sexta-feira, 11 de abril de 2014

A ilustração

Olá para todos vós,

O Fiacha convidou-me a escrever um texto para o seu blogue e eu concordei, muito feliz com tal possibilidade, pois é sempre bom poder partilhar algo nosso com outras pessoas, saber opiniões e comunicar, ainda por cima no blogue dele. Agradeço ao Fiacha por ter-me dado esta oportunidade =)

Decidi fazer este texto sobre a ilustração de livros, pois é um tema que me é bastante querido.
Gosto muito de desenho. É uma das artes plásticas que mais me agrada, pois permite fixar determinada ideia e/ou imagem mental, ou física, num certo material, de modo a poder voltar a essa ideia ou imagem num outro momento, num futuro próximo ou distante. 

É por este mesmo motivo que a ilustração é tão importante nos livros. É discutível o facto de os livros ficarem mais interessantes com ou sem ilustrações, dependo do gosto de cada um e do género de livro. No entanto, nos livros infantis, é fundamental, uma vez que, ao fixar as ideias presentes na história/escrita, permite às crianças uma maior compreensão da leitura, sendo esta realizada por elas próprias ou por outras pessoas. Com ilustrações, a compreensão da história torna-se mais acessível, bem como certas características das personagens e do espaço/tempo, permitindo às crianças um maior acesso ao conteúdo e facilitando a idealização mental da história e seus elementos. 

Depois, nos livros juvenis, também temos vários exemplos de ilustrações que acompanham a história, como é o caso dos livros de Uma Aventura, Os Cinco e outros que por aí andam. Tenho notado, principalmente neste género de literatura, uma crescente aposta na ilustração, seja ela no interior ou no exterior do livro. Existem coleções que são autênticas belezas de arte, como é o caso dos livros das Crónicas de Spiderwick (Holly Black e Tony DiTerlizzi), os de Ulysses Moore, os da trilogia do Leviatã (Scott Westerfield), entre outros. Nos livros juvenis, a ilustração deixa de ser tanto um facilitador da assimilação e compreensão da história e passa a ser algo mais decorativo, algo que, além de ter um certo ponto de ancoragem para certos detalhes e características, é também um fator de equilíbrio entre a escrita e a imagem de modo a dar um ar mais “leve” à leitura. 

Nos livros adultos, deixa-se a ilustração um pouco de lado. Apesar de gostar muito de desenho e de ver a ilustração como uma mais-valia para a literatura, penso que a literatura adulta não pede ilustração, pelo menos em grande quantidade… talvez num ou noutro aspeto, para questões de embelezamento. No entanto, não penso que torne os livros mais infantis. Não tornam. O porquê desta minha opinião relaciona-se com o gostar de imaginar as personagens e o espaço por mim mesma, fazer a minha ideia. E quando existe ilustração, essa ideia própria fica sempre influenciada pela imagem. Quantas vezes, isso não me acontece quando leio livros com adaptações cinematográficas? Aconteceu-me isso com os livros d’ O Senhor dos Anéis. E acontece com muitos outros, por mais que tente separar a imagem do conteúdo. Um fator muito importante é a presença de mapas nos livros em que tal se justifica. São ilustrações úteis, pois permite uma maior visualização a nível de distâncias entre locais presentes nas histórias.

Quem acha que uma ilustração bonita não engrandece o livro? Pode haver quem ache o contrário, claro. Mas eu gosto de ver bonitas ilustrações. Sejam elas a cores ou a preto e branco, sejam de que género de desenho forem. A ilustração torna o livro mais belo, mais personalizado, no meu entender. Dão beleza à obra escrita. Talvez seja por isso que sinto um grande impulso para as capas dos livros que tem mais pormenores ilustrativos. A ilustração da capa não está relacionada com a qualidade ou interesse da história em si. Já fui “enganada” pela beleza da capa e sei que a beleza interior conta muito mais do que a exterior, em todos os casos, inclusive na literatura. No entanto, se pudesse ficar só com a capa dos livros que não gosto, mas que são bonitas, ficava. Com a internet isso já é possível, se não der para tirar fotografias às capas, o que é sempre difícil nas lojas se houver funcionários por perto. 

Ilustrar livros é um sonho, como já devem ter compreendido através das minhas palavras. Daí ter decidido fazer este texto. É um tema que está no meu coração. Muitas vezes dou por mim a ilustrar os livros que leio (não nos livros, mas em folhas!). Daí a presença de algumas ilustrações minhas nos meus “canais da internet”: facebook, blogue, deviantArt. Gosto muito de imaginar as personagens, como elas são, e depois desenhá-las. É como dar vida às histórias que tanto gosto. E claro, inventar as minhas próprias personagens e histórias. 

E como não podia deixar de ser, acompanho este texto com algumas ilustrações, não apenas minhas, como de alguns artistas que gosto muito. 

Alguns trabalhos de:

 Benjamin Lacombe 

Obra: A Mecânica do Coração, Mathias Malzieu
Holly Black 

Obra: As Crónicas de Spiderwick, Holly Black e Tony DiTerlizzi

John Howe

 Obra/Mundo: O Silmarillion, Tolkien
 
Iacopo Bruno e Laura Zuccotti

 Obra: Ulysses Moore saga, Pierdomenico Baccalario

Keith Thompson

Obra: Trilogia Leviatã, Scott Westerfield


Algumas ilustrações minhas:

 Obra: A Corte do Ar, Stephen Hunt

  Obra: 1ª trilogia do Assassino, Robin Hobb
 Obra: Harry Potter e a Pedra Filosofal, J.K. Rowling

Obra: O Silmarllion, Tolkien

 Obra: A Princesa Mecânica, Cassandra Clare

 Obra: As Crónicas de Gelo e Fogo, G. R.R. Martin

 Obra: O Nome do Vento, Patrick Rothfuss

 Obra: Trilogia dos Jogos da Fome, Suzanne Collins

 Obra: Harry Potter e os Talismãs da Morte, J.K. Rowling

Obra: As Mentiras de Locke Lamora, Scott Lynch

Obra: 2ª trilogia do Assassino, Robin Hobb

Esta mensagem também se encontra no meu blogue:


Obrigada Fiacha e a todos vós =)

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho do Baile da Primavera

Mais um pergaminho, mais uma visita a Fiacha ....

