sexta-feira, 24 de julho de 2015

Que esperam os macacos de Yasmina Kadra



Sinopse:

Uma jovem estudante é encontrada assassinada na floresta de Baïnem, perto de Argel. Uma mulher, Nora Bilal, é encarregada de conduzir a investigação, longe de pensar que a sua rectidão é um perigo mortal num país entregue aos tubarões de águas turvas.

Que Esperam os Macacos é uma viagem pela Argélia de hoje onde o Mal e o Bem se sentem constrangidos no meio dos malefícios naturais dos homens.

 

Opinião:

Mais um excelente livro de Yasmina Kadra que acabou por me surpreender verdadeiramente pela positiva, pois tudo o que gosto neste escritor está aqui bem desenvolvido, quer a nível de personagens, do enredo, que nos pode induzir que estamos na presença de um policial (mas para mim acaba muito mais por ser um romance histórico tal a forma como o escritor nos dá a conhecer o universo de Argel) e claro com a sua habitual qualidade de escrita, com toques de crueldade, drama e mesmo alguma violência.

É Impressionante como com poucas páginas o escritor consegue retratar a sociedade de forma tão boa e paralelamente desenvolver as personagens, tornando-as ricas e complexas. No fundo provando que não é necessário escrever sagas e trilogias para termos um bom livro.

Na minha opinião e tendo em conta o que já li do autor, não é o seu melhor livro, mas acabou por me surpreender agradavelmente. Apresenta um final arrebatador que não esperava e, aqui temos mais um escritor que não tem problemas em "eliminar" personagens principais. Não é para todos!!

Yasmina Kadra será seguramente o escritor que mais gostei de conhecer este ano, caminha a passos largos para se tornar um dos meus escritores favoritos.

Um livro e, acima de tudo, um escritor que só posso recomendar, não deixem passar pérolas destas ao lado, pois já não se publicam muitos livros com esta qualidade.

terça-feira, 21 de julho de 2015

Samarcanda de Amin Maalouf


Sinopse:

Numa época de obscurantismo e fanatismo religioso. Omar Khayyam, o grande livre-pensador do Oriente, foi capaz de oferecer ao mundo uma mensagem hedonística e heterodoxa.

Este poeta, filósofo, astrónomo e matemático persa do século XI deixou escrita uma colecção de poemas, os célebres Robaiyat, nos quais aflora o mais refinado da perdida civilização persa. Seguindo esse manuscrito durante quase um milénio. Maalouf Introduz-nos na apaixonante história da Pérsia através de um espectacular fresco em que a cidade de Samarcanda se destaca como protagonista.

Opinião:

Mais uma grande leitura proporcionada pela editora Marcador sendo um livro que me passaria completamente ao lado se não fosse a malta amiga elogiar o livro quando o divulguei aqui no blog. Começa a ser muito difícil escolher o melhor livro lido este ano, da editora e mesmo o melhor livro do ano pois tenho tido a sorte de ler bons livros, facto para o qual contribuiu ter alargado as minhas parcerias aqui no blog, sem dúvida.

“Samarcanda” é um livro muito completo, com personagens riquíssimas e bem desenvolvidas, uma escrita que se por vezes possa parecer um pouco descritiva, acaba por se tornar necessária para desenvolver quer as personagens quer a informação sobre o enredo. Uma das mais valias do livro é mesmo a descrição do mundo muçulmano, feito de forma muito boa acabando por ser muito enriquecedor. Estamos na presença de um excelente Romance Histórico.

A história está dividida em duas partes sendo o narrador o mesmo, Benjamin Omar Lesage. A primeira parte refere-se à vida de Omar Khayyam, um sábio persa, poeta e astrónomo. Viveu no século XI e foi um revolucionário de ideias e foi ele que escreveu o famoso Manuscrito de Samarcanda. Nesta parte conhecemos as suas aventuras pela Pérsia e através dele conhecemos outras personagens muito boas, sendo as minhas preferidas Hassan Sabbah (fundador da seita dos Assassinos) e Djahane, a mulher de Omar. A segunda parte do livro fala do próprio Benjamin O. Lesage e a sua busca incessante pelo Manuscrito de Samarcanda há muito desaparecido e situa-se no século XIX.

