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segunda-feira, 3 de novembro de 2014

O Dia dos Santos

Com certeza já todos por aqui deverão ter ouvido falar da minha terra natal pois, apesar de ser apenas uma vila alentejana, gradualmente tem-se tornado conhecida um pouco por todo o mundo. Por vezes até aparecemos na televisão, seja pela altura da Páscoa ou em alguma reportagem que fale sobre a passagem dos judeus por Portugal, entre tantas outras ocasiões. Falo-vos de Castelo de Vide, uma pequena vila situada algures entre Portalegre e Marvão, onde podem encontrar imensos vestígios da história Portuguesa e com um vasto património cultural, entre tantas outras qualidades.

Acho que se pegarmos num calendário e apontarmos todas as romarias, festas e outras tradições de Castelo de Vide, dificilmente encontraríamos uma semana em que não se passasse nada por cá. Já vos falei da Páscoa, que é talvez a festa que atrai mais turistas, mas há muitas mais que poderia referir. A Feira Medieval em Setembro, o festival de música alternativa Andanças em Agosto, o madeiro de que arde todos os anos na noite de Natal para aquecer os mais carenciados, entre tantas outras datas importantes e tão nossas.

Este fim-de-semana, como bem sabem, comemorou-se o Dia dos Santos. Sim, eu sei que se comemora em todo o lado, mas em Castelo de Vide existe uma tradição que está cada vez mais a cair no esquecimento. Também há que lembrar que o dia 1 de Novembro já não é um feriado nacional e, como tal, é cada vez mais difícil fazer cumprir a tradição. Em parte porque as crianças não são dispensadas das aulas mas também porque os pais não podem deixar de ir trabalhar para acompanhar os filhos. E isto deixa-me triste pois recordo-me de passar o ano todo à espera que chegasse o Dia dos Santos, que me sabia ainda melhor que o Carnaval.

 Desta vez, o dia 1 de Novembro calhou em sábado o que permitiu que mais uma vez tradição fosse cumprida. Pela manhã, bem cedo, as crianças reunem-se em pequenos grupos e vão pelas ruas, batendo de porta em porta, a pedir os santos. Segundo os mais sábios, neste dia a festa celebra-se em honra de todos os santos e mártires. Cada criança leva uma bolsa, que por cá são as tradicionais bolsas de retalhos onde se guarda o pão, e recebem muitas vezes guloseimas, mas também nozes, romãs, castanhas, maçãs, e até alguns trocos.

As bolsas do pão - imagem retirada daqui


No meu tempo (sim porque já faço parte daquela faixa etária em que se pode usar expressões como esta), juntava-me sempre com uma prima. Temos a mesma idade e fomos sempre da mesma turma. Andávamos sempre juntas, fosse no Dia dos Santos, fosse no Carnaval ou fosse um dia qualquer e nos apetecesse companhia para brincar. E lá íamos nós, ela com a bolsa do pão e eu com a minha bolsa, que não era feita de retalhos, mas sempre tive muito carinho por ela porque foi uma prenda da minha avó paterna. Era toda feita em renda azul clarinha, com um forro a combinar, e é uma das poucas recordações que tenho dela. Todos os anos as bolsas vinham cheias de rebuçados, pastilhas, chupa-chupas, e frutos da época. A minha prima detestava que lhe dessem fruta, principalmente nozes. E se as moedas fossem de 1 escudo, quase fazia caretas às pessoas (felizmente continha-se!). Qual é a criança que gosta de receber moedas de 1 escudo?? Ok, nenhuma. Mas não me fazia confusão. Normalmente eram as pessoas mais idosas que davam moedas pequenas. Se em todas as casas por onde passávamos nos dessem uma moeda de 1 escudo, ao fim da manhã estávamos ricas. Ok, não literalmente. Mas para uma miúda de 5 ou 6 anos, juntar cerca de 100 escudos já era uma pequena fortuna.

 Ao final da manhã voltávamos a casa para o almoço em família. Quando ainda era uma criança de colo, era o meu pai que me levava a pedir os santinhos à casa das tias e das vizinhas, enquanto a minha mãe ia para casa da avó ajudar com o almoço. E o que se come no Dia dos Santos, perguntam vocês? Só coisas boas! Não me perguntem porquê, mas por aqui é tradição comer um prato de papas de milho ao almoço, neste dia. As papas são acompanhadas de açúcar louro, mel ou apenas leite. Como nunca gostei de papas, não percebo quem é que se lembra de comer isto ao almoço (só um parêntesis para dizer que a minha mãe adora….). Passando à frente: migas! Ah que maravilha, não é? Umas belas migas de pão ou de batata, que por cá come-se das duas maneiras, já marchavam! Depois para sobremesa come-se o arroz doce, não por ser tradicional deste dia, mas porque qualquer ocasião especial por cá pede uma travessa de arroz doce à mesa.