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho do Baile da Primavera


Este é um pergaminho de saudação. O tempo não guarda momentos vivos, mantêm-nos em forma de memórias para lembrar e reviver a sua importância. O pergaminho abriu. Revelou-se em branco, sem marcas de escrita aparentes. A história a contar, não ficou guardada no passado, mantém-se num presente sentido e desejado, por isso, o pergaminho é contado em simultâneo com a sua escrita por uma natureza viva. A magia existe mesmo. No cerne da crença da sua existência é a imaginação que prova a sua veracidade. Só é preciso deixarem-se levar pela sua presença e logo vos transporta no seu regaço. O pergaminho foi estendido ao vento que o amparou e uma viagem o leitor desta história encontrou. 

As asas bateram decididas no céu que escurecia. O Corvo Negro voava veloz para chegar a horas do evento marcante no Fiacha. O bosque foi iluminado pela Lua que se despedia e revelava a direcção do lugar secreto. É certo que chegava bem cedo, mas a preciosidade do evento assim o exigiu. 

Chegara ao grande jardim que repousava no silêncio e no mistério da noite. Aterrou no vasto manto de floração, onde, brotavam flores recém-nascidas da transição da época sazonal. Prolongavam-se numa diagonal decorativa que permitia uma passagem no seu contorno, de piso liso e amanhado para caminhar-se sem ferir a vida nele existente. O jardim terminava num namoro pegado com um estreito e pouco profundo rio, onde nele, flutuavam cisnes, deslizavam patos, corriam carpas e tantos outros pequenos peixes, numa histeria de liberdade.

O Corvo Negro caminhou pela ponte que se desdobrava em forma de sorriso voltado para o céu, unindo os dois lados do jardim. Através dela, vislumbrou em pleno crepúsculo, o manto de cor que enfeitava as duas partes do rio até perder-se no horizonte do bosque.

Caminhando pelo estreito trilho do jardim, chegou a um largo, contornado por árvores altas, adornadas por pequenas e coloridas flores, que começavam a rebentar com o fruto nos ramos estendidos à estação que se aguardava. Pareciam competir na sua beleza e abundância. 

O largo desenhava a forma de uma roda, simbolizando o ciclo da natureza e das suas estações. Aqui e ali repousavam junto às árvores, aglomerados de pedras em esculturas de espíritos da natureza, guardando e mantendo o respeito e lealdade pela mãe da vida, que abraça e faz crescer todos os filhos no seu habitat. Estas esculturas formavam amontoados de vida composta, com a vegetação a revestir a sua dureza numa amistosa companhia, naquele lugar especial onde a energia sentida era soberba e respeitosa. Sentiu-se pequeno perante tamanha riqueza no mundo, mas ao mesmo tempo, grande de importância sentindo-se parte dela. 

Voou directo a uma escultura sentada num manto de musgo e líquenes que começava a despedir-se daquela estação. Vislumbrou a forma feminina, ao lado de uma fonte que corria serena e luzia, as mãos a jorrar água sobre as plantas que lhe adoravam abundância. O seu rosto amigável e profundo numa delicadeza gentil, alegrou o corvo negro que se emocionou da beleza, sentindo a sua presença viva. 

Perto das outras esculturas ouvia-se uma melodia de vozes. Um som ecoando leve, muito leve por todo o espaço, baixinho como se contasse segredos. Reconheceu a canção da vida que se revelou ao corvo em saudação de boa alma.

Para comemorar a nova estação, da ponte, viu chegar os habitantes das redondezas. Homens, mulheres e crianças e outros seres não humanos, presenças encantadas da floresta, elfos, dríades, sátiros, ents, sereias com pernas enfeitiçadas, faunos, centauros, anões, mariposas, entre tantos outros, provando que o mundo é magnificente, um lugar partilhado e habitado por diversificados seres vivos.

De mansinho, entrou uma mulher encapuzada com um longo manto azul. Sentara-se ao lado de um espírito da natureza, numa aparente solidão, mas que, dentro dela, corriam mundos imaginários brilhantemente desenhados em pautas musicais. O Corvo Negro reconheceu de imediato quando a viu repousar a viola sobre o seu colo e tocar baixinho as notas do mundo que deambulava dentro dela. A vegetação regozijava de satisfação pela doçura da melodia. O rosto da mulher levantou-se encontrando o olhar do Corvo Negro ouvinte e atento e reconheceu-lhe as palavras:

- Saudações Cátia Valente – sorriu o Corvo segredando a ovação. Cátia agradeceu num sorriso resguardado e deixou os dedos namorar as cordas da sua viola. A melodia delicada tornou o ambiente agradável.

Numa entreajuda bem-vinda, entre todos se partilhou, o que cada um contribuiu para o evento. Na parte superior do largo, estendiam-se mesas largas e compridas recheadas de iguarias deixando uma fragrância saborosa no ar que, o corvo negro muito apreciava.

Sustentaram o jejum durante a noite restante, sentados em silêncio num repensar de outras estações, no meditar de ideias e pensamentos, a reunir os pedidos para o futuro. 

Quando o horizonte revelou uma fachada de nova cor, a luz da nova estação, todos se levantaram. Inspiraram em força de esperança e renovação. Saudaram o nascimento da estação durante um momento que soube a interminável, tal era a força do sentimento. Expiraram animados e esperançosos e o ritual da primavera começou.