Completamente rendido á escrita do autor e caso tenha oportunidade de ler mais livros do escritor seguramente que não vou perder a oportunidade, uma grande surpresa sem dúvida.

Altamente recomendado

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Férias!




Ois,

Só para informar que a partir amanha e por 15 dias estarei de férias por Dorne (Algarve - Ilha da Fuzeta) sem acesso a net, logo não estranhem a minha ausência.

Tempo para aproveitar o bom clima, as boas águas, a companhia ehehe e claro as belas praias, tal como a Fuzeta, Ilha de Tavira, Praia do Barril, Manta Rota, Monte Gordo e por ai fora, depois partilho uma ou outra foto :D

Pela experiência que tenho não devo conseguir ler, ainda assim vou levar a minha atual leitura e um livro do Yasmina Khadra.

Divirtam-se e que corra tudo bem, para eles abraços e para elas beijinhos :D

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Novidades Bizâncio para julho




Eleito pela Royal Society of London o Melhor Livro de Ciência de 2014


Tudo é feito de alguma coisa...


Desde os objectos quotidianos que temos em casa até aos mais extraordinários materiais novos que irão dar forma ao nosso futuro, A Vida Secreta dos Materiais revela os milagres da arte, do design, da engenharia e da criatividade que nos rodeiam no dia-a-dia.



«Maravilhoso. Miodownik escreve tão bem que até faz brilhar o betão.»
Financial Times

«Fascinante. Uma visão actualizada das maravilhas do tecido que suporta as nossas vidas.»
Guardian





Keith Mabbut era escritor. Disso estava absolutamente certo.


Embora tivesse construído uma carreira baseada na palavra escrita, chegara aos cinquenta e seis anos sem nada que se assemelhasse ao sucesso dos seus grandes heróis literários. Consolidara a opinião de que o melhor da sua obra ainda estava para vir. E, da forma que ele menos esperava, assim foi...

Quando uma proposta de trabalho inesperada – escrever a biografia de Hamish Melville, um activista herói de causas humanitárias – o leva à Índia, Keith começa a questionar-se sobre o que é a verdade e em quem pode de facto confiar.

«Verdade e Consequência é uma bela história, belissimamente contada... um thriller que nos mantém em permanente suspense, com um tema verdadeiramente relevante»
Spectator



Em Fevereiro de 1943 a maré da guerra mudou quando os alemães se renderam em Estalinegrado. Em Maio de 1945 os soldados soviéticos tinham atravessado a Europa de Leste e atacaram Berlim para pôr fim ao regime de Hitler.


Guerra Total é uma história poderosa sobre uma das fases mais cruciais da Segunda Guerra Mundial. Michael Jones recorre a relatos sinceros de testemunhas presenciais, a documentos pessoais tanto de fontes alemãs como russas, e traz-nos a história humana por detrás da libertação da Europa.

«Um livro soberbo e um verdadeiro contributo para a compreensão de uma guerra que se caracterizou por um sofrimento inimaginável.»

BBC History Magazine



quarta-feira, 1 de julho de 2015

"Rooftoppers - Os Vagabundos dos Telhados" de Katherine Rundell - Individual Editora (Lapis Azul)


Sinopse:

Sophie é resgatada por Charles Maxim das águas do Canal da Mancha, após o barco em que viajava ter sofrido um naufrágio. Sozinha no mundo, a criança não terá mais de um ano e fica a viver em Londres sob a tutela provisória de Charles, que a ama e educa como uma filha de verdade. Sophie cresce na esperança de vir encontrar a mãe, perdida no naufrágio. Mas cresce também num misto de felicidade e angústia, pelo receio de um dia ser forçada a ir para um orfanato.
E é naquela esperança, que no amor funde a irracionalidade da crença com a audácia e a astúcia da vontade, que chegado esse dia, Charles e Sophie decidem que há só uma saída: fugir de Londres e ir para Paris, à “caça” da mãe.
É aqui que Sophie conhece os vagabundos dos telhados e os torna cúmplices leais da sua aventura. É uma história de amor e de afetos, de laços de amizade e cumplicidade, de medos, angústias, sacrifícios, de hesitações e coragem, de argúcia e destreza. Dá voz aos mais pequenos e aos ignorados e marginalizados da sociedade. Os atos mais simples são os mais generosos, e a bondade é uma virtude relembrada a cada som que a música, sempre a música de um violoncelo, vai ecoando ao longo das páginas, por cima dos telhados.
E é uma história sobre a mãe. E sobre a filha. E sobre um homem que, não sendo pai, foi o melhor pai de sempre.

