sábado, 31 de maio de 2014

Feira do livro - compras









Foi realmente proveitoso a ida à feira do livro, acima de tudo pelo convivio com a malta amiga e ir à banca da SDE, que diga-se estava muito bem composta, estes são os livros que vieram de lá, faltam dois que tive direito da Nora Roberts, que são para a corva ler nas férias :)

Já percebi que trouxe o 2 volume do Peake, nada que não se resolva e ainda comprei mais um livro do João Barreiros (Se Acordar antes de Morrer, recomendação do Marco Lopes, como se lembram)

Oferecidos pelo amigo Ubik:

Os Extremos de Christopher Priest
JEM a Construção de Uma Utopia de Frederik Pohl
Neuromante de William Gibson
O Egiptólogo de Arthur Phillips
O Corpo e o Sangue do Inquisidor de Valério Evangelisti
Dinheiro Molesto de Vodohouse


Mesmo não estando nos meus dias foi bom rever malta, para mim o maior prazer que a feira do livro me proporciona, malta do Forum BANG, malta que convivo aqui no blog, valeu bem a pena e são estes os livros que devo ler de seguida :)

Já lá foram ? O que compraram ? :D


Edit: O Guardião dos livros eheheh

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A Antologia - Os Anos de Ouro da Pulp Fiction Portuguesa



Sinopse:

Poucos o sabem, mas a literatura de pulp fiction, que marcou toda a cultura popular dos EUA na primeira metade do século XX, também esteve presente em Portugal, e em força.

Houve um tempo em que heróis mascarados corriam as ruas de Lisboa à cata de criminosos; em que navegadores quinhentistas descobriam cidades submersas e tecnologias avançadas; em que espiões nazis conduziam experiências secretas no Alentejo; em que detectives privados esmurrados pela vida se sacrificavam em prol de uma curvilínea dama; em que bárbaros sanguinários combatiam feitiçaria na companhia de amazonas seminuas; em que era preciso salvar os colonos das estações espaciais de nome português; em que seres das profundezas da Terra e do Tempo despertavam do torpor milenário ao largo de Cascais; em que Portugal sofria constantes ataques de inimigos externos ou ameaças cósmicas que prometiam destruí-lo em poucas páginas, antes de voltar tudo à normalidade aquando do último parágrafo. 

"Uma selecção magistral da melhor pulp portuguesa do início do século XX. É o regresso vigoroso do género literário que o Estado Novo tentou obliterar"
-José Manuel Lopes, especialista em H. P. Lovecraft

Opinião:

Assisti à apresentação desta antologia no Fórum Fantástico com direito a vários autógrafos e tudo. No entanto, esteve tanto tempo na minha estante à espera para ser lida, que nem me apercebi da maravilha que aqui se encontra. Este livro não é uma pérola é sem duvida uma relíquia e só vem confirmar que ainda tenho muito por descobrir das antigas publicações da Coleção BANG!.

Para mim, o trabalho realizado pelo organizador Luís Filipe Silva, é extraordinário a todos os níveis, sendo que as introduções a cada conto conseguem ainda ser melhor que os próprios contos, tal a criatividade e a forma como o livro nos é apresentado, com imensas ilustrações, diferentes fontes e paginações, no fundo o aspeto gráfico é muito bom, vale bem a compra deste livro.

Relativamente aos contos propriamente ditos, e mesmo não sendo adepto deste tipo de histórias, houve contos que me agradaram muito e que valem bem a pena serem lidos, outros que se leem bem e um ou outro que me agradou menos. Mas isso é normal, de uma forma geral, estão todos a um nível muito bom e fazem com que este seja o melhor livro de contos que li.

Desde Western, Terror, Fantasia, FC, Espionagem são vários os géneros que aqui encontramos, mas há um conto que, a meu ver se destaca dos restantes, ficando a um nível mais alto do que os restantes e que é o conto final do João Barreiros, "Mais do Mesmo", que maravilha a sua escrita, criatividade e ironia. Fiquei rendido ao seu talento, tenho mesmo de remediar e ler mais trabalhos seus.

Talvez mesmo "A Noite do Sexo Fraco" de Ludovico Bombarda (a ironizar o Estado Novo e o seu lápis azul) possa estar ocupar o segundo lugar nas minhas preferências mas como referi não há nenhum conto mediano, estão todos a um nível muito bom, penso que já é tempo de fazer mais uma antologia deste género, trabalho excelente.

Parabéns à Editora pela publicação desta antologia, merece todo o sucesso e acredito que tenha sido feita sem o intuito de fazer lucro, mas que o merecia é um facto. Fantástico!