Os seres femininos presentes separaram-se da multidão colocando-se num lado oposto aos seres masculinos. Estes acorreram ao bosque à procura das coroas de flores elaboradas pelos espíritos da natureza, oferecendo-as aos seres femininos, sobrepondo-as com respeito sobre os seus cabelos, símbolo de reconhecimento, fertilidade, vitalidade e descendência da mãe natureza. Os seres femininos dirigiram-se aos espíritos da floresta, cada um, ostentando um utensílio para a lavoura e colheita do alimento, caça e pesca, oferecendo e depositando-os nas mãos dos seres masculinos, dali abençoados em saúde e força.

Terminado o ritual e feitas as ofertas, juntaram-se numa só voz e entoaram à estação:

"Mãe de todas as coisas, nesta nova estação regenera e concede a tua bênção sobre os campos, sobre as sementes espalhadas na terra e do gado, purifica o sopro daqueles que estão vivos, amadurece os frutos que servem de alimento, conserva a saúde dos filhos, concede a floração farta, harmoniza o todo no teu regaço. Reconhecemos e agradecemos a tua força com este baile da primavera onde te saudamos e recebemos toda a tua grandeza e importância."

A aurora resplandecente explodiu no céu com a força dos luzidios pedidos para a nova estação e o baile da primavera começou.

Os pássaros foram os primeiros a soar a melodia. A voz de duas Sereias ergueu-se cantando alternadamente as estrofes improvisadas. A viola da Cátia Valente criou o ritmo, a harpa de um Elfo e a flauta do fauno embelezaram o simbolismo das palavras, os tambores dos anões aceleraram o ritmo da melodia, as palmas bateram o passo e dezenas de vozes entoaram acompanhando a dança que se criou no largo.


Eu sou o vento que espalha segredos
Eu sou o segredo que te dá força
Eu sou a colheita do teu fruto
Eu sou o fruto da tua colheita

Eu semeei o teu descendente
Eu ajudei alimentar a tua semente
Eu sou a chuva que cai no solo
Eu sou o solo que te recebe

Eu sou o calor que te aconchega
Eu sou a planta que te sorri
Eu sou o rio que te alimenta
Eu sou a terra que te abraça

Eu sou o abraço que te sustenta
Eu sou o mundo inteiro
Eu sou a nova esperança
Eu sou a força da perseverança

Eu sou a força da natureza
E por tudo, cantamos ao renascimento
e dançamos em harmonia,
saudamos em agradecimento
louvando a nova aurora,
que abençoa um novo dia.


Divertido batendo as asas ao ritmo da canção, Corvo Negro viu passar uma mulher borboleta, com uns olhos tão claros que mudavam constantemente, tal como, as cores das suas asas. Os seus cabelos longos e ondulados caíam como uma cascata de maravilhas. O sorriso harmonioso acolheu de imediato o encontro com o Corvo Negro. A mulher borboleta, detentora do poder de desenhar arco-íris nos céus, que acolhe e cura as almas por ele tocadas, usava sapatos de folha bicuda e andava por isso sempre a saltitar colorindo o baile com as suas cores que iam variando. 

- Felicitações Filipa Monteiro – cumprimentou o Corvo Negro numa vénia com asa dobrada ao peito, com a outra convidou-a a uma asa de dança.

Com uma brisa leve e fresca, surgiu luminosa, outra mulher, membro do Fiacha. Chegara vestida de viajante, com um manto tecido com bocados de história, simbolizando as inúmeras visitas que fez a diferentes civilizações, conhecendo diversificadas culturas e lugares de um mundo inteiro através de misteriosos portais existentes nos livros. Era conhecida como a aprendiz do tempo, que corre ao sabor do vento, contando aqui e ali as histórias que conheceu. Fazia-se acompanhar sempre pelo seu companheiro persa azul puro, que transporta no olhar uma aurora imortal. 

- Caro Corvo Negro sê bem-vindo ao baile da primavera – esboçou um sorriso e no seu olhar mostrou uma alma sábia.

- Obrigado Elsa Esteves – saudou numa outra vénia – estou a divertir-me imenso – respondia enquanto dançava com a Filipa Monteiro. 

Uma roda surgiu mais pequena no centro de uma outra. O Corvo Negro juntara ali os membros do Fiacha. Uma nova dança criou, de mãos dadas rodando, para lá e para cá, batendo o pé, de seguida levantando e tocando no do parceiro do lado, as gargalhadas brindando, a velocidade a aumentar, o passo a saltar, o corpo a rodar em harmonia e êxtase, depois rodou, três vezes rodou, três vezes se fechou o ciclo tocando as mãos no alto e não mais rodou, nem recuou, apenas permaneceram tocadas no centro, trocando no olhar e no sorriso a confirmação da esperança e a promessa de um trabalho mútuo para o renascimento da estação e semear riqueza para transportar para a estação seguinte.

O jejum terminou e o baile continuou até ser pleno dia. O Corvo Negro ligeiramente embriago pelo licor de morango oferecido pelos anões, saudou a nova estação levando a boa energia ali criada como semente para um bom futuro. Agitou as asas numa intensidade diferente levando consigo os membros e um pouco daquela essência. Foram recebidos no jardim do castelo, onde outro baile continuou alegre e comemorativo.

A Guardiã do Tempo 



terça-feira, 8 de abril de 2014

Coleção - A História de Portugal em Romances




Sendo um corvo adepto de Romance Histórico sempre a elogiar o que de bom a Editora publica neste genero literário, muito contente em saber desta iniciativa, vou acompanhar dentro do possivel :)

900 anos de histórias, contadas pelos melhores romancistas históricos

Venha descobrir a História de Portugal, não no tom pesado dos historiadores, mas pela pena inspirada dos grandes romancistas. Nove séculos e um mapa-mundo inteiro são a tela desta coleção, pintada de aventura e coragem, tragédia e desonra, mas sempre com uma alma bem maior do que um pequeno país poderia almejar.