Opinião por Rita Verdial:

Por onde começar? 
Gostei muito, muito, deste livro. Acho que é um miminho para qualquer leitor, seja qual for a idade.
Está pejado de mensagens e pequenas lições, já para não falar na beleza de muitas frases, como: "Os livros são como pés-de-cabra para te abrirem o mundo" ou "Era o que a mãe sempre tinha sido para ela. Um lugar para repousar o coração. Um refúgio para recuperar o fôlego. Um conjunto de estrelas e mapas.", entre muitas, muitas outras.

Rooftoppers - Os Vagabundos dos Telhados é um livro que se lê num ápice e que não damos nem pelo tempo, nem pelas páginas a passar. Deixa-nos de coração leve com toda a ternura e força da sua mensagem, com o retratar de todas as pequenas coisas da vida que nos alegram, ou alegrariam se parássemos para reparar nelas.

Katherine Rundell teve a capacidade de me colocar lado a lado com Sophie, de quase me fazer sentir o vento na face e no cabelo, a cada salto, bem como todos aqueles aromas que se podem sentir nos telhados de Paris; fez-me inclusivamente sentir nervosismo, tensão e ansiedade nas situações mais extremas, como aquele momento na corda-bamba, para a qual me senti completamente transportada; Fez-me ouvir e sentir a musica, tão importante nesta história.

Gostava de ter sabido mais acerca do destino das personagens, nomeadamente de Sophie, Charles e Matteo. Contudo, penso que não poderia ter pedido um final mais perfeito. Foi aconchegante, belíssimo e emocionante! 

Rooftoppers - Os Vagabundos dos Telhados é um livro inteligente, sobre o poder do amor, da esperança, persistência e tenacidade, que nos mostra como devemos sempre manter-nos fieis a nós próprios e nunca desistir das nossas convicções e daquilo que nos trará felicidade, não importa quão tortuoso seja o caminho.

terça-feira, 30 de junho de 2015

A Espada de Shannara de Terry Brooks




Sinopse:


Uma das mais épicas sagas de fantasia de sempre. 

Dizem as lendas que as Grandes Guerras do Passado destruíram todo o mundo. Mas, a viver em paz no bucólico Vale Sombrio, o meio elfo Shea Ohmsford pouco sabe sobre esses conflitos.

Até ao dia em que ressurge uma terrível ameaça: o Lorde Feiticeiro, que todos julgavam morto, planeia regressar e destruir o mundo para sempre. A única arma capaz de deter esse poder das trevas é a Espada de Shannara, que apenas pode ser usada por um herdeiro legítimo de Shannara. Shea é o último dessa linhagem, e é sobre os seus ombros que repousam as esperanças de todas as raças.

Por isso, quando um aterrorizante Portador da Caveira enviado pelo Lorde Feiticeiro voa até ao Vale Sombrio para destruir Shea, este sabe que acabou de começar a maior aventura da sua vida.


Opinião:

Um livro de fantasia, mais virada para o público juvenil que sinceramente não gostei, pois considero-o um livro muito simples e acima de tudo uma cópia do Senhor dos Anéis do Tolkien. Mas isso é algo comum a muitas sagas e algumas até têm qualidade, como por exemplo “A Roda do Tempo” de Robert Jordan. 

Fico algo triste quando vejo que esta Editora, que muito bem apostou em escritores como Scott Lynch, Robin Hobb, Dan Simmons, Guy Gavriel Gay (isto só para referir alguns), deixou de os publicar e de serem uma aposta válida e em contrapartida publica esta saga que a nível de qualidade fica a anos-luz dos escritores referidos. 

Será esta saga uma boa aposta? Só as vendas o dirão, mas acredito que seria muito melhor apostar em escritores de qualidade como os acima referidos, pelo que percebi já nem Brandon Sanderson será publicado por cá após a conclusão da saga Mistborn. 