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Fala-nos de um dos teus escritores favoritos


Biografia:

Dan Simmons nasceu em 1948 em Peoria, Illinois. É conhecido fundamentalmente pelo seu romance Hyperion, que lhe valeu um prestigiado prémio Hugo. Os outros livros da conceituada série são The Fall of Hyperion, Endymion e The Rise of Endymion. Mas Simmons não escreve apenas FC. O seu talento versátil permite-lhe explorar outros géneros, como a fantasia, o horror, o thriller e até o policial. Um exemplo típico da sua capacidade de misturar géneros é o clássico A Canção de Kali. Licenciado em Educação pela Universidade de Washington, em St. Louis, Simmons foi professor até 1989. Desde cedo começou a escrever contos, mas a sua carreira só descolou em 1982. Hoje é considerado um nome incontornável da ficção especulativa. Visite a página do autor em www.dansimmons.com Prémios:World Fantasy Best Novel winner (1986) : Song of KaliWorld Fantasy Best Short story nominee (1989) : MetastasisHugo Best Novel winner (1990) : HyperionWorld Fantasy Best Novel nominee (1990) : Carrion ComfortBram Stoker Best Novel winner (1990) : Carrion ComfortBritish Fantasy Society Best Novel winner (1990) : Carrion ComfortBram Stoker Best Novellette nominee (1991) : Entropy´s Bed at MidnightWorld Fantasy Best Collection nominee (1991) : Prayers to Broken StonesBram Stoker Best Collection nominee (1991) : Prayers to Broken StonesHugo Best Novel nominee (1991) : The Fall of HyperionNebula Best Novel nominee (1991) : The Fall of HyperionBram Stoker Best Collection winner (1992) : Prayers to Broken StonesBram Stoker Best Novel nominee (1992) : Summer of NightArthur C. Clarke Award Best Novel nominee (1992) : HyperionWorld Fantasy Best Short story winner (1993) : This Year´s Class PictureBram Stoker Best Short story winner (1993) : This Year´s Class PictureBram Stoker Best Novel nominee (1993) : Children of the NightBram Stoker Best Novella nominee (1994) : FlashbackWorld Fantasy Best Short story nominee (1994) : Death in BangkokBram Stoker Best Novellette winner (1994) : Death in BangkokBram Stoker Best Collection nominee (1994) : LoveDeathBritish Fantasy Society Best Novel nominee (1996) : EndymionBritish Fantasy Society Best Novel nominee (1997) : The Rise of EndymionHugo Best Novel nominee (1998) : The Rise of EndymionHugo Best Novel nominee (2004) : Ilium


Bem o exercício é simples de fazer e apenas é válida uma escolha, não quero que se cansem muito, depois partilhem a vossa escolha e já agora porquê ;)

Dan Simmons foi um escritor que descobri ao acaso no ano passado e admiro a sua versatilidade, o estudo que faz prévio para dar consistência quer ao enredo quer às suas personagens, a forma como as descreve, a sua escrita fluída e por vezes descritiva mas sempre feita de forma inteligente e consistente, tornou este escritor como o meu preferido e acreditem não foi uma escolha fácil :)

Podem consultar os seus livros publicados por cá, aqui

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Os Portugueses também escrevem FC e da boa!!! - Uma (possível) Iniciação à Ficção Científica

Portugal, apesar de tudo o que à partida possa parecer, sempre teve colecções de Ficção Científica, em maior ou menor número, como mais ou menos sucesso. Como ainda hoje se pode verificar grande parte dos autores que as constituem são de Língua Inglesa e um ou outro de outras nacionalidades que conseguem furar este bloqueio, mas os nomes Portugueses raramente eram (e são) vistos. Fruto de um iliteracia que grassou na nosso País até bastante tarde e que ainda hoje estamos a tentar apagar e de dos já referidos preconceitos e ainda de outros motivos que não enumerarei para não me tornar maçador, Portugal nunca teve escritores de renome na FC, ou pelo menos nunca escritores que tenham atingido níveis de popularidade suficientes junto do grande publico. A primeira vez que se viu um conjunto de escritores de Língua Portuguesa a atingir não só o sucesso (relativo), mas também a mostrar o quão bons eram terá sido na colecção de bolso Caminho Ficção Científica e esta só apareceu em força na segunda metade da década de 1980. Este facto deve-se a vários factores, mas o principal será sem duvida o Prémio Editorial Caminho de Ficção Científica. Infelizmente estes autores (e a própria FC) nunca conseguiram chegar ao grande publico e extravasar para além do gueto a onde ainda hoje se encontra. Mas os autores que conseguiram vencer estas adversidades todas tornaram-se grandes, pelo menos neste gueto e tem a obra que o comprova. 





Se Acordar antes de Morrer de João Barreiros - João Barreiros é o maior autor de FC Português vivo e mesmo depois de morrer vai continuar a ser pois ainda ninguém conseguiu chegar perto da sua genial escrita e da produção, mais ou menos continua, que tem mantido ao longo de mais de trinta anos de carreira e apesar de adorar o que o escreve escrevo isto com tristeza pelas razões óbvias. Terrarium será sem sombra para duvidas a sua obra mais conhecida e elogiada, considerado por muitos como a melhor obra de FC da Língua Portuguesa, escrita em conjunto com Luís Filipe Silva. A sua escrita tem como marcas o humor negro, o sarcasmos e um desapego pela esperança, alias suspeito que esperança é uma palavra que não consta do seu dicionário. Quanto à forma de escrever prefere o conto e as noveletas.
Dos muito poucos livro que se encontram no mercado destaco o seu ultimo: "Se Acordar Antes de Morrer". É a compilação de muitos contos e noveletas que estavam espalhados pelo ai. Acho uma boa escolha pois dá uma perspectiva bastante abrangente da sua carreira. Já falei dele e podem (voltar) a ler neste link: Opinião - Se Acordar Antes de Morrer de João Barreiros