A primeira coleção do género
Esta é uma coleção única devido à sua temática exclusiva: a História de Portugal. Com elevada qualidade literária e um design apelativo, pretende convidar o leitor ao colecionismo.

Grande potencial comercial
Queremos chegar ao maior número possível de leitores: do público masculino ao feminino, várias faixas etárias e nível de formação.

Orgulho da nossa História
Vivemos um período menos feliz da nossa História. A sociedade está deprimida e só ouvimos más notícias. Os portugueses precisam de recuperar o seu amor-próprio. A História de Portugal em Romances vai fazer isso mesmo: recordar-nos os momentos mais importantes da nossa História, bem como as figuras-chave que moldaram o nosso destino.

Uma coleção variada
Cobrindo quase nove séculos e com enredos que percorrem os cinco continentes, A História de Portugal em Romances é uma coleção com enredos, personagens e cenários muito variados. Das intrigas políticas às batalhas épicas, das revoluções aos heróis esquecidos, livro a livro vamos descobrir a nossa História.

Quem melhor do que um bom romancista para dar vida a uma História tão rica como a de Portugal? A História de Portugal em Romances é toda uma nova forma de descobrir a nossa História e o prazer da leitura.


Grande iniciativa sem duvida ;)

sábado, 5 de abril de 2014

O Mistério de Charles Dickens II de Dan Simmons



A figura misteriosa de Drood continua a atormentar a vida do escritor Charles Dickens. Muitos recusam-se a acreditar que tal homem exista, mas como explicar tudo o que mudou na vida de Dickens: a sua saúde, os seus hábitos, os perturbadores passeios pelo submundo negro de Londres? Quem será Drood? Um hipnotizador? Um criminoso? Ou o produto da imaginação fértil e insana do grande escritor? 

Baseado nos detalhes históricos da vida de Charles Dickens narrados por Wilkie Collins, outro grande escritor da época – bem como amigo, colaborador e também grande rival de Dickens –, Dan Simmons explora os mistérios em torno dos últimos anos da vida de Charles Dickens e poderá providenciar a chave para o seu último romance inacabado: O Mistério de Edwin Drood.

Opinião:

Definitivamente este é o meu escritor favorito da coleção BANG e espero que a Editora continue a incluir os seus livros no catálogo.

Quanto ao livro, e repetindo o que já tinha dito no anterior, pode-se considerar um livro algo descritivo, mas cuja descrição se torna necessária para que se faça o devido enquadramento da época em que ocorrem os acontecimentos. O que aqui se verifica é um exaustivo trabalho de pesquisa que é qualitativamente superior quando comparado ao de outros escritores, logo estamos na presença de um romance histórico fantástico.

Mas é, igualmente, um livro excelente pela forma como vem sendo construído, envolto em mistério, suspense, muito ópio, bem como pela forma como nos vai prendendo. As personagens são fantásticas, a começar pelo narrador da história, Wilkie Collins, escritor e amigo pessoal de Dickens, que nos descreve a vida final do seu amigo que sofre um acidente ferroviário. Um personagem inteligente, mas mesquinho, medroso, invejoso, algo receoso, mas que acaba por ser um personagem complexo e bem real.

Há um acontecimento que irá marcar a vida do nosso narrador e que nos irá causar uma sensação de estranheza até ao final do livro que acaba por ter um final muito bem conseguido. Mais não digo pois não quero estar a efetuar spoilers.

Confesso que não é o meu livro preferido deste autor, mas não se iludam, estamos na presença de um grande escritor, que bem merece ter muitos mais leitores e que nos apresenta outro livro fantástico. O seu trabalho é digno do melhor que se publica na coleção, e constitui mais uma pérola que a SDE publica. O escritor, pelo que sei, tem bons livros de FC, espero que a Editora o volte a publicar e por favor ousem ler este escritor pois é daqueles que não engana!

PS: Depois de conhecer um pouco melhor a vida de Charles Dickens, que ainda não tive o prazer de ler, sigo agora para outro livro onde o protagonista é outro escritor - Os Olhos de Allan Poe de Louis Bayard

"Uma viagem alucinante através de um labirinto tortuoso em que se revela um retrato sombrio dos minotauros que lá habitam. O génio artístico é o verdadeiro mistério da obra e à sua beira reside o abismo." -Guillermo Del Toro, Realizador de Hellboy

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Crónicas da Luísa Bernardino



Hoje é o corvo que faz o papel da Caminhante e vem trazer uma mensagem de alguem que faz parte da familia Fiacha.

Garanto que será a primeira e a última vez (nunca digas que desta água não beberei :D ) que leio uma mensagem de alguem que convido para publicar no blog  tal como vocês gosto de ser surpreendido, mais a mais com receio de escrever mal, grande lata :D.




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Olá a todos.

A pedido do amigo Fiacha venho partilhar com vocês a minha experiência de emigrante.

Faz agora precisamente dois anos que aqui cheguei. Posso afirmar convictamente que foi das melhores decisões que tomei. Para quem não sabe, eu estou no Canadá. 
Como sabem o Canadá é tão grande que tem mais do que um fuso horário. Portanto vou referir-me só à cidade onde me encontro, Edmonton.

Há uns anos atrás nem me passava pela cabeça deixar o meu país. Tanto eu como o meu marido trabalhávamos, tínhamos casa própria e, para ser sincera, não vivia mal. Naquela altura era assim que pensava. Até que tive o meu filho, e o nosso país infelizmente deixou de oferecer um futuro risonho para os jovens. Acho que a certa altura da nossa vida devemos ser um pouco ambiciosos. Ou pelo menos fazer por ter uma vida melhor e um futuro próspero. E assim decidimos vir para o Canadá, uma vez que tinha cá a minha irmã mais velha. No início foi bem difícil, é um começar de vida do zero.