Posso dizer que é um livro que deixa em aberto a possibilidade de melhorar, quer no enredo quer nas personagens (não houve uma que me cativasse embora reconheça que algumas tem potencial), tem uma escrita simples e que em certos momentos acaba por nos cativar, mas houve muita coisa que para mim falhou. 

Um vilão que teve uma participação muito curta (supostamente) e que nada trouxe ao enredo, não sei se é poderoso, maligno, inteligente, como referi as personagens não cativam, não tem complexidade, o enredo não é em nada criativo, a escrita é simples e não apresenta originalidade, enfim podia apontar aqui muita situação mas prefiro não o fazer para não deixar nenhum spoiler. 

Para quem nunca leu muita fantasia, este até pode ser uma boa aposta, mas ser interessante é muito diferente de ter qualidade, conto ler os livros seguintes até para ver se melhora, pois o universo está apresentado, agora é ver que novas aventuras surgirão, espero maior complexidade quer de enredo e acima de tudo de personagens.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

"Incarnate - Encarnação" de Jodi Meadows - Individual Editora (Lapis Azul)


Sinopse:

Quando Ana nasceu, o mundo mudou. Durante cinco mil anos, o mesmo milhão de almas renasceu uma e outra vez, guardando consigo a memória das experiências vividas e de tudo o que aprenderam. Mas Ana é nova. Não é nenhuma das almas que todos conhecem desde o princípio de tudo e, por isso, a sua existência é, para muitos, perturbadora.

Temida ou desprezada pela maioria, incluindo a sua própria mãe, Ana quer apenas descobrir quem é e porque nasceu. São essas as razões que a levam a partir em busca de respostas. Mas a perigosa jornada até a cidade Coração é apenas o início da aventura e, contando apenas com a proteção de um amigo inesperado, Ana está longe de imaginar que o seu mistério se prende com o coração da própria cidade.

Opinião por Rita Verdial:

Grande surpresa este livro! Quem espera um clássico Jovem Adulto com fantástico à mistura e um triângulo amoroso, pode esquecer. Incarnate é tudo menos isso, felizmente!


Antes de passar ao conteúdo, que é o que mais interessa, não quero deixar de referir o belíssimo trabalho da editora com a edição deste livro, não só pela tradução, mas também pelo cuidado em manter o seu interior semelhante ao original, com todos os seus detalhes.

No que respeita à obra em si, gostei imenso da temática, penso que nunca tinha lido nada de literatura fantástica que abordasse Almas e reencarnação, e o melhor, de uma forma pouco ou nada religiosa (pelo menos da forma como eu vejo a religião cristã).
Penso que Jodi Meadows esteve muito bem, pois conseguiu tecer uma belíssima história capaz de cativar o leitor, bem como de o fazer reflectir. E se a nossa essência perdurasse eternamente? E se estivéssemos "condenados" a regressar vida após vida e sempre com consciência do que já vivemos, bem como com a sabedoria já adquirida?

Para além de elementos fantásticos como dragões e silfos, uma cidade criada por Janan (o Deus que supostamente dá vida às Almas) cujo templo e muralhas têm batimentos cardíacos e irradiam uma estranha luz, temos também um bonito romance. Não daqueles superficiais e irrisórios à primeira vista, sem sentido e que me fazem revirar os olhos (muito comuns em livros para Jovens Adultos), mas sim dos que se vão desenvolvendo a pouco e pouco com pequenos gestos e que parecem ter aquela cómica fase de negação.

Outro aspecto positivo de Incarnate são as personagens. É verdade que não são muito complexas, mas conseguem chegar até nós e despertar emoções, o que para mim é de extrema importância. Adoro quando um personagem me consegue enraivecer e fazer detestá-lo, no bom sentido, ou quando me faz sentir empatia e desejar que tudo corra bem. Neste caso em particular leia-se Li e Ana, respectivamente (por exemplo).

É sem qualquer dúvida que recomendo esta história aos amantes de literatura fantástica que procurem novos mundos para explorar, pois apesar de ser mais ligeira, é uma leitura extremamente agradável.
Incarnate parece ser uma trilogia cheia de potencial.