Verdade seja dita que ao questionar sobre este assunto a Editora no FB me informou prontamente, nisso impecáveis como sempre.
Depois e apesar de respeitar a política da Editora penso que os leitores não foram devidamente informados de como o livro iria ser publicado, no local próprio da Editora foi informado que o livro estaria disponível nas livrarias, quando na realidade o livro apenas está disponível na feira do livro de Lisboa (foi lá que comprei o meu) ou através do site da Editora. Acontece é verdade (quem colocou a informação provavelmente não estava a par da informação) mas pode ter levado alguns leitores a ir procurar nas livrarias e acima de tudo penso que dificulta a aquisição aos leitores, infelizmente poucos, pois nos dias de hoje nem todos os locais tem correios como se sabe, podendo originar a que pessoas se tenham que deslocar longe para ir buscar o(s) seu(s) livro(s). Compreendo a medida em tempo de crise e vendendo pouco mais vale jogar pelo seguro e publicar poucos volumes, mas pode criar algumas dificuldades aos poucos leitores que restam e os que ainda podem aparecer.
Quanto ao livro, como referi o que mais admiro na escritora é a sua escrita, não sei avaliar o trabalho de tradução, mas a revisão deste livro apresentou aqui coisas que não esperava encontrar, vou apenas mencionar dois casos, na página 80 temos a seguinte “frase”:
"EentãochegavamosàsaladeaudiênciasprivadasdeSinaddan-Shamabarsin...."
Mais à frente a palavra período, foi escrita sem "r", o que até me fez sorrir, tal o que estava a ler, mas claro interrompeu-me o meu ritmo de leitura.
Não fica bem para ninguém, muito menos para o cliente, como é óbvio.
A nível de divulgação estranhei por exemplo não ter sido referido na Revista BANG que o livro iria sair, afinal é um livro da coleção BANG e estavam a anunciar as novidades da mesma até ao mês de Junho.
Salvo a memória me falhe e admito poder estar enganado, nunca vi a Jacqueline Carey, nem mesmo o Guy Gavriel Kay e Scott Lynch, por exemplo serem divulgados na revista BANG. George Martin e Robin Hobb sim tiveram grande destaque, mais que justo e subscrevo, mas por exemplo o Salvatore, teve até direito a contos e tudo e várias promoções inclusivamente (sei que poderá advir da negociação para que se publica-se por cá), então o Paranormal é ver as capas e contra capas...logo e ainda vão bem a tempo de divulgar estes escritores que referi, penso que a Editora podia ter feito mais para divulgar os livros destes escritores.
Mas o maior erro, na minha opinião e obviamente respeitando as estratégias da Editora, foi dividirem os livros. Com o Martin até pode funcionar (afinal é um escritor com qualidade que vende como cerejas neste momento e ainda bem), pois este mesmo terminando um livro na versão original, deixa-nos super curiosos e com muitas deixas para o livro seguinte, é habitual, mas em Jacqueline Carey? Já referi o porquê de não funcionar bem no link que deixei em cima, mas repito dada a complexidade do enredo cortar o primeiro volume da saga foi um erro enorme, pois só no final do segundo volume (o 1.º no original) se percebe o que a escritora estava a planear. Cada livro da escritora na sua versão original, encerra um ciclo, quebrar o primeiro volume sem os protagonistas passarem por Skaldia, não funciona, penso que deviam ter feito o mesmo que fizeram com a Robin Hobb, no mínimo o primeiro volume devia ser igual ao original, logo ali, mataram a saga ou pelo menos afastaram potenciais leitores.
Não quero estar aqui a discutir a estratégia da Editora dividir os livros, mas penso que deve ser revista não sei se ganham assim tanto com isso e segundo li e aqui posso estar enganado os livros na sua versão original, três por tanto, da saga seguinte (Imriel) estão a 6 € cada, dá que pensar.
Depois malta como eu que só lê em português fica pendurada, triste por ver escritores com esta qualidade não serem publicados por cá, as vendas é que mandam é verdade, os leitores é que decidem o que querem, mas penso que podia ter feito um pouco mais.
Da minha parte e como sempre o fiz, escritores como a Jacqueline Carey, George Martin, Guy Gavriel Kay, Robin Hobb, Scott Lynch, Frank Herbert, entre outros serão sempre por mim divulgados e recomendados. Ainda hoje é com alegria que vejo pessoas a ficar espantadas com os livros da Juliet Marillier e por falar nisso e sobre a Jacqueline Carey.