Só com alguma roupa, uns trocos, sem telefone, carro e quase nada. Senti-me como se estivesse sem braços e pernas. Tive que tirar a carta de condução (a carta de condução internacional não me serviu de nada). Tive que aprender a andar de transportes públicos e metro. Tive que deixar o meu filho com estranhos sem ele saber dizer uma palavra em inglês. Posso dizer que o meu primeiro dia de trabalho foi angustiante. Pouco falava, preocupada com o meu filho e sem telefone para entrar em contacto com alguém. Mas uma coisa é certa nada se consegue sem sacrifico. E aos poucos a vida foi normalizando. Alguns meses depois tinha tudo o que precisava. Graças à ajuda da minha irmã, cunhado, sobrinha e excelentes amigos. O meu filho depressa começou a aprender inglês e hoje em dia ele ajuda-me nas minhas dúvidas.

Relativamente à cidade onde habito, confesso que fiquei surpresa, estava à espera de algo mais desenvolvido. É uma cidade enorme mas pacata. É uma cidade vulgar, sem nada de especial, não tem monumentos históricos, uma vez que é bastante recente, mas tem trabalho porque tem petróleo. Apresenta uma diversidade cultural que nunca imaginei que tivesse. Acho que aqui existem pessoas de todos os países do mundo. Incrível! Já tive a oportunidade de conhecer imensa gente da Europa, África, América. Gosto da mentalidade do povo Canadiano.

Recebem muito bem os estrangeiros (não têm outro remédio, são mais que muitos). Aqui há trabalho tanto para novos como para velhos. Fiquei admirada quando vi pessoas com a idade da minha mãe a trabalharem no hipermercado, em Portugal isso não acontece. Onde quer que vás, mesmo com roupa de trabalho as pessoas são atendidas de igual forma. Não colocam pessoas na rua só porque estão sujas. Não se vêm animais abandonados, é muito raro, e nesses casos, depressa são resgatados. Um aspecto que achei estranho é os filhos saírem de casa mal fazem 18 anos. É um alívio para os pais. Bem acho que o povo português não é assim. Nós somos muito protectores. O clima, não podia ser mais diferente. Meu Deus parece inverno o ano inteiro! Contudo acho que passamos menos frio do que em Portugal. As casas são bem preparadas e quentinhas. Os carros praticamente todos têm comando para se ligarem. Claro que é mais difícil para quem apanha transportes. Principalmente quando as temperaturas descem abaixo de 40º negativos. A alimentação não é grande coisa. Muito ao estilo americano, fast food. Embora devido à diversidade cultural também possamos comer comida ao estilo de outros países. Ainda assim é um país onde se tem uma qualidade de vida bastante boa. Ganhamos o suficiente para isso. Sinto-me muito feliz aqui. Embora anseie por visitar Portugal.

Espero em breve poder abraçar os familiares que deixei para trás e que tanto me custou. Comer queijinho de ovelha maravilhoso com pão caseiro, picas de chouriça. Comer a comidinha da mãezinha. Que saudades de tudo!

Estou longe mas trago sempre Portugal no coração, é o nosso orgulho :).

terça-feira, 1 de abril de 2014

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Biblioteca

Depois de uma longa ausência, chegou-me às mãos mais um pergaminho... aqui vos deixo este testemunho



Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Biblioteca


Os sonhos são dádivas do destino insondável que escreve as nossas vidas. O acaso proporciona as armas necessárias para a sua concretização e através delas se escreve um futuro novo, ao sabor dos nossos desejos. O sonho mudado à nossa vontade é desejo, é gracejo do destino.


Estes pergaminhos que escrevo tencionam lembrar que cada habitante de Fiacha, tem sonhos que ajudam a concretizar os desejos de outrem, tencionam lembrar os seus próprios desejos esquecidos, tencionam estimular a vontade de os concretizar e tencionam alegrar o convívio pelos gostos e ideias vividas em comum onde a literatura é a ponte que nos une.

Haverá forma mais genuína e bela de se viajar por um vasto mundo da capacidade imaginativa e criativa para além da leitura? 


Eu acredito que todas as formas de arte contribuam para uma vida rica de conhecimento. Mas a literatura guardada em sentimento, marca de forma permanente cada proponente dessa vontade. Em Fiacha existe um lugar mágico onde a literatura é guardada com tamanho carinho por uma das suas leitoras. 

Uma leitora que é sobretudo uma viajante de palavras, que, descobriu na literatura novos lugares onde viver maravilhosas aventuras. Quando inicia uma leitura, salta alegremente para as palavras e viaja através delas, como se, de um tapete voador se tratasse, tal como aquele que conheceu nas saborosas histórias que ouviu crescer. 

Estas viagens saborosas fizeram-na desejar concretizar ansiosamente uma vontade onde cabe um grande sonho. 

No cerne do simbolismo da palavra somos transportados nas asas da imaginação ao encontro de fantásticos e exuberantes mundos onde a alma repousa e amadurece na experiência enriquecedora da viagem por tais lugares. Porque uma história nem sempre é apenas contada, ela é também vivida. Quantas vezes, em pequenos vislumbres a saudosa leitura assombra momentos da nossa vida real e nela transporta a sua magia. Que sensação fantástica é este regresso aos lugares onde ficou um pedaço de nós. 

Fica de lembrança a saudade para lá voltar e o abraço do prazer que deixou na memória apenas porque viajámos nas palavras de alguém. Uma sensação que faz sorrir a alma, que deixa escapar a lágrima derramada em nostalgia e que ocupa o coração da ternura da felicidade. 