Para além disto, também se costuma comer bolo finto, que não é bem uma sobremesa. Funciona mais como um snack ou uma gulodice para qualquer altura do dia. Não há ano que passe sem que chegue a esta altura e me recorde dos tempos da escola primária, em que a mãe de uma amiga (cujo pai era padeiro) entrava pela sala de aula com um saco cheio de bolos fintos mais pequenos, ainda quentinhos. Para além dos bolos serem deliciosos, só o gesto de carinho já nos deixava felizes. Era como o ponto alto do nosso outono: o dia em que nos ofereceriam bolos fintos. Eu sei, como éramos ingénuos…

E porque estou para aqui a contar-vos uma tradição de há minhentos anos e, ainda por cima, a falar-vos em comida? (Já vos falei das migas, certo?)

Porque a tradição está a morrer. E a cada ano que passa há menos crianças na rua a pedir os santinhos e há também menos pessoas a abrir a porta às poucas crianças que ainda o fazem. Ainda ontem encontrei um texto do Nuno Markl em que ele contava como foi a sua noite de Halloween, acompanhando o filho e mais algumas crianças no “trick-or-treating”.

Não tardou para que, de adulto fixe e irresistível, gerindo com bonomia um grupo de divertidas crianças, eu passasse a sentir-me o cabeça experiente de uma organização terrorista, usando os meus pequenos esbirros para espalhar o susto e a angústia entre a terceira idade. 

Uma senhora em roupão lamenta: "Mas eu estava deitada...". 

Outra senhora revela-se tão idosa que não consegue abrir a sua própria porta da rua. Ou então foi incrivelmente inteligente.

Outra senhora, outro roupão: "Eu não estava preparada para isto...". 

"Então vamos ter de fazer travessuras!", respondem os gaiatos, implacáveis. E eu penso: "Mais? Não chega obrigar senhoras de idade a levantarem-se?".


 No meio disto tudo, não percebo porque tentamos todos os anos adoptar uma tradição que não é nossa e que para nós não tem qualquer significado, excepto ser um bom pretexto para tirar os fatos de Carnaval do baú, e em paralelo atirarmos para trás das costas aquilo que é, de facto, nosso. Será que os meus filhos, que um dia terei, irão pedir os santinhos ou pregar partidas pela noite fora?

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Urbania de Carlos Silva



Um e-book que tive o prazer de ler em leitura conjunta, com a participação do escritor, ao qual só tenho a agradecer e que acabou por ser uma experiência muito interessante.

O livro aponta para uma escrita em contos, pois em cada capitulo acabamos por ter personagens diferentes uma das outras, mas com o decorrer da leitura acabamos por perceber que estão todos interligados.

Confesso que estranhei um pouco o inicio dado a complexidade do enredo, afinal Urbania, é uma cidade movida a mudança, em que cada dia uma parte de si era consumida e outra criada, em paralelo com as restantes cidades que são estáticas, onde as suas pessoas vivem no seu dia a dia e pouco dadas a mudanças. 

Mas com o decorrer dos capítulos e a melhor percepção do enredo acabamos por perceber melhor os objetivos do livro, o que o escritor está a tecer e claro tornando-se mais cativante á medida que vamos avançando.

Para vos deixar um pouco curiosos sobre o enredo, e não posso comentar muito pois o livro é pequeno e não quero revelar acontecimentos chave, deixo-vos aqui um excerto com a presença de lobos, mas não como os estamos habituados a ver :


"Senhor presidente, nós não somos um grupo com uma agenda, somos uma força da natureza. Os Lobos sempre existiram em simbiose com a sociedade, herdando-lhe a condição humana pelo sangue e educação, porém somos também a encarnação de algo superior a nós. Chame-lhe um espírito, uma força, uma energia, uma sensibilidade…Eu não sei o que é e não creio que ninguém saiba ao certo. Em tempos fomos chamados de xamãs, de santos, de demónios, de sábios e loucos, quando a nossa única particularidade é trazer a mudança e conhecer a alma do mundo em que vivemos que chamamos de Senhora."


Sendo um livro de cerca de 130 páginas penso que ficou muito bem escrito, onde o escritor mostra que tem imenso potencial (será que este livro foi submetido a alguma Editora pergunto-me), apresenta um universo diferente do que estamos habituados a ler e com um final bem conseguido mas que deixa claramente a pedir por mais, só lendo percebem o que quero dizer. Havia ali tanto por explorar, povo das Brumas, Cipriano e o que representa, como irá ficar Urbania depois dos acontecimentos ocorridos, e por ai fora.