O Futuro à Janela de Luís Filipe Silva - Com apenas vinte e um anos Luís Filipe Silva ganhou o Prémio Editorial Caminho de Ficção Científica em 1991 com a obra "O Futuro à Janela". A sua obra não se esgotou aqui, continuou com "Galxmente" ("A Cidade da Carne" e "Vingança"). Como acontece com o João Barreiros (com quem colaborou) muita das suas obras encontra-se em forma de conto e de noveletas e claro espalhadas por ai. Se com o João Barreiros a esperança não existe no que já li do Luís existe sempre um nota positiva nos seus trabalhos o que é bastante agradável, pelo menos para mim.
Dos (ainda menos) livros que se podem encontrar eu aconselho "O Futuro à Janela" não só por ser uma obra premiada, mas porque é um belo livro para se ler. O outro aspecto é que num acto de altruísmo sem paralelo o autor colocou-o a disposição de todos no formato pdf e grátis neste link: O Futuro à Janela de Luís Filipe Silva, revisto e com uma das mais belas introduções que já li. Aconselho ainda uma visita ao se site o TecnoFantasia onde poderão encontrar este e mais contos seus e de outros autores.




As Atribulações de Jacques Bonhomme de Telmo Marçal - Se existe um autor que se tem "escondido" das luzes da ribalta será Telmo Marçal pois pouco, para não dizer nada, se sabe dele, excepto que tem neste "As Atribulações de Jacques Bonhomme" uma excelente cartão de visita. Na verdade é uma antologia que reuniu um conjunto de contos previamente publicados em varias revista e sites e em vários formatos, à imagem de  "Se Acordar Antes de Morrer" do João Barreiros. Mas as parecenças não ficam por aqui. Também com Telmo Marçal não há esperança, nos seus contos a cor é cinza quando não é mesmo negra. Depois de ler "As Atribulações de Jacques Bonhomme" a minha esperança num autor que pegasse no manto do João Barreiros teve novo alento, mas infelizmente nunca mais li ou vi nenhum escrito dele fosse onde fosse. Ficou este livro que agora está a um preço irrisório, aproveitem.




A Saga Alex 9 de Bruno Martins Soares - Começou por ser uma trilogia publicada sob um pseudónimo, Martin S. Braun, na extinta colecção TEEN da Saída de Emergência (mas só publicaram os dois primeiros volumes) e acabaram por publicar um só volume na colecção Bang! já sob o nome verdadeiro do autor, Bruno Martins Soares. Ainda não li este livro, e não foi por falta de insistência de muitos amigos e boas opiniões que já li, mas nunca aconteceu (eu sei, eu sei...). A história mistura Ficção Científica e Fantasia, mostrando que os dois géneros conseguem não só conviver, mas também unir-se (embora me parece ser mais(?) FC....). É um autor novo (no panorama editorial) e que fez bastante sucesso junto dos leitores. Coloco cá este livro por sugestão do amigo Fiacha. 



Z de Manuel Alves - Não podia deixar de fora o autor que para mim carrega aos ombros a nova FC Portuguesa: Manuel Alves. Ele tem sido um autor tão falado no meu no blog O Senhor Luvas que acho quase redundante dizer seja o que o for, mas vou tentar para os que ainda não o conhecem. É um autor de grande talento e que ainda está a começar a sua carreira por isso é de esperar que ainda vá melhorar mais. Dos vários contos de FC que já li destaco aquele que foi a minha porta de entrada na sua obra: Z, embora qualquer um pudesse aqui estar. Podem encontrar a minha opinião deste conto neste link: Opinião - Z de Manuel Alves e se ficaram curiosos podem também encontrar este conto completamente grátis neste link: Z de Manuel Alves.



Chega ao fim esta serie de "Uma (possível) Iniciação à Ficção Científica". Espero que tenham gostado, mas também que tenha sido útil para compreender melhor o que é a Ficção Científica e como ela é vasta nos temas e autores. Espero também que leiam alguns dos livros que destaquei e gostem. Fica prometida uma nova incursão pelo mundo da FC um dia deste, até lá boas leituras de FC.

domingo, 25 de maio de 2014

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Amizade

Depois de uma pequena ausência que foi certamente sentida por muitos, a Guardiã do Tempo brinda-nos com um pergaminho dedicado à amizade. Pela minha parte e em nome de uma certa raposa, muito obrigado Guardiã, por este belo texto em que a amizade é a rainha...

Crónicas do Corvo Negro - Pergaminho da Amizade


Cada ser tem uma história para contar. Cada sopro da vida guarda um caminho repleto de desígnio e aprendizagem. Em cada caminho que desenha o destino, muitas são as estradas a escolher, e o solo, nem sempre se revela firme e direito para bem o percorrer, e, por vezes, encontram-se encruzilhadas. Estas, por vezes confundem, distraem, alteram o horizonte previsto, mas, por certo, levam à melhor estrada do destino, até ao derradeiro fim, numa saudação de “viveram felizes para sempre”.

Este caminho que se mostra insondável, requer exigências para a sua vivência. Requer força, coragem, humildade, honestidade, sacrifício e amistosidade. Para isso, a vida precisa de um outro sopro, aquele que nos mantém acordados enquanto damos os passos que nos definem e escrevem o nosso caminho para o futuro; aquele que nos segura e protege quando damos um passo em falso, ou aquele, que celebra e recompensa quando damos um passo certeiro.

Este sopro chama-se amizade. Não é fundido apenas de um esplendoroso sentimento interior que nos faz sentir bem, ele é simplesmente, um elemento essencial para a sustentabilidade e poder da coragem, da alegria e da perseverança, em todas as conceções da nossa vida.

A palma dada em união consagra a força de um trato que nasce na alma e é tocada pela adoração que nos sustém firmes e importantes na existência de alguém. Uma presença que jamais se desvanece esteja onde estiver, pois a distância, é apenas uma ponte para a saudade e nunca por ela se perde o valor da amizade.

A amizade é, assim, o ramo da vida que sustém o berço da nossa existência. Serve de manta que nos abraça e acolhe no destino misterioso que move o nosso caminho. Aguenta firme debaixo da lágrima de dor e de sofrimento. Aperta com força o sorriso satisfeito e honesto. Assiste ao crescimento através dos passos dados da vivência e conforta na nostalgia os mais vastos pensamentos. Nutre sentimentos fortes na alma de alguém e nesse alguém acresce, transforma, modifica e completa a sua própria vida.

A amizade é o melhor companheiro para a longa viagem que é viver, é o suporte para essa longa caminhada. É simplesmente sorrir sem razão e por todas as razões, é chorar sentindo a dor do outro e fazer crescer uma dor em nós, é respeitar mesmo sem aceitar as suas decisões, é abraçar por apetecer, é estar presente por dever, é brincar por prazer, é alegrar por compensar. 

Tudo isto e muito mais, far-nos-á um bom amigo. Recompensá-lo do seu esforço e amizade é abrir-lhe as portas à fortuna do coração.

O Fiacha nasceu através dos ramos da amizade que suporta todo um solo de belas árvores. Em conjunto formam a floresta mais resplandecente. 

O membro do que vos falo neste pergaminho, foi presenteado com um tesouro magnífico oferecido por uma membro muito querida, também do Fiacha, uma amiga para a qual, não chegam palavras para abraçar tamanha amizade que lhe sinto, assim como, ao fantástico amigo Corvo Negro. Por ele, nasceu o excelso continente Fiacha.

Este pergaminho é do passado. Narra um momento especial dos muitos momentos especiais que aconteceram no caminho deste membro. Sob a magia do pergaminho, começa a viagem até ao momento recordado.

Na gema de um país verdejante e caloroso existiu, outrora, o grande livro das histórias. Nele abarcava variadíssimos relatos, de variadíssimos géneros literários, escritos por variadíssimos escritores. 

Era um livro muito especial, pois nele, eram guardadas todas as histórias então criadas.

Na sua capa grossa, havia gravado uns símbolos, que mais não eram, a profecia do futuro do próprio e magnífico livro.

A profecia, assim, um dia se cumpriu. Aos poucos, tudo começou na margem das páginas folheadas ao vento. O grande livro desfazia-se em fragmentos, que voaram sobre a mão da brisa que os ordenava, sem os deixar destruir em mais mil pedaços. Aos poucos, esses próprios fragmentos ganharam vida numa metamorfose de asas nascidas, e dela, formosas e imensas mariposas se formaram ao som da melodia de uma voz em murmúrio, a voz do conhecimento que se presenteava ao mundo.

As mariposas soltavam-se das páginas do grande livro consumindo a sua riqueza literária. Ainda espectros, voaram direitos no vento faminto de erudição, que os espalhou pelas estradas deste mundo. As asas arrastavam uma fragrância adocicada, que abraçada pela brisa, polinizava espalhando-se pelo ar como um atractivo ao saber. 

Ao longo do voo, afastaram-se umas das outras, levando cada uma consigo as próprias experiências literárias de que fizeram parte no grande livro, desempenhando a importante função de portadoras das suas mensagens. 

Uma mariposa em especial, voava alegremente sobre o corpo verde da terra que a tentava alcançar com os seus longos e rochosos braços erguidos ao céu. Naquelas terras a brisa era quente e o manto de luz era um enlaço de agradáveis sensações. A vista periférica era maravilhosa, o belo horizonte.

Apesar desta pequena e magnífica criatura deter dentro de si um saber imenso, a verdade é que, conforme a sua figura espectral, ela sentia-se só e perdida, invisível num espaço imenso de saberes e novidades. Ainda não teria percebido, à altura, o poder que detinha dentro de si, a capacidade para tecer um mundo de sonhos harmoniosos e conhecimentos infinitos através da sua experiência literária e demais vivências. 

Então por isso, permanecia tão translúcida, até ver-se devidamente cumprido, o desígnio que a aguardava.

Voou por longos dias e noites cruzando-se com a geração de luas brilhantes e com o envelhecer do sol que se vestia conforme a vontade. As nuvens testemunharam o seu voo longínquo por outros horizontes que se perdiam pelo mar. 

Não deslumbrou, a pequena mariposa, que o horizonte desenhava-lhe um desígnio frutuoso, com a vista de uma bela terra. Terra de história que corre e enaltece nas veias do homem impulsionando-o a cumprir destinos honrosos e fortuitos.

Continuou a voar como se permanecesse sobre o mesmo vale do belo horizonte e foi tomada por uma bruma misteriosa que a rodeou, como se de uma capa protectora se tratasse. Quando finalmente olhou à sua volta deparou-se com um lugar lindíssimo e mágico, jamais visto ou contado sequer nas histórias de que nascera.

A bruma sabia a mistério envolto de sabedoria. As árvores aligeiravam-se de mansinho na brisa oculta, as folhas pareciam falar umas com as outras. O solo tocado pelo musgo húmido da manhã, decorava aquela serra com um tapete de vida e cor. Sobre um rochedo, entre fetos e líquenes juvenis, um manto laranja puro com traços de um castanho-bolota, decorava a paisagem. 

Aproximou-se e sentiu aquela textura macia e quente, e, nela se aconchegou e dormitou. O rochedo entretanto moveu-se obrigando a mariposa a levantar voo urgente antes mesmo de ficar presa debaixo do estranho manto. Obrigou-se a pousar sobre o focinho do manto que espirrou. Fascinada pelo manto vivo, a mariposa cumprimentou o que confirmara ser uma formosa raposa.

Encontrava-se, esta, a dormitar tranquila sob o berço de um rochedo tocado pelas raízes graúdas de uma árvore, debaixo da enigmática e mágica bruma da serra de Sintra. Quem não conhecesse aquelas brumas poderia facilmente cair no abismo das suas miragens. Louco chamar-se-ia àquele que não valoriza os espessos mantos de mistério, pois a partir dele se descobrem e se conhecem outros tempos e outros mundos. Naquele dia em especial, a raposa sentiu-se atingida pela ousadia da bruma que lhe ofereceu uma imagem diferente, uma mariposa toda ela branca espectral que pousara sobre a sua cabeça como procurando abrigo.

Espantada, a raposa pediu a graça de tão bela criatura, admirando-se da sua figura tão semelhante à fada da serra. Mas aquela, não era uma fada, ainda que, nas suas veias corra semelhante magia. O seu nome traduzido em várias línguas significa “digna de amor”, “amável”, “digna de ser amada”, e não menos que isso, soou tão terno o nome Amanda.

Revelou-se a mariposa, contando, em género de segredo, que nascera do grande livro das histórias. A noite não deixava cair sobre a serra a profunda escuridão que envolve o resto do mundo, especialmente ali, um luar tão misterioso quanto aquele lugar, iluminava o espaço, iluminando igualmente, curiosa e alegre, a história que a mariposa contava à amiga raposa.

Sem se aperceber, surgiram de todos os cantos da serra outros seres que se aproximavam para ouvir a história do grande livro das histórias e como aquele se transformara em mariposas como uma função tão peculiar. 

Um pisco assobiou extasiado no ombro da amiga raposa, pirilampos com os seus corpos luminosos formaram um palco, sobre o qual, a mariposa narrava, e outros, desenhavam a história enquanto esta era narrada. Grilos juntaram-se produzindo uma melodia divertida dando sonância ao relato. Pequenos e reguilas ginetos de Sintra ganharam coragem e chegaram mais perto para ouvir as palavras da mensageira. Mais habitantes da serra foram chegando e um vasto grupo de ouvintes se formou, numa histeria de diversão e curiosidade. No cimo do ramo da árvore estava um amigo comum, o grande amigo Corvo Negro, deslumbrado por tal criatura.

Depois da sua história, todos partiram para as suas casas espalhando o encanto daquela noite ao luar na serra misteriosa. Todos, com excepção dos amigos raposa e Corvo.

Apesar da alegria que a invadiu, a pequena mariposa, revelou a tristeza que lhe contornava o olhar. Confessou aos novos amigos a dor que sentia na sua alma. 

- Sou um espectro, sou invisível para o mundo. Como irão os outros reparar em mim e ouvir as histórias que conheço? Como vou espalhar as histórias do grande livro? – desabafava triste baixando as suas asas, tocando-as com as suas pequenas mãos e apertando-as contra si.

A raposa ofereceu-lhe o seu maior bem como amiga, um sorriso. Não foi um sorriso qualquer, pois nele, envolvia a mais pura magia. Era um sorriso de conforto, de paz e de genuína amizade. Tocou-lhe na cabecita com jeito e depois de puxar um pêlo da sua pelagem, enrolou-o e ofereceu-o à mariposa. Soprando a brisa de Sintra, tocado pela oração da raposa, aquele fio laranja transformou-se num novelo de linha. Uma linha tecida pela A que brilha, nome de que era conhecida a sábia raposa da serra de Sintra. O novelo era envolto de uma aura que fazia dele um novelo sem igual.

Revelou-lhe, A que brilha: 

- Leva este novelo contigo. Quando contares as histórias do grande livro, com elas tecerás belas tapeçarias literárias. A linha tecerá da cor dos sentimentos e através deles criarás belos padrões. E não te preocupes – dizia numa voz terna - o teu corpo espectral irá colorir com os sentimentos que os outros nutrirem por ti, presenteados pelas tuas belas tapeçarias. Não receies, os teus amigos adorar-te-ão quer seja a tua forma e cor, os seres tornam-se especiais pelo padrão do seu coração, essa é a nossa verdadeira natureza e forma.

Os anteriores ouvintes espreitavam por detrás das árvores trazendo consigo novos amigos. O novelo de linha envolveu a mariposa com a sua aura e desvaneceu-se no seu pequeno corpo. Então, sentindo o abraço dos seus amigos, a mariposa deixou o seu aspecto espectral e o seu corpo ganhou imediatamente cor, as suas asas resplandeciam num padrão colorido com formas exuberantes e exóticas e transformou-se na mariposa mais sublime do belo horizonte. 

O Corvo Negro agitou as asas num orgulho cheio e transportou a mariposa sob as suas enormes asas dando-lhe a conhecer o Fiacha. As gargalhadas alegres encheram o sítio de felicidade e deu mais vida ao mundo.

A mariposa jamais voltou a perder o colorido, e com a linha d’A que brilha, e o abraço de amizade dos seus amigos, tece belas tapeçarias com as suas experiências literárias onde as expõe na sua harmoniosa casa, a que, chamou de A menina e o vento. 

Para o reencontro dos membros no salão, o Corvo Negro, grande amigo da mariposa, apenas precisou de deixar a brisa levar o seu chamamento. De imediato, as asas da mariposa bateram velozes direito ao castelo. E em pouco tempo se avistava no horizonte do admirável e diversificado Fiacha. Neste lugar imenso, existe e permanece um lugar marcado para cada bom amigo do nobre Corvo Negro, e a cada, um abraço saudoso e agradecido é-lhe esperado na lembrança de tão forte e genuína amizade.

A amizade deve ser rejuvenescida numa histeria diária de lembrança, para que, a semente seja forte e que a presença se mantenha permanente e incansável, para se colher os seus frutos mais doces e a sua árvore, com raízes fortes e seguras, jamais se extinguirá.

Que tal um desafio? Abraça um bom amigo hoje, pois no amanhã, a árvore da amizade voltará a florir e jamais passarás fome de felicidade.

A todos os amigos…

A Guardiã do Tempo 

quarta-feira, 21 de maio de 2014

"As Fogueiras de Deus" de Patricia Anthony

Serão anjos com a palavra de Deus? Ou serão demónios enviados 
para desviar as pessoas da verdadeira fé?


Sinopse

Um romance histórico com laivos fantásticos, passado no Portugal medieval.
Em Portugal, onde a Inquisição é a única detentora da verdade, o padre Manoel Pessoa começou a escutar estranhas confissões dos habitantes de Quintas, um povoado perto de Mafra. Falam de inexplicáveis luzes no céu... De anjos que se deitam com as mulheres da aldeia... De virgens que dão à luz....
Mas o mais estranho é que algumas pessoas, incluindo Sua Majestade, o rei Afonso, viram um navio em chamas a cair dos céus. Do seu interior surgiram criaturas fascinantes no seu silêncio e grandiosas na sua estranheza. Serão anjos com a palavra de Deus? Ou serão demónios enviados para desviar as pessoas da verdadeira fé? A Inquisição está determinada a descobrir a verdade... e talvez não falte muito para que o cheiro das suas fogueiras se espalhe pelo reino.


Por certo, existem inúmeros livros que nos falam deste período da História da Humanidade, quer históricos, quer romanceados. A Inquisição desperta em todos, um sentimento de repulsa (para não referir algo mais forte e ferir susceptibilidades em termos de linguagem) que inspirou, e continua a inspirar, muitos escritores profissionais e amadores. 

No entanto confesso que em nenhum senti um sentimento tão forte como ao ler este livro de Patrícia Anthony. Porquê? Não sei responder ao certo, mas a sua escrita tem o dom de nos colocar lado a lado com as personagens, com a vida daquela pequena aldeia, no concelho de Mafra, com os seus sentimentos, dúvidas e desejos. 

As dúvidas existenciais da fé divina assolam-nos e vemos-nos perante a mediocridade das altas esferas do clero da época, a sua podridão e os seus vícios face a face com a ingenuidade e a simplicidade do “pastor do rebanho de Quintas”. Pelo meio deste dueto, Manoel Pessoa, jesuíta e inquisidor itinerante, que viaja de aldeia em aldeia, não se encontra preparado para o que vai encontrar, acontecimentos que questionarão grande parte dos seus valores e da sua vida.

Todas estas questões que nos são apresentadas de uma forma sarcástica e cheia de ironia, acabam por se revelar, na minha opinião, a componente essencial da história e acabam por nos envolver de tal forma que somos atingidos bem em cheio pelo final lancinante.

Mas, falando um pouco mais dos personagens e dos acontecimentos….

D. Afonso VI, o jovem Rei de Portugal, que revela alguns problemas de raciocínio (como é sabido da história de Portugal, sendo sucedido pelo seu irmão D. Pedro que lhe usurpa o trono, precisamente nesta época) e que parte à procura dos moinhos de vento quixotescos. Quando vê uma estrela cadente a cair e a embater na superfície terrestre, resolver partir para observar melhor o local onde esta caiu, que não é mais nem menos que junto a Quintas.

Manoel Pessoa, na sua volta habitual enquanto inquisidor, depara-se com um conjunto de situações extraordinárias que revolucionam a vida da pacata aldeia. “ Fornicações” como lhe refere D. Inês, em confissão, ”Eles chegam de noite e ….. “ . A pequena Marta que jura ter visto e falado com a Virgem , e a jovem Maria Helena que engravida de um anjo sem nunca ter perdido a virgindade - virgo intactus

Uma bela herbologista que inspira o receio entre a população, que a crê como uma bruxa, e que se revela como amante de Manoel Pessoa. 

O padre da aldeia, um humilde franciscano com alguma idade, que defende o seu rebanho até aos últimos momentos.

O Monsenhor Gomes, inquisidor-mor, que se coloca acima de todos, identificando os culpados das histórias heréticas e que, ultrapassando todas as barreiras legais acaba, através do seu poder, de julgar inocentes, lançando-os nas “fogueiras de Deus”.

A queda de uma nave extraterrestre, porque assim o é a tal estrela cadente, num meio tão hermético de ideias e de desenvolvimento, surge como uma heresia, uma clara obra de Satanás. 

Os seus passageiros, três seres misteriosos e estranhos que são identificados como querubins ou mesmo anjos, que falam com os seus olhos profundos e negros na mente das pessoas, despertando nelas sensações diferentes de paz ou de trevas consoante o coração e /ou inocência de cada um.

As personagens envolvem-nos, como já referi, a história toca-nos e somos levados pelo caminho que leva à perdição, pois acabamos por questionar a Santa Igreja e as suas maquiavélicas atitudes e julgamentos preconceituosos. 

O final é terrível e (perdoem-me os spoilers) esperamos até ao último momento um desenlace diferente, mas a realidade era outra nesse tempo e não conseguimos deixar de sentir o cheiro e os gritos lancinantes, como se fizéssemos parte daquela pequena aldeia, que nunca mais será a mesma, tal é a intensidade com que os factos são narrados.

Um livro obrigatório que apresenta uma linguagem e uma crítica social muito forte. 

A tradução de João Barreiros parece-me excelente (digo parece-me, apenas porque não li o original) e está muito adequada aos termos locais e próprios da época, há um trabalho muito bom nesse sentido e que me parece ter sido em grande parte um contributo do próprio tradutor.

Sendo um livro classificado como FC ou não, este facto não interessa, pois o que aqui predomina é mesmo esta crítica mordaz à época e à Inquisição, feita de uma forma magistral por Patrícia Anthony.

Uma excelente aposta da Saída de Emergência.

Este comentário também se encontra publicado no meu blogue folhas do mundo

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Não sabia que era FC - Uma (possivel) Iniciação à Ficção Científica

Como se pode ler no texto Ficção Científica - Mitos, Preconceitos e Estereótipos muitas vezes as editoras e os autores fazem uns "truques de magia" com as classificações dos livros e em vez de lá vir Ficção Científica vemos "termos técnicos" como Eco-thriller, Literatura Lusófona, Romance e sei lá mais o quê, tudo menos admitir que é FC, ou também FC, porque um livro pode muito bem pertencer a dois géneros, não existem limites rigidamente definidos. Muitas obras pertencem a pelo menos dois géneros. Nas criticas e/ou publicidade que é feita a estes livros gostam muito de utilizar palavras como "Alegoria" (ou sinónimos). Mas atenção que  este "fenómeno" não acontece apenas com livros de FC, os livros de Fantasia são outros dos visados nestas "campanhas". Portanto nada mais natural que até já tenho lido algum livro que preencha muitos dos predicados da FC, mas que tenha sido "camuflado".
Alguns são de autores bem consagrados outros (ainda) não, mas todos têm uma "costela" de FC por mais que tentem nega-lo dizendo coisas com "esta alegoria...". Eu dou-lhes a alegoria dou...





Ensaio sobre a Cegueira de José Saramago - Surpreendidos? Um laureado com o prémio Nobel a escrever Ficção Cientifica? O nosso Nobel da Literatura, José Saramago? Não é possível, é? Bem tanto é possível que aqui está. Permitam-me delinear os contornos da história para os que a não conhecem: uma estranha doença que deixa as pessoas cegas, um cegueira branca. Acompanhamos um dos primeiros doentes e a sua mulher, que por qualquer razão é imune, mas que prefere acompanhar o marido. Os doentes são colocados em quarentena em condições que se vão degradando cada vez mais. O principal desta história não é diferente de tantas outras histórias de FC: um cenário apocalíptico, neste caso provocado por uma doença de origem desconhecida e a exploração de como a Humanidade reage no seu melhor e pior visto através dos "olhos" de um grupo. Nada de novo aqui, já tinha sido feito antes e já foi feito depois, tirando o facto de ter sido escrita por um escritor fora do "sistema" e isso fez toda a diferença na hora de classificar o livro.
Apenas mais dois apontamentos: o primeiro é que este livro, apesar de ter sido uma boa leitura, contém algumas das passagens mais viscerais que eu já li, digo isto à laia de aviso; o segundo é que podem encontrar um interessante artigo intitulado "José Saramago: O Nobel da Ficção Científica" (o título diz quase tudo) da autoria do Jorge Candeias (embora apareça em quase todo o lado o nome José Candeias) na revista Bang! n.º0 leitura que eu aconselho vivamente. 




A Estrada de Cormac McCarthy - Num mundo pós-apocalíptico, onde aconteceu um desastre, nunca especificado, mas que "queimou" a terra um pai e o seu filho percorrem as estradas em direcção ao litoral, numa aventura onde vão passar por varias provações ao mesmo tempo que nos mostram o pior e o melhor da humanidade. Mais uma vez e como no caso anterior o fundamental da historia não é novidade para os leitores de FC, já li outros livros com premissas similares. Mais uma vez a única diferenciação está no autor: Cormac MacCarthy um dos grandes nomes da Literatura Americana (vivo). A criticas preferem dizer que se tratou da sua "mais pura Fábula até aqui" (The Village Voice), e o autor Michael Chabon insistiu que "A Estrada" não era Ficção Cientifica. É uma bonita história, ao longo do livro o autor faz algumas analepses e mostra-nos como Pai e filho ali chegaram, embora sem grandes revelações sobre o incidente que levou a este cenário de destruição. A história centra-se neste dois personagem e na paisagem, que funciona como o terceiro grande personagem do livro. Foi um livro do qual gostei bastante. 



A Manhã do Mundo de Pedro Guilherme-Moreira - A primeira vez que falei neste blog do preconceito para com a FC este livro foi o exemplo flagrante que dei num texto intitulado: A Manhã do Mundo ou o Preconceito na Ficção Científica (num pequeno apontamento este texto não só foi comentado pelo próprio autor, como levou a que ele fosse convidado a participara no Fórum Fantástico desse ano). A história do livro segue aquela velha premissa do "E se...?". Duas mulheres são transportadas (sem que exista qualquer explicação do como) do nosso Universo num dos dias seguintes ao 11 de Setembro de 2001 para um outro Universo, mas para o próprio dia de 11 de Setembro de 2001 sem que disso tenham consciência. Claro que primeiro o autor leva-nos a conhecer esse fatídico dia e algumas pessoas deste lado e as suas decisões para depois nos mostrar como mudando apenas umas "coisinhas" os eventos conseguem ser diferentes. Foi um livro que me deu grande prazer ler, não só pela historia, mas também pela soberba escrita do seu autor e o qual aconselho sem reservas.



O Quinto Dia de Frank Schätzing - Este livro foi catalogado como sendo um "Eco-thriller", sabem o que é? Pois eu também não e tive de ir à procura e o que encontrei define um "Eco-thriller" como sendo um Triller onde existe um conflito com a natureza... Esclarecidos? Pois eu também achei que é um bocado, qual é o termo técnico? Ah pois: estúpido! Na tentativa de fugir ao selo da FC acabam por criar coisas parvas como esta. Mas permitam-me fazer-vos uma pequena sinopse: Estranhos acontecimentos estão a ocorrer em todo mundo, em comum tem o facto de virem dos Oceanos: ataques a embarcações, a destruição dos cabos submarinos de fibra óptica, etc, etc. Uma equipa é formada para estudar estes eventos. E no final temos... bem não quero estragar o prazer da descoberta a ninguém, mas digo meramente que é surpreendente e que não é preciso ir para os espaço para encontrar novos mundos... Não se fiem na sinopse da editora que peca por ser demasiado centrado no lado sensacionalista do livro. Pelo meio temos muita acção e muita reflexão num livro que faz pensar não só no que andamos a fazer ao Planeta, mas também em como o nosso conhecimento dele é ainda diminuto. É também um daqueles livros em que se nota que o autor fez bastante pesquisa. Um aviso aos mais impressionáveis: apesar de quase ser preciso uma licença de uso e porte de arma para andar com este livro na rua e ser preciso uma grua para pegar nele com as suas quase mil páginas, em letra muito pequena, e mais de 1,5 kg é um livro que se lê extremamente bem e rápido (pelo menos comigo foi).




A Mulher do Viajante no Tempo de Audrey Niffenegger - Mais um livro que apesar de usar um tema tão flagrante da FC, as Viagens no Tempo, se o forem procurar só o encontraram nas estantes do Romances. No site da editora Portuguesa, a Presença, o resumo não faz a mais pequena alusão a FC , dando o destaque ao romanceno site da Wook está classificado com Romances, apenas na pagina da Wikipédia se diz "que foi classificado tanto como Ficção Científica como Romance". A historia gira à volta de Henry, um homem capaz de viajar no tempo, mas que não tem controle para quando (e onde) vai, Clare a sua esposa conhece-o com seis anos, ele conhece-a com vinte oito anos. Não estou contra que se classifique este livro como um Romance, pela simples razão de que ele o é, mas também é Ficção Científica e dizê-lo abertamente apenas mostra o quanto a FC é abrangente e que os seus limites estão bastante mais longe do que se pode imaginar.  


E assim chegamos ao fim destes livros que não sabiam que eram FC. Para a semana a quarta e ultima lista: Os Portugueses também escrevem FC e da boa!!!

Este texto foi originalmente publicado no blog O Senhor Luvas.