Em resultado desta vontade, a leitora começou a construir uma biblioteca, a fim de guardar estas queridas jornadas. É neste espaço genuíno que encontramos uma verdadeira magia.


Ler é encher um pedaço do coração de uma substância única, mas desconhecida, que tem o poder de mexer com os sentidos. Abre um portal dentro de cada um de nós para um outro mundo que não se conhecia e tudo se transforma até ao mundo real. Também eu conheço esta agradável sensação. E como guardiã do tempo que sou, concedendo a graça, guardei no tempo o pergaminho que falou. 


A leitora, uma lince acarinhada em Fiacha, estava sentada no banco de pedra no jardim. A leitura roubava toda atenção dos seus sentidos, como uma qualquer alquimia que transportava todo o enredo que testemunhava para a sua mente e coração. 

O vento parecia, também, deliciar-se com a leitura, insistindo em virar mais uma página, abraçar o final conhecendo a derradeira despedida de mais uma boa história. Ela terminaria ali mesmo, no próximo parágrafo. Abraçou cada pedaço da narrativa, o assombro e espanto despediam-se e uma lágrima rolou, de alegria e encanto. Pois da leitura de um livro fica a saudade e a experiência de outras vivências e com elas aprendemos, reaprendemos, abraçamos e clamamos a sua continuação. 

A brisa acalmou deixando-a namorar o momento, permitindo guardar no coração os seus ensinamentos e aventuras. A leitora expirou fundo em olhar fechado de ternura. Levantou-se como se transportasse um tesouro recém-descoberto. Dirigiu-se ao interior da grande biblioteca e depositou o livro numa prateleira com espaço reservado só para ele. Era um recém-chegado e necessitaria de espaço para ganhar vida. 

Na verdade, aquele local era especial porque nele, existia uma magia oculta e muito peculiar. Na biblioteca da leitora lince, as personagens dos livros ganham vida, adquirem corpo e alma naquele espaço de harmonia e convívio. 

Caminhou nostálgica pelo seu corredor, vislumbrando as personagens vivas dos seus adorados livros. Relembrou todas as viagens que fez ao sabor das suas aventuras. Riu e chorou o que rira e chorara quando as conheceu. 

Vislumbrou, igualmente, a sua biblioteca redonda e romântica como a rima de uma velha canção, exibindo no seu altivo tecto, uma abóbada com vitrais que desenhavam o mapa de tantas terras adoradas: a terra média, Westeros , Avalon, Sevenwaters, entre outras. 

As paredes de pedra adornadas de colunas espaçadas, suportavam as inúmeras e largas prateleiras que se iam enchendo de livros.Bravias heras revestiam a parede aqui e ali, tornando o lugar exuberante e exótico. 

O espaço cheirava levemente a groselha negra, provocado por uma mistura agradável de plantas, uma experiência que Hermione praticava num canto, concentrada e orgulhosa com Potter e Weasley a comer feijões de ranho de trasgo. 

Perto de si, sentados no chão, encontrava-se Gandalf com os encantadores hobbit’s, contando antigas histórias do Shire, os quais, ouviam atentos e curiosos. Num estalar de dedos o feiticeiro provocou faíscas a sarapintar magia e elas transformaram-se em pequenos dragões num combate com orcs. Os olhares prendiam-se àquela magia, saboreando a maravilha ali representada. O dragão negro em tempos fascinara-se a ouvir contar sobre os seus bravos antepassados. 

Do outro lado, sereno, encontrava-se Tyrion Lannister sentado no parapeito da elegante varanda, lendo um qualquer livro sobre a importância de amolar as espadas. Sorriu numa ironia de vontade proferindo numa voz altiva “a mente precisa de livros, assim como a espada precisa de uma pedra de amolar para se manter afiada”. 

Numa outra varanda encontrava-se um sapo saboreando o sol, olhando-a na confirmação do conforto da tarde soleira. A leitora saudou-o num beijo de amizade e o sapo transformou-se em Costi, o príncipe e eterno amado de Jena. Sorrindo, a leitora assistiu à sua correaria pelo corredor até alcançar Jena e as suas irmãs que dançavam para lá das árvores robustas de uma floresta encantada que só se mostrava nas noites de lua cheia. Inspirou por momentos a brisa que há pouco a deixara para aligeirar a saudade e observou o jardim da sua biblioteca. 

Nos campos alongados de prado fértil, soava ao vento, a melodia agradável das doces e felizes gargalhadas de Tuala que observava Bridei a ensinar Derelei a montar um potro. 

Sorcha partilhava a alegria, enquanto colhia as ervas para os seus unguentos, com ajuda da querida Liadan. Bran não se afastava dali, pronto assegurar a segurança da biblioteca e arredores, com especial atenção pela sua adorada. 

Em frente à biblioteca havia um lago limpo e decorado com plantas bravias. Nele, seis admiráveis cisnes saíram da água e logo se transformaram em belos homens que correram a pegar em Sorcha e com ela dançar ao sabor de uma alegria eterna. 

Faolan viria a chegar da vigia da noite e repousou perto de uma macieira aproveitando a sombra, restolhando as folhas para uma sesta confortável. Dali a um momento, fora abraçado por Eile, que lhe ofereceu um desejado sorriso. A pequena Saraid correu divertida até ao pequeno Derelei que brincaram animados. 

Um pouco adiante, Esmeralda colhia flores da Japoneira chamando por Minda que namoriscava Simão, enquanto Quim corria com os seus lobos atrás da negra. 

De relance pareceu ver Fitz Cavalaria a esgueirar-se por entre o arvoredo em direção a um rio próximo. Num movimento rápido e audaz desapareceu, aparecendo Tomé Texugo. 