Confesso que quis pagar o e-book , mas não sei se foi por organizar a leitura conjunta o que é certo é que me foi pedido, que depois de o ler, apenas o comentasse de uma forma honesta e só posso dizer que fiquei positivamente agradado com o que li e a suspirar por mais.

Esta é a prova que se pode escrever algo igualmente muito bom sem carregar o leitor com muita informação, o que vai contra a aminha habitual posição de não gostar muito de contos ou digamos, ser adepto de sagas enormes. Pode-se, pois, escrever uma boa história claramente num livro pequeno.

A única falha a apontar ao livro, o Carlos já sabe e tentei fazer com que deixassem de existir, nada de importante, nada que belisque a originalidade do livro a criatividade do escritor, um erro aqui, outro ali, mas nada demais .

Aproveito para informar que quem estiver interessado poderá adquirir esta pequena pérola por menos de um euro, sim leram bem e com edição ilustrada e tudo.

Aproveito ainda para divulgar o blogue do escritor, até este é bem diferente dos demais que vimos por ai e tem imensa qualidade apesar de não ser muito comentado, espreitem que vale bem a pena.




quarta-feira, 17 de abril de 2013

Preço dos livros





Certamente é um tema já demasiado comentado, algo que já viram em vários locais, mas a ideia é por um lado não apresentar apenas comentários a livros, selos oferecidos, divulgar eventos, livros que as editoras vão publicar mas sim colocar questões que nos façam comentar sobre algo que gostamos, livros.

Por vezes achamos os livros demasiado caros e são sem duvida, mas temos que compreender que muito está por trás de um livro para até que este chegue às nossas mãos.

Não pretendo estar aqui a colocar as leis que regem o mercado, certamente que os números apresentados não estão totalmente certos, pois o preço de um livro pode depender de muita coisa, mas o que é certo é que quem tem o processo criativo todo de criar um livro - o escritor -  chega ao ponto de ter que pagar para que o seu livro seja publicado, como já foi aqui comentado no blogue.

Mas afinal quem lucra ou digamos o que envolve a publicação de um livro ?

Como já referi, os números apresentados dependem de muitos fatores, podem estar errados mas mais uns trocos para aqui mais uns trocos para ali não deve fugir muito do que abaixo se apresenta:

Estado 6%  (nem sei se ainda se aplica, mas ainda vai aumentar)
Autor 10% 
Gráfica 10% 
Distribuidora 15%
Livraria 30% 
Editora 29% 

Das Editoras até compreendo, pois podem ter custos tradução, revisão, quem elabora as capas, etc.

No fundo e olhando a frio para estes números quem leva a grande fatia é mesmo quem apenas cede um espaço para vender os livros, será justo ?

Já agora aproveito para colocar outras questões, alem do que acham destas percentagens, será possível algum dos intervenientes baixar as suas margens ?

Afinal tanto se critica e comenta que os portugueses pouco lêem  mas os livros não deixam de rondar os 18 € (Já nem falo no José Rodrigues dos Santos e mesmo do Miguel Sousa Tavares que embora não se pague tradução, os seus livros são bem mais caros que o valor indicado).

Sei que não estamos em Inglaterra e que as tiragens são bem mais pequenas por cá, mas leva-me a crer ser possível baixar um pouco mais os preços do que se vende por cá.

Por outro lado leva-me a pensar, será que se for paciente e esperar um pouco não posso encontrar os livros bem mais baratos do que quando saem ? Encontra-los em alfarrabistas, esperar por packs promocionais, feiras dos livros, feiras dos livros usados, nesse espaço que é o FB onde se encontram grupos só de troca de livros ou mesmo onde vendem livros praticamente novos a preços bem mais acessíveis e porque não explorar a opção de uma biblioteca perto de nós ?

São várias questões, é um tema batido, mas gostava de saber a vossa opinião sobre o tema, isto claro se já não estiverem saturados de o fazer :D


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Selo 2013 Literário


Olá a todos,


E mais uma vez fui contemplado com mais um selo, quer pela amiga Cláudia Sérgio (http://umabibliotecaemconstrucao.blogspot.pt/) quer pelo amigo Pedro Pacheco (http://nomnomlivros.blogspot.pt/) ao qual desde já agradeço ;)


As regras deste selo são:

Indicar um mínimo de dois livros que gostei de ler em 2012 (sem limite máximo);
indicar pelo menos três livros que desejo ler em 2013 (sem limite máximo);
Indicar o nome e o link de quem ofereceu o selo;
Oferecer o selo a mais 10 pessoas para dar sequência a este projeto de incentivo à leitura. Ora então, vamos lá a isto!