Mas tal como a negra do Quim, certas personagens, de vez em quando, costumavam fugir da biblioteca, confusa era a sua condição viva. Acontecia normalmente aos recém-chegados. 

A leitora ouviu um ruído e olhou de sobressalto para a entrada da biblioteca, mesmo no local onde deixara o livro. 

Bran acorreu rápido à entrada observando os vestígios da fuga com os seus homens de cara tatuada. Depois de instruções segredadas em gestos, dividiram-se à procura da personagem. Silvério juntou-se ao grupo que procurava encontrar e orientar a personagem fugitiva. 

A leitora preparava-se para sair da biblioteca quando uma voz falou: 

- Aposto que partiu para Al-Rassan – disse Tyrion que voltara a olhar para as páginas do livro que pesava nas suas pequenas mãos. 

- Então é para lá que eu vou – respondeu determinada a leitora corajosa, habituada a viajar por tantos mundos. 

Por debaixo da abóbada, sustinha-se um globo com o mesmo mapa que nos seus vitrais. A leitora olhou-a rodando o globo. A abóbada moveu-se e o globo escolheu um local para fazer a viagem. Al-Rassan. 

Quando se preparava para percorrer no tempo, o Corvo Negro apareceu na biblioteca grasnando em cumprimento. 

Admirado ficou com a magia ali presente. Saudou algumas das suas personagens favoritas, embevecido por reencontrar tantas de que sentia saudade. Instantaneamente reavivou todas as suas histórias. 

- Bem-vindo sejas à minha biblioteca em construção amigo Corvo Negro – saudou a leitora apressada pela demanda necessária. 

- Saudações amiga lince, felicito-te por esta fantástica biblioteca. As personagens parecem inquietas, passa-se alguma coisa? 

Tyrion lannister surgiu ao lado do corvo negro que o olhava astuto e desconfiado, naquele jeito de perspicácia tipicamente dele. 

- Ammar decidiu fugir da biblioteca – respondeu Tyrion enquanto observava o globo – parece que tem assuntos para resolver lá na sua terra.

- Parece-me que sim. Tenho de ir Corvo Negro – respondeu aflitiva a amiga lince afastando-se para o círculo de luz que o sol refletia em Al-Rassan onde a lince esperava encontrar Ammar. 

- Imagino o que Ammar terá ido fazer – riu Corvo Negro na certeza da ideia – foi procurar dois velhos amigos. Não precisas de o ir buscar, basta chamares por ele. Afinal de contas controlas as histórias dentro da tua biblioteca, por isso, vamos fazer uma coisa mais simples. O Corvo Negro oriundo do sangue Fiacha sabe alguma magia. Aprendi algumas coisas com a manha de Fitz. 

Voou até à estante onde o livro “Os Leões de Al-Rassan” encontrava-se descoberto e depositou-o em cima do globo. Agitou as asas estimulando as páginas do livro que correram em história. 

A lince e o Corvo Negro foram levados até Al-Rassan. Aterraram num cenário de beleza onde três culturas se mostravam em bocados de perícia poética. 

Ao longe uma silhueta revelou-se misteriosa debaixo de um véu agitado ao vento, num por do sol fantástico, onde as cores do mundo se misturavam num envolto de vivências enriquecidas de desafios. Atrás de si o poeta e o líder militante juntaram-se à sensual Jehane. 

A lince chamou pela personagem com uma voz que mostrava o caminho de volta. Ammar dobrou-se numa vénia e agradeceu a simpatia. Tão rápido quanto o agitar de asas do corvo, estavam todos de volta à biblioteca. 

A lince Luísa Bernardino, agradeceu ao Corvo Negro pelo regresso de adoradas personagens. Satisfeita apresentou-o a todos os presentes. Depois de uma caminhada por histórias revividas, as personagens voltaram aos seus livros onde permanecerão até a lince chegar ao salão do corvo negro, onde lhe esperam tantos outros amigos, amantes da literatura.

- Quem diria que uma tão grande biblioteca pudesse aparecer e desaparecer assim? 

- Sabes qual é o segredo de tal magia? É que a biblioteca ainda só existe no meu coração – sorriram em uníssono, partilhando o gosto pela leitura e o legado que deixa nas suas vidas. 

Chegados ao salão, recebidos em euforia, a lince levou os convidados a visitar a sua biblioteca onde as personagens dos seus livros voltaram a sair das suas páginas. O salão aqueceu de magia mais uma vez, e mais uma vez o Corvo Negro viajou.


A Guardiã do Tempo

Resposta da SDE aos seus leitores

Viva,

Na sequência da sugestão que fiz na página da Editora SDE no Facebook que podem ver aqui aqui deixo a resposta dada pelo Editor Corte Real até porque se pode acabar por passar ao lado no meio dos vários comentários, caso queiram ver os desenvolvimentos no Facebook é ver aqui

 
Por Luís Corte Real
Editor

Boa tarde a todos os fãs da Saída de Emergência,

Queria agradecer ao Fiacha e a todos os fãs da editora que deixaram as suas opiniões. Sem elas podemos ficar na ilusão de que estamos a fazer um trabalho perfeito quando na verdade os nossos leitores estão insatisfeitos com algumas questões. Vou tentar abordar todas, da forma o mais transparente possível, sendo que não prometo que as respostas sejam exatamente aquelas que todos gostariam de ouvir. Ao trabalho, então!

COMUNICAÇÃO
Tanta coisa mudou em 11 anos. Nem havia Facebook quando começámos. A SdE tem crescido, mudado, e também a sua forma de comunicar com os leitores tem sofrido mutações constantes. Blogues, vários fóruns, Twitter, emails diretos, Facebook, há muitas formas de chegar à editora e tentamos marcar presença em todas. Talvez nos tenhamos estendido demais e complicado a nossa vida. Mas uma coisa é certa, aqui, no Facebook, estamos a esforçar-nos por não deixar nenhuma pergunta por responder. Mesmo quando a mesma pergunta já foi respondida várias vezes. Apesar das nossas atuais falhas, que reconheço, os nossos fãs mais justos também terão de reconhecer que não há muitas editoras que tentem responder com tanta prontidão como nós. Mas quero deixar uma mensagem bem clara: a SdE pode, quer e vai melhorar a sua comunicação.

BRASIL
Alguns fãs têm receio que a nossa ida para o Brasil signifique que voltámos as costas a Portugal, que temos menos tempo para os nossos fãs originais. Só posso dizer uma coisa: nunca! São projetos diferentes, com pessoas, na sua maioria, diferentes. Pelo contrário, se o projeto no Brasil continuar a correr bem, vai dar-nos uma solidez maior para fazer frente à crise que o mercado editorial português está a sentir. A crise, essa sim, e não o Brasil, obrigou-nos a desacelerar. Aliás, a crise é um assunto tão importante que merece o seu próprio parágrafo.

A CRISE
A palavra de ordem, e que já ninguém consegue ouvir, é AUSTERIDADE. Empresas vão à falência, lojas fecham, o desemprego aumenta, os impostos também. O mercado livreiro e editorial, como os mais atentos devem reparar, não ficou imune (a lista de editoras, distribuidoras e livrarias que fecharam nos últimos anos não é curta). No entanto a SdE continua aqui, a publicar, a tentar deixar os seus fãs satisfeitos. Gostávamos de estar a fazer as coisas de forma diferente, e quando o país sair deste período negro, certamente que o faremos. Mas não é justo pedir que continuemos a trabalhar como fazíamos há 5 ou 6 anos quando o país, aparentemente, tinha um futuro risonho e toda a gente tinha dinheiro para gastar num bom livro. Apesar de tudo, este ano vamos ter apostas fortíssimas na fantasia, como é o caso do Brandon Sanderson. Mas há mais!

DIVISÃO DOS LIVROS
Não é uma coisa de agora, já dividimos livros há muitos anos, e sempre pela mesma razão: se não dividirmos, o projeto é comercialmente inviável e não poderá sair do reino dos sonhos. Lembrem-se que o próprio George R.R. Martin, quando foi publicado pela primeira vez há 7 anos, estava longe de ser o fenómeno que é hoje e foi um tremendo risco para a SdE apostar tanto nele. Se não o tivéssemos dividido teríamos perdido dinheiro com todos os livros até a série da HBO ter estreado. Outros autores que dividimos são autores que amamos, de uma qualidade tremenda, mas que vendem pouco e se não forem divididos NÃO podem ser publicados: é o caso dos fenomenais Dan Simmons, Robin Hobb e Guy Gavriel Kay. Seria melhor pura e simplesmente não os publicar? Duvido que essa fosse a melhor opção. Acreditem: não dividimos os livros de forma leviana ou para ganhar mais. O objetivo é não perder. E garantir no nosso catálogo os MELHORES nomes do fantástico.

ALTERAÇÕES DE DATAS DE PUBLICAÇÃO
Há uma boa razão para praticamente nenhuma editora adiantar datas de publicação: a facilidade com que um agente, tradutor, revisor, paginador, designer, editor, impressor ou comercial se atrasa a entregar o seu trabalho… e lá se falha uma data. E depois os fãs cobram. A solução mais inteligente é não adiantar datas. Mas preferimos continuar a fazê-lo, correndo o risco de vocês se zangarem connosco. Prometo, no entanto, que estamos a tentar falhar cada vez menos!

SAGAS QUE FICAM A MEIO
Este ponto tem relação direta com a crise. Quando não há fãs suficientes para manter uma série em pé, por melhor e mais fascinante que ela seja, a única solução é interrompe-la. Caso contrário é o descalabro financeiro. Mas não pensem que interrompemos séries com agrado, por vezes até já temos os direitos comprados e não conseguimos publicar os livros todos. Mas este infortúnio não é um exclusivo da SdE: todas as editoras que publicam fantasia, onde imperam séries com vários volumes, correm o risco de as abandonar a meio. Felizmente algumas das que estão paradas (Patricia Briggs ou Kim Harrison) têm volumes autónomos e a ação não foi interrompida num cliffhager. Outras conseguimos voltar a recuperar (Sherrilyn Kenyon). Se os livros tiverem procura e o mercado permitir, não duvidem, somos os principais interessados em recuperar as séries.

Penso que respondi às principais queixas que os nossos fãs fizeram neste post. Há sempre mais perguntas a fazer, novas perspetivas a abordar, mas uma coisa quero deixar bem claro: não nos aburguesámos, não crescemos demais, não deixámos de ser fãs de fantástico. Somos uma editora média, a viver num mercado de grandes grupos, num país meio falido. Não é fácil oferecer um serviço perfeito nestas condições, mas estamos a dar o nosso melhor e contamos convosco para nos acompanharem neste caminho.

Um abraço e votos de boas leituras,
Luis CR


Agradeço a resposta, foi reconhecido que a COMUNICAÇÃO com os leitores não tem sido a melhor, espero que tenha sido útil a sugestão, interessante para percebermos a prespetiva da Editora sem duvida, mas....que tem a dizer ?

Divisão de Acácia fará sentido ? Será mesmo que os livros da Patricia Briggs funcionam como stand-alone ? bem fico por aqui que a Editora tenha enorme sucesso é o que mais desejo e claro continuarei a ler e a divulgar os seus livros.

Já agora a todos os que comentaram, não somos muitos infelizmente, obrigado pelos comentários que colocaram quer no blog quer no Facebook, acredito que tenham sido úteis para a Editora perceber que nem tudo tem sido perfeito.