Livros lidos em 2012

Para simplificar a coisa escolho Alex 9 de Martin Braun (português) e Bizâncio de Stephen Lawhead, mas li muitos outras coisas boas de George Martin a Robin Hobb, Eça de Queiroz, Anton Stark e por ai fora ;)

Livros que pretendo ler em 2013

O Hobbit de JRR Tolkien e já muito em breve, em leitura conjunta no grupo o Cantinho do Corvo Fiacha (FB), Cada Homem é uma Raça de Mia Couto e A Irmandade do Santo Sudário de Júlia Navarro, entre muitos outros claro está :D

http://universoparteleira.blogspot.pt/ (amiga Rita quero ver movimento no teu blog :D )
http://osenhorluvas.blogspot.pt/  (Ao dragão negro que ainda nem o outro fez :P )
http://cronicasdemirime.blogspot.pt/ (Para alguém sempre especial ;) )
http://ghostreader1.blogspot.pt/ (blogue que me vou tornar seguidor por indicação da minha amiga Rita Ribeiro da Magia dos livros)
http://magia-livros.blogspot.pt/ ( Para a amiga Ritinha que mal tem tempo para vir à net com tantos estudos :( )
http://devaneiosdajojo.blogspot.pt/ ( Para a amiga Jojo que tal com o Rita deve estar sem tempo para nada eheheh)

PS: Há mais blogues que mereciam, mas sei que não devem ter muito tempo como a Patrícia Santos, O Luís Pinto a Paula Viajar pela leitura Cassiana Teodoro e por ai fora, mas obviamente não estão esquecidos pelo amigo Corvo ;)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O Planalto e a Estepe de Pepetela



Sinopse:

Do encontro entre um estudante angolano e uma jovem mongol, nos anos 60, em Moscovo, nasce uma amor proibido. Baseada em factos verídicos, ficionados pelo autor, esta história põe em evidência a vacuidade de discursos ideológicos e palavras de ordem, que se revelam sem relação com a prática. Politica internacional, guerra, solidariedade e amor, numa rota que liga um ponto perdido de África e outro da Ásia, passando pela Europa e até por Cuba. Uma viagem no tempo e no espaço, o de uma geração cansada de guerra num mundo cada vez mais pequeno.

Maravilhoso e comovente, este é um romance sobre o triunfo do amor, contra as vontades e todas as fronteiras.

O escritor:

Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido pelo pseudónimo de Pepetela, (Benguela, 29 de Outubro de 1941) é um escritor angolano.

A sua obra reflete sobre a história contemporânea de Angola, e os problemas que a sociedade angolana enfrenta. Durante a longa guerra, Pepetela, angolano de ascendência portuguesa, lutou juntamente com MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) para libertação da sua terra natal. O seu romance, Mayombe, retrata as vidas e os pensamentos de um grupo de guerrilheiros durante aquela guerra. Yaka segue a vida de uma família colonial na cidade de Benguela ao longo de um século, e A Geração da Utopia mostra a desilusão existente em Angola depois da independência. A história angolana antes do colonialismo também faz parte das obras de Pepetela, e pode ser lida em A Gloriosa Família e Lueji. A sua obra nos anos 2000 critica a situação angolana, textos que contam com um estilo satírico incluem a série de romances policiais denominada Jaime Bunda. As suas obras recentes também incluem: Predadores, uma crítica áspera das classes dominantes de Angola, O Quase Fim do Mundo, uma alegoria pós-apocalíptica, e O Planalto e a Estepe, que examina as ligações entre Angola e outros países ex-comunistas. Licenciado em Sociologia, Pepetela é docente da Faculdade de Arquitectura da Universidade Agostinho Neto em Luanda.

Opinião:

Já tinha tido a oportunidade de ler o livro Mayombe há uns anos atrás e nem sabia que era deste escritor e foi uma livro que na altura me marcou bastante.

Quanto a este livro penso que a sinopse resume muito bem tudo o que o livro é, até acabamos por perceber  que terá um final feliz, uma vez que é referido que será um triunfo do amor, mas será mesmo assim como é descrito ?
Claro que o livro não se resume a isso, acabamos por conhecer um pouco os hábitos e formas de pensar de vários povos, como funcionava este tipo de universidades no tempo onde o Comunismo era lei.

Gostei dos personagens (em especial do protagonista que é por quem acabamos por ir acompanhando a história), a escrita é fluida e marcadamente de um escritor Africano, o que ajuda a que o livro se leia num ápice e claro como devem verificar o enredo é interessante.

Um livro que se lê muito bem e acaba por ter um final comovente

Livro 1 / 2013 - Angola (8